Duas vagas em disputa na CONCACAF
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A Copa do Mundo Feminina da FIFA já começa a ser uma lembrança distante na memória e as principais seleções da América Central, da América do Norte e do Caribe voltam suas atenções para a disputa de uma das duas vagas disponíveis para a região no Torneio Olímpico de Futebol Feminino de Londres 2012.

As eliminatórias, que começarão nesta quinta-feira, em Vancouver, no Canadá, devem contar com alguns jogos imperdíveis, já que os oito países na disputa — incluindo Estados Unidos, Canadá e México, as potências da região — lutarão para viajar à Inglaterra no segundo semestre. As anfitriãs são consideradas favoritas no Grupo A, onde terão a companhia de costa-riquenhas, cubanas e haitianas. Já as americanas, atuais vice-campeãs mundiais, terão um duro teste pela frente no Grupo B, no qual enfrentarão as arquirrivais mexicanas na última rodada, após encararem as modestas seleções de Guatemala e República Dominicana.

Dois países em cada grupo se classificarão para as semifinais, onde estará em jogo não só uma vaga na decisão, no dia 29 de janeiro, como também a passagem para Londres 2012.

Canadá é destaque na abertura
Costa Rica e Cuba abrirão as eliminatórias nesta quinta, no primeiro jogo do dia. Mais tarde, o Canadá dá início a sua campanha diante do Haiti. As donas da casa, que não pontuaram na Alemanha 2011, mergulharam em um processo de renovação nos últimos meses e agora contam com o recém-contratado técnico John Herdman para comandar o período de mudanças.

Esperançosas de se classificarem para os Jogos Olímpicos e de olho na próxima Copa do Mundo Feminina da FIFA, que acontecerá em seu país, as canadenses não poderão contar com a experiência de Diana Matheson. A meia teve de passar por uma cirurgia no joelho após ajudar sua seleção a vencer o Brasil na final do Pan-Americano em outubro passado. Apesar disso, o Canadá sem dúvida terá o apoio da torcida em Vancouver. As próprias jogadoras pediram que o público comparecesse para torcer por elas em sua tentativa de se classificar para as Olimpíadas. Comandado pela atacante e capitã Christine Sinclair, o Canadá deve ficar ao menos em segundo no Grupo A, no qual a Costa Rica, duas vezes semifinalista do torneio, é o maior obstáculo.

A pressão sobre as anfitriãs é grande, mas o técnico Herdman mostrou sua intenção de poupar as energias de suas comandadas para a decisiva semifinal, já que teme um encontro prematuro com os Estados Unidos nessa etapa. "O único perigo que ninguém quer ter de enfrentar na semifinal são as americanas", disse o treinador para a página da CONCACAF na internet. "Se isso acontecer, porém, a situação muda radicalmente. Ficaremos com os dedos cruzados."

No entanto, antes de garantir a classificação para a semifinal, o Canadá terá de driblar um selecionado costa-riquenho que busca sua primeira participação em uma competição mundial. Além disso, haverá também Cuba e Haiti, que estreiam em Pré-Olímpicos.

Apesar de a Costa Rica contar com a liderança da meia Shirley Cruz, do Lyon, da França, para impedir o Canadá de ficar na primeira posição no Grupo A, provavelmente a luta pela classificação para as semifinais seja ainda mais complicada no Grupo B. Os Estados Unidos chegam para o torneio ainda sentindo o golpe de terem perdido a decisão da Alemanha 2011 para o Japão. Assim, buscarão compensar a derrota não só com a vaga em Londres, mas também com a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. Será uma tarefa de peso, já que as americanas subiram ao ponto mais alto do pódio nas duas últimas edições da competição.

Rivalidade reeditada
A atacante americana Abby Wambach tem plena consciência de que não haverá uma segunda chance nestas eliminatórias. "Nossa região é historicamente muito parelha", disse, se referindo especificamente à primeira derrota de sua seleção para o México, no torneio classificatório para a Alemanha 2011. O resultado forçou os Estados Unidos a irem para o tudo ou nada em uma repescagem contra a Itália para garantirem presença no último Mundial. "Nosso grupo é difícil", disse a jogadora ao FIFA.com. "O jogo contra o México é aquele que precisamos marcar em nossas agendas, porque será a partida que mostrará a maneira como chegaremos às semifinais. É o compromisso que temos de vencer."

"O bom é que a maioria de nossas jogadoras passou por aquilo que vivemos na Copa do Mundo do ano passado — o sentimento contraditório de termos evoluído tanto e virarmos notícia em nosso país e de, então, falharmos no final. Não há motivação maior do que aquilo."

O México, por sua vez, estará ávido por protagonizar outra zebra. O técnico Leonardo Cuéllar vem organizando pré-temporadas frequentes para suas jogadoras, enquanto a Federação Mexicana de Futebol dá início a uma nova era, com mais investimento no futebol feminino. Maribel Domínguez e Mónica Ocampo levarão experiência à seleção do país. Ambas marcaram gols na fase de grupos da Alemanha 2011, onde o México empatou com a Inglaterra e a Nova Zelândia. Além disso, participaram da campanha da medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos do ano passado. Agora, depois da histórica vitória do ano passado sobre as poderosas americanas, a insegurança de enfrentá-las com certeza desapareceu. Nos últimos dois anos, enquanto os Estados Unidos têm se perguntado como tudo poderia ter sido se as coisas tivessem ocorrido de outra maneira, o México vem mostrando uma enorme evolução.

"Tudo vai caminhando na direção certa", afirmou Cuéllar, em entrevista ao site da CONCACAF. "Mas temos de confirmar isso com resultados. Classificar-nos para as Olimpíadas será um incentivo enorme para o futebol feminino no México."

Porém, antes que mexicanas e americanas se enfrentem no aguardado encontro da última rodada do Grupo B, a estreante Guatemala, liderada pela promissora dupla formada pela atacante Katherine Ramos e a meia Ana Martínez, e a República Dominicana tentarão aprontar uma surpresa para cima das favoritas.