
Cinco edições, cinco finais. Os números impressionam quando o assunto é a participação dos Estados Unidos no Torneio Olímpico de Futebol Feminino, ainda mais quando se leva em conta que o país só perdeu a decisão de 2000, diante da Noruega. Para a meio-campista Carli Lloyd, não há segredo. "Lutamos até o fim, nunca desistimos", afirma ao FIFA.com. "Não mudamos de comportamento. Aconteça o que acontecer, encontramos um modo de ir em frente."
Foi com essa postura que as americanas conseguiram derrotar o Canadá em uma semifinal emocionante, com o gol da vitória saindo nos descontos do segundo tempo da prorrogação por meio de uma cabeçada de Alex Morgan. "Enfrentamos o Canadá como se fosse uma final", afirma Lloyd.
A jogadora de 30 anos é um dos pilares da seleção americana por causa da visão de jogo na hora de distribuir a bola no meio-campo e pela facilidade para arremates de média distância. "Você pode examinar as estatísticas e ver que elas não nos vencem desde 2001, mas a partida era hoje, e o Canadá lutou de uma forma incrível", conta. "Acho que nós todas aprendemos uma grande lição: não podemos menosprezar nenhuma rival", complementa a atleta, fã do espanhol Xavi.
Apesar de terem de buscar o resultado três vezes, as americanas não perderam a tranquilidade. E a paciência valeu a pena. "Nós já tínhamos saído perdendo por 2 a 0 contra a França no primeiro jogo", relembra Lloyd. "A situação não era nova para nós. Sabíamos que os gols chegariam. Estávamos criando chances. Tínhamos fé em nós mesmas. Parecia que só precisaríamos de um gol para virar, e no final tivemos de fazer quatro. Sete gols em uma partida! Que loucura!"
"No final, estávamos muito cansadas e começamos a buscar a Abby (Wambach) com cruzamentos para a área, mas quem acabou acertando foi a Alex", prossegue. "Talvez não tenha sido a cabeçada mais bonita de todos os tempos, mas foi suficiente para superar a goleira e foi fantástica. Foi um alívio não precisar ir para os pênaltis."
Em busca de revanche
Instaladas em Londres para a grande final, as americanas estão felizes pela proximidade com a experiência olímpica. "Os Jogos vão começar de novo para nós, porque finalmente podemos respirar o ambiente olímpico de Londres, e vamos aproveitar ao máximo", conta Lloyd.
Na quinta-feira, o Estádio de Wembley se vestirá de gala para assistir à repetição da final da última Copa do Mundo Feminina da FIFA. Há um ano, as meninas de Pia Sundhage perderam nos pênaltis, e Lloyd desperdiçou uma das cobranças. "Vamos em busca de revanche e não vamos embora sem uma medalha de ouro desta vez", promete a própria jogadora ao FIFA.com.
Desde aquele dia em Frankfurt, o confronto se repetiu mais três vezes em amistosos. As americanas levaram 1 a 0 em março pelo Mundialito do Algarve, empataram em um gol em abril no Japão e se impuseram na Suécia em junho pelo placar de 4 a 1. "Já vimos como elas estão jogando aqui", observa. "Acho que devemos nos concentrar no nosso futebol e em pressioná-las muito. Não vai ser fácil, mas será a nossa grande oportunidade de revanche."
Quatro anos atrás, em Pequim, Lloyd teve um papel importante para a conquista da medalha de ouro. Foi dela o gol na prorrogação que decretou a vitória de 1 a 0 sobre o Brasil. "Foi um momento incrível", relembra, antes de concluir com um sorriso. "Espero que possa reviver um instante assim, mas, no final, não importa como a gente ganhe, quem faça o gol, desde que a gente consiga. Mas tudo bem, já estou preparada para repetir se for necessário."




