
Quando a técnica da seleção da Grã-Bretanha, Hope Powell, exalta Kim Little como "um grande talento", ela fala por experiência. Por uma dolorosa experiência.
Na última vez em que as duas se encontraram, na Copa Chipre 2011, a atual meia do Arsenal liderou a vitória de seu conjunto por 2 a 0, marcando o primeiro gol. No entanto, para a infelicidade de Powell, a treinadora, que comandava o selecionado da Inglaterra, não estava do lado vencedor. Isto porque, naquele dia, Little mostrava seu bom futebol com a camisa azul-marinho da Escócia, seu país natal.
Poucos técnicos ou técnicas de seleção podem se dar o luxo de convocar ex-adversárias, mas essa foi exatamente a chance que Powell teve com o conjunto que vai a Londres 2012. Little é uma das duas jogadoras não inglesas que formam o elenco de 18 nomes que estará no iminente Torneio Olímpico de Futebol. Após começar como titular no empate em 0 a 0 com a Suécia na última sexta-feira, fica claro que ela deve ter um papel importante no grupo.
Isto, porém, não deveria surpreender. Este pode até ser o primeiro torneio de peso da jovem de 22 anos, mas há tempos ela é considerada uma das maiores promessas do futebol feminino local, com feitos por seu clube e sua seleção considerados notáveis para uma atleta de tão pouca idade. As 70 partidas que Little fez com a camisa escocesa já impressionam por si só, mas sua média de mais de um gol por partida pelo Arsenal poderia fazer os desavisados suporem que a carta que Powell tem na manga é uma centroavante nata. Muito pelo contrário. E a própria jogadora se alegra de poder explicar isso bem.
"Quase todos meus gols saem do meio de campo. Esta é minha posição original", explicou Little ao FIFA.com. "Mas sou uma jogadora que sempre tenta subir ao ataque, propor jogo, criar oportunidades e fazer gols. Espero que possa marcar mais alguns na Olimpíada. Estou muito ansiosa para a competição. Fazer parte da seleção da Grã-Bretanha é algo especial, uma grande honra, porque é a primeira vez na história que isso acontece no futebol feminino (das Ilhas Britânicas)."
Tá em casa
Participar dos Jogos Olímpicos já é importante o bastante, mas estar neste especificamente tem um significado extra para Little. Afinal, apesar de ter crescido no pequeno vilarejo de Mintlaw, ao norte da Escócia, a enorme Londres se tornou sua casa desde que ela se transferiu do Hibernian escocês ao Arsenal com apenas 17 anos. "Agora estou bem estabelecida aqui", disse. "Vi todo o trabalho de preparar a cidade para a Olimpíada sendo feito. Vai ser incrível assistir a tudo isso acontecendo. As coisas foram crescendo pouco a pouco e era muito empolgante pensar: 'Posso fazer parte disto'."
E embora, nas palavras de Little, tenha havido "algumas piadas" entre ela e a maioria inglesa de jogadoras, a escocesa se encontra entre muitas amigas na equipe da Grã-Bretanha. Não é à toa: as atletas do Arsenal formam quase um terço do elenco de Powell. Com sua juventude complementada pela experiência de colegas de clube como Kelly Smith e Rachel Yankey, Little não vê razão para se propor objetivos modestos.
"Vamos para chegar ao máximo", afirmou. "Sei que não começamos como favoritas, mas jogamos em casa, com o apoio da torcida, e contamos com um elenco forte o suficiente para criar problemas para qualquer equipe. Passar da fase de grupo é nossa meta por ora, mas não tem sentido dizer: 'Chegar às semifinais terá sido um sucesso'. Isto é uma Olimpíada, então tudo mundo quer terminar no alto do pódio, com uma medalha. E, com o grupo que temos, não vejo razão para que ela não possa ser a de ouro."




