
"Se existe um entusiasmo crescente pelo futebol feminino, é simplesmente porque ele está mais bonito e agradável de se ver", diz inocentemente Louisa Nécib ao FIFA.com. Não há como contestar a talentosa meio-campista da seleção francesa. Afinal, é justamente por causa de jogadoras como ela que a modalidade tem se tornado cada vez mais popular. Nécib é um espetáculo por si só.
Comparada a Zinédine Zidane por causa das origens argelinas, da infância em Marselha, da posição e, claro, da habilidade com a bola nos pés, "Ziza", como é carinhosamente chamada, merece a atenção que desperta. Primeiro, porque a morena de pele escura e olhos felinos é indiscutivelmente bonita. E segundo, porque o futebol que ela joga é tão belo quanto.
Fazendo bonito no clube e na seleção
"Gosto do futebol bonito, pois é uma maneira de se ter prazer em campo, e é impossível jogar bem sem prazer", explica Nécib. "Zidane é um exemplo para mim. Ele sempre foi o jogador que me dava mais prazer de ver atuar. A comparação era mais comum no início da minha carreira, hoje ela é cada vez menos frequente. Mas não dá para dizer que não gosto."
Nécib cresceu em um dos bairros mais pobres de Marselha. "Os garotos jogavam bola na rua, e eu só queria fazer o mesmo", conta a jogadora, hoje com 25 anos, tentando explicar a origem da paixão pelo futebol. Aos 16, ela deixou o Celtic de Marselha para seguir o seu sonho no centro de formação nacional da Federação Francesa de Futebol, em Clairefontaine. De lá, a meio-campista saiu para assinar com o Montpellier em 2006 e com o Lyon em 2007. E para virar a estrela que ela, humildemente, nega ser.
"Estou longe disso, mas é verdade que, com a Copa do Mundo e a maior cobertura do futebol feminino na mídia, as pessoas me reconhecem um pouco mais do que há alguns anos", confessa. A fama foi resultado natural dos feitos de Nécib no inesquecível ano de 2011. Algumas semanas após ter conquistado a Liga das Campeãs com o Lyon, ela brilhou na Copa do Mundo Feminina da FIFA como uma das protagonistas da surpreendente campanha francesa até as semifinais.
"A Louisa é uma jogadora como poucas", disse o técnico Bruno Bini durante a Alemanha 2011. "Ela faz coisas fora do comum, é simplesmente uma artista. É claro que podemos dizer que às vezes ela demora um pouco para dar o passe, mas o sol brilha quando ela toca na bola. Eu, que estou sempre com frio, me sinto aquecido, e a seleção se irradia. Então, ela está autorizada a ser um pouco mais fominha do que as outras."
Bela e ambiciosa
Nécib, no entanto, conhece muito bem a importância do jogo coletivo, como prova ao comentar a indicação entre as dez melhores jogadoras do mundo. "Devo isso às minhas companheiras, pelas nossas campanhas na Copa do Mundo e na Liga das Campeãs com o Lyon. Encaro a escolha como uma recompensa tanto individual como coletiva."
A meio-campista lembra também a indicação de Bruno Bini entre os três melhores treinadores de 2011. "Foi merecida, porque ele provou na Copa do Mundo que era capaz de grandes feitos. A nomeação foi motivo de orgulho não só para ele, como para nós jogadoras."
Com tantas alegrias, fica difícil esquecer 2011. "Foi um ano fantástico para o futebol francês como um todo", comemora Nécib. "O Lyon ganhou a Liga das Campeãs, uma das mais belas competições de clubes que existem, e a Copa do Mundo, na minha opinião, foi um sucesso, ainda que a gente não tenha conseguido chegar à final. O trabalho realizado nos últimos anos pelos instrutores e pela jogadoras foi recompensado. Um trabalho de longo prazo que agora está dando frutos."
A estrela, contudo, trata logo de esquecer o passado para olhar com ambição em direção ao futuro. "Queremos ganhar o máximo de títulos no clube e na seleção", conclui, no despertar de um 2012 repleto de compromissos para o futebol francês, a começar pelo Torneio Olímpico de Futebol Feminino Londres 2012. "Em uma competição como essa, é necessário entrar pensando em medalha."





