
Talvez Nuri Sahin seja o turco em melhores condições para falar sobre a importância do fomento às categorias de base no futebol de alto nível. O talentoso meio-campista já disputou 32 partidas pelo seu país depois de ter brilhado no cenário europeu e mundial com a seleção turca juvenil. Além disso, ele vem vivendo uma evolução contínua desde que surgiu no mundo da bola e já se tornou ídolo na Turquia.
O meia com certeza nunca se esquecerá do ano de 2005. Na Eurocopa Sub-17 na Itália, Sahin conduziu a Turquia ao título e foi eleito o melhor jogador do torneio. Depois, desempenhou um papel fundamental para que a sua seleção chegasse às semifinais da Copa do Mundo Sub-17 da FIFA Peru 2005, recebendo a Chuteira de Prata adidas por ter sido o vice-artilheiro da competição e a Bola de Bronze adidas por ter sido considerado o terceiro melhor jogador. A partir dali, Sahin começava a trilhar seu futuro de sucesso.
Foi uma ascensão vertiginosa para o turco, que nasceu e passou a infância na Alemanha. Também em 2005, ele se tornou o jogador mais jovem de todos os tempos a disputar uma partida da Bundesliga pelo Borussia Dortmund, além de ter estreado pela seleção principal da Turquia, justamente em jogo contra o selecionado germânico. Embora tenha começado no banco de reservas, marcou seu gol logo após entrar em campo na vitória por 2 a 1, tornando-se então o jogador mais jovem da história a vestir a camisa e a balançar as redes pelo país.
Após uma breve passagem pelo Feyenoord, Sahin voltou para o Borussia e comandou o meio de campo do tradicional clube alemão na conquista da Bundesliga em 2011, tendo sido eleito o melhor jogador do campeonato. Com isso, foi contratado pelo Real Madrid, mas a transferência ficou um pouco ofuscada pelas contusões. O jovem craque teve poucas chances e acabou sendo emprestado para defender o Liverpool na temporada atual.
Nos próximos dois anos, Sahin terá a oportunidade de acompanhar dois torneios muito especiais. Primeiro, como torcedor, ele acompanhará o surgimento de jovens talentos na Copa do Mundo Sub-20 da FIFA 2013, que será disputada na Turquia. O evento certamente despertará boas lembranças da época em que ele próprio estava nas categorias de base. Em seguida, o maestro turco fará de tudo para estar presente na Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014. O FIFA.com realizou uma entrevista exclusiva com Sahin, que falou sobre as duas competições.
FIFA.com: Daqui a nove meses, a Turquia estará no centro das atenções do futebol mundial...
Nuri Sahin: (risos) Sim, sem dúvida! A Copa do Mundo Sub-20 2013 será em solo turco. E posso dizer que todos já estão muito entusiasmados e eufóricos com os preparativos. É uma boa oportunidade para a Turquia provar que é capaz de organizar um grande torneio. O futebol desempenha um papel enorme no cotidiano dos turcos. Talvez seja até a coisa mais importante. Não há um dia em que não se fale sobre futebol. Somos muito apaixonados. Estou ansioso e tenho certeza de que a Turquia vai aproveitar muito esse torneio.
Para um jovem jogador, qual é a importância de disputar um torneio internacional dessa grandeza?
Tem um significado incalculável, principalmente para o desenvolvimento do jovem. Esses torneios são o primeiro passo para o futebol profissional. O jogador aparece pela primeira vez na televisão e leva para casa muita autoconfiança, porque sabe que já enfrentou os melhores do planeta. Tenho memórias maravilhosas da Copa do Mundo Sub-17 Peru 2005. Para mim, foi a entrada perfeita e me diverti muito. O torneio facilitou os passos seguintes no esporte e me ajudou a ser um jogador melhor.
Na sua opinião, até onde a seleção turca sub-20 pode chegar no Mundial do ano que vem?
Preciso admitir que não conheço a equipe tão bem. Mas em geral, acredito que é sempre igual para as seleções turcas. Quando conseguimos nos classificar para um grande torneio, sempre vamos bem e chegamos longe. Por isso, tenho certeza que os garotos vão fazer um bom torneio. A preparação será boa e todo o país vai estar apoiando. Dessa forma, até a conquista do título pode ser considerada possível.
Como avalia a situação atual do futebol turco em comparação com as principais potências mundiais?
Infelizmente, não conseguimos nos classificar com a seleção principal para os últimos grandes torneios, nem para a Copa do Mundo da África do Sul 2010 nem para a Eurocopa deste ano. Isso foi um grande retrocesso. Principalmente se pensarmos que a Turquia ficou na terceira colocação na Copa do Mundo 2002 e chegou às semifinais da Euro 2008. Mas é preciso aceitar isso e tentar ser otimista em relação ao futuro.
Quais os principais aspectos que permitem que você tenha esperanças?
Estamos com um técnico novo. Vamos adotar a filosofia de jogo dele e voltar a contar com os nossos antigos pontos fortes. Mas não podemos nos esquecer de uma coisa: atualmente não existem mais seleções pequenas no topo do futebol mundial. Três ou quatro seleções brigam para ser a melhor. E atrás delas a situação é muito equilibrada. Estamos lutando para também chegar lá.
Quais foram as principais mudanças sob o comando do novo treinador Abdulla Avci?
Acredito que estamos todos nos beneficiando com ele. Ele já conhecia quase toda a equipe, porque trabalhou com muitos dos jogadores nas categorias de base. Não há ninguém em toda a Turquia que conheça tão bem os jogadores. Por exemplo, ele foi o meu técnico no Mundial Sub-17. A vantagem é que ele sabe exatamente quais as qualidades e os defeitos de cada atleta.
Até onde é possível chegar na Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014?
O nosso objetivo, obviamente, é a classificação. Não há dúvidas sobre isso. Fizemos um bom começo e estamos confiantes. Após uma derrota por 2 a 0 contra a Holanda fora de casa, derrotamos a Estônia por 3 a 0 em Istambul. Só não podemos cometer o erro de subestimar os adversários.
E quais são os seus objetivos pessoais para os próximos 12 meses?
Em primeiro lugar, quero fazer de tudo para jogar uma boa temporada pelo Liverpool e disputar o maior número de partidas possível. Aprendi recentemente, e de forma muito dolorosa, como uma contusão pode derrubar um jogador. Depois disso, quero ser titular da Turquia. Este é o meu grande objetivo. Acredito que estou perto de atingi-lo.
E então você quer ser titular da seleção turca no Brasil 2014...
Esta é a minha meta e estou confiante de que estarei em campo no Brasil se estiver livre de lesões. Vou trabalhar pensando nesse objetivo.













