América do Sul busca quatro representantes
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Quatro vagas para a Copa do Mundo Sub-20 da FIFA Turquia 2013. Esse é o atraente prêmio que põe em jogo a 26ª edição do Campeonato Sul-Americano Sub-20, a ser disputada na Argentina entre os próximos dias 9 de janeiro e 3 de fevereiro.

A cidade de Mendoza será sede do Grupo A, no qual caíram a seleção anfitriã, a Colômbia, o Chile, o Paraguai e a Bolívia. Por sua vez, San Juan receberá o Grupo B, no qual competirão o atual campeão Brasil, o Uruguai, o Equador, o Peru e a Venezuela. Os três primeiros de cada chave passam para o hexagonal final.

Na fase decisiva, que será totalmente realizada em Mendoza, os seis finalistas voltarão a se enfrentar no sistema de todos contra todos. Os quatro melhores carimbarão o passaporte para a Turquia 2013. A seguir, o FIFA.com faz uma análise do torneio.

Dois pesos pesados
O Brasil é indiscutivelmente uma potência da categoria, como demonstram seus cinco títulos mundiais – o último, em 2011 – e suas 11 taças sul-americanas – as três últimas, consecutivas. A equipe de Emerson Ávila pode não ter o brilho daquela formada Neymar, Lucas e Oscar, mas contará com a presença de muitos atletas que já disputam a elite do Brasileirão, além de Rafael Alcântara, o Rafinha, que joga no Barcelona B e é irmão de Thiago Alcântara, da seleção espanhola, e filho do ex-volante Mazinho. "O Brasil sempre é favorito e neste torneio não será diferente. Temos de estar acima de nossos adversários", admitiu Rafinha.

Na disputa também deveria estar o Uruguai, que apresentará sete jogadores do elenco que foi finalista da Copa do Mundo Sub-17 da FIFA no México 2011. Entre eles se destaca o goleiro Jonathan Cubero, ganhador da Luva de Ouro adidas na ocasião. No entanto, os magros resultados na preparação dispararam os alarmes, como reconheceu o próprio técnico Juan Verzeri. Assim, serão importantes as contribuições dos atacantes Dante López, da Roma, Rubén Bentancourt, do PSV, e Gonzalo Bueno, do Nacional de Montevidéu.

O Equador também contará com sete jogadores que foram ao México 2011, quando o selecionado chegou às oitavas de final. Após a participação nesse torneio, o técnico Julio César Rosero se sente na obrigação de reeditar o desempenho. "O grupo está convencido das possibilidades que tem", explicou o treinador, que confia em atletas mais experientes, como o lateral Marcos Lopez, do Deportivo Cuenca, o zagueiro Pedro Velazco, do Barcelona de Guayaquil, e o atacante José Cevallos, da LDU.

O atacante Josef Martínez, do Young Boys suíço, é a carta na manga de Marcos Mathías, técnico de uma Venezuela que busca a classificação para seu segundo Mundial da categoria, depois daquela histórica participação no Egito 2009.

Já o Peru, em compensação, nunca se classificou para um torneio global. "Caímos em um grupo complicado, mas não impossível", analisou Edison Flores, meia do Villarreal B espanhol. Os peruanos não terminam entre os quatro primeiros de um Sul-Americano desde 1975, quando ficaram justamente em quarto.

Favorito cercado de aspirantes
Com seis taças do Mundial em sua sala de troféus, a Argentina parte outra vez como candidata ao título sul-americano, independentemente de não ganhá-lo desde 2003. Comandada por Marcelo Trobbiani, campeão mundial no México 1986, a seleção alviceleste conta com mais uma rica geração de jogadores, entre os quais se destacam Juan Iturbe, do FC Porto, Federico Cartabia, do Valencia, e Ricardo Centurión, do Racing. "Jogar em casa não é uma pressão, mas uma responsabilidade. Queremos primeiro a classificação e depois o título", afirmou o treinador.

Cristian Bonilla e Sebastián Pérez, ambos do Atlético Nacional, são os únicos remanescentes da seleção da Colômbia que, como dona da casa, alcançou as quartas de final da última Copa do Mundo da FIFA da categoria, em 2011. Essa experiência pode ser decisiva para o combinado de Carlos Restrepo, que chega à Argentina ansioso por reeditar a conquista da taça sul-americana de 2005 – a última vez em que o Brasil não conseguiu ser campeão.

Com aspirações semelhantes viaja o Chile, apesar da ausência do atacante Ángelo Henríquez, emprestado pelo Manchester United ao Wigan inglês. O selecionado treinado por Mario Salas, que contará com o meia Bryan Rabello, do Sevilla, e o atacante Diego Rubio, do Sporting Lisboa, tem objetivos claros. "Queremos fazer uma boa atuação e ir ao Mundial", disse o técnico do Chile, que não se classifica para o Mundial desde 2007, quando ficou em terceiro lugar no Canadá.

Paraguai também não esconde suas ambições. "Temos jogadores que já fizeram vários jogos em equipes da primeira divisão. Estamos preparados física, tática e emocionalmente", avisou o técnico Víctor Genes, em referência a nomes como os meias Derlis González, do Benfica, e Ángel Lucena, do Libertad, além do atacante Brian Montenegro, do Tacuary.

Já a espinha dorsal da Bolívia são, segundo o técnico Marco Barrero, seus quatro "legionários": o goleiro Guillermo Viscarra, do Vitória baiano, e os atacantes Carlos Paniagua, do Sevilha, Ricardo Vaca, do Recreativo Huelva espanhol, e Alex Pontons, do Pro Vercelli italiano. "Podemos aprontar mais de uma surpresa", disse o treinador. Vale relembrar que a Bolívia não supera a fase de grupos desde 1983 e nunca disputou um Mundial Sub-20.