Os números falam por si sós: 800 mil torcedores nos estádios (média de público equivalente a 26 mil espectadores), mais de 17 milhões de alemães sintonizados na TV para as quartas de final entre a Mannschaft e o Japão (quase 25% da nação) e cerca de 3 mil representantes dos meios de comunicação. Segundo a opinião de todos, a Copa do Mundo Feminina da FIFA Alemanha 2011 foi uma grande festa do futebol, cuja repercussão ultrapassou largamente as fronteiras do país-sede. Um ano após a partida de abertura disputada com casa cheia no Estádio Olímpico de Berlim, o entusiasmo não diminuiu.

"Através da Copa do Mundo do ano passado, contribuímos concretamente para o desenvolvimento do futebol feminino deixando uma mensagem forte para o grande público: futebol feminino é paixão, emoção e competição de alto nível", comentou a ex-presidente do Comitê Organizador Local do evento, Steffi Jones, atual embaixatriz da FIFA para a disciplina e diretora de futebol feminino da Federação Alemã de Futebol (DFB).

Mais uma vez, as cifras confirmam o saldo positivo do último Mundial Feminino. A DFB registra hoje 734.903 mulheres e 342.312 garotas com menos de 16 anos nos clubes alemães, o que corresponde a aumentos de 2% e 1%, respectivamente, em relação ao ano anterior.

Os bons resultados se refletem ainda no nível da Bundesliga feminina, com uma taxa de frequentação dos estádios 35% maior em 2011/12. A partida entre Wolfsburg e Frankfurt, aliás, quebrou o recorde de público da competição, com 8.689 torcedores. A temporada também chegou ao fim com um balanço favorável na Liga das Campeãs da UEFA. Cinquenta mil pessoas foram ao Estádio Olímpico de Munique para assistirem à vitória de 2 a 0 do Lyon sobre o Frankfurt na final do torneio, um novo marco no continente europeu.

Evolução global
Contudo, não é apenas a Alemanha que está tirando proveito dessa dinâmica positiva. A seleção feminina da França, por exemplo, viu a sua média de público subir para 7 mil por partida. Além disso, os principais jogos do campeonato feminino do país agora são transmitidos ao vivo pela televisão.

A Copa do Mundo Feminina da FIFA 2011 também contribuiu para o clima de otimismo reinante na Suécia. Para além dos bons números da primeira divisão local, o público sueco não decepcionou na recente Winners Cup, realizada em junho. A competição que reuniu japonesas, atuais campeãs mundiais, americanas, detentoras do título olímpico, e as donas da casa foi disputada em estádios lotados.

"O Mundial Sub-17 no Azerbaijão e o Mundial Sub-20 no Japão nos darão a oportunidade de apoiar a evolução do futebol feminino em nível global", explica a chefe do Departamento de Futebol Feminino da FIFA, Tatjana Haenni. "A disciplina está no bom caminho, mas não se pode esquecer que ainda nos resta uma margem de evolução expressiva em diversas áreas."

Torneios iluminam 2012
O Azerbaijão está se preparando para receber um evento da FIFA pela primeira vez na sua história. Com isso, o país se beneficiará de seis novos estádios e de um amplo programa destinado a garantir o desenvolvimento do futebol feminino no longo prazo, com a previsão de estágios e seminários voltados à formação de árbitros e instrutores. A competição, que será disputada entre os dias 22 de setembro e 13 de outubro nas cidades de Baku e Lankaran, reveste-se de grande importância aos olhos das autoridades locais, que convidaram para a ocasião estrelas internacionais do calibre de Jennifer Lopez, Rihanna e Shakira.

O futebol feminino azerbaijano ainda está dando os primeiros passos, mas a organização do evento contribui para que o país implemente estruturas sólidas. Independentemente do desempenho da seleção sub-17 do Azerbaijão, as atenções estarão voltadas para o desenvolvimento do esporte ao término da competição.

Igualmente capital será a Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA organizada em solo japonês de 19 de agosto a 8 de setembro, com jogos nas cidades de Hiroshima, Kobe, Miyagi, Saitama e Tóquio. Desde o triunfo na decisão do Mundial do ano passado, o País do Sol Nascente se rendeu à versão feminina do esporte. Na cerimônia de gala da Bola de Ouro FIFA 2011, o Japão conquistou todos os prêmios nas categorias femininas: Jogadora do Ano da FIFA (Homare Sawa), melhor treinador de futebol feminino (Norio Sasaki) e prêmio FIFA Fair Play.

De acordo com um estudo recente, o interesse dos japoneses pela disciplina cresceu quase 20% em relação ao ano precedente. Essa popularidade se reflete sobretudo pela transmissão de várias partidas do Campeonato Feminino Alemão na televisão japonesa. Ademais, a liga nacional nipônica cravou um novo recorde de público durante um confronto entre Albirex Niigata Ladies e INAC Leonessa que reuniu 24.546 espectadores.

Febre continua
"O entusiasmo pelo futebol feminino no Azerbaijão e no Japão diz muito sobre os progressos que realizamos nos últimos anos", acrescentou Haenni. "A FIFA continua buscando envolver novas nações através dos seus torneios. Essa política só traz benefícios para a entidade e para o futebol feminino em geral."

Doze meses após o último Mundial, contabilizam-se mais de 29 milhões de jogadoras ao redor do globo. Segundo uma pesquisa encomendada pela FIFA, o futebol feminino hoje tem mais de 70% de opiniões favoráveis, testemunhando a sua importância cada vez maior.

A fim de garantir o sucesso das próximas competições e de criar uma sinergia pelo desenvolvimento do futebol feminino no mundo todo, a FIFA lançou a campanha Live Your Goals na partida de abertura da Alemanha 2011. O objetivo da iniciativa é incentivar a prática do futebol feminino às vésperas dos grandes torneios internacionais e promover o valor social da disciplina.

Milhares de meninas já participaram dos festivais Live Your Goals organizados no Japão, no Azerbaijão e na Costa Rica, país que sediará a Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA 2014. Com todos esses números, a febre do futebol feminino não dá sinais de que irá esfriar.