Copa do Mundo Feminina da FIFA EUA 2003
© Action Images

Em um dos torneios mais emocionantes da história da modalidade, a Alemanha conquistou a Copa do Mundo Feminina da FIFA Estados Unidos 2003 após uma final europeia diante da Suécia. A competição, originalmente programada para a China, bateu recordes em todos os sentidos e apresentou jovens promissoras como a brasileira Marta.

Um problema inesperado
No dia 17 de julho de 2003, no sorteio dos grupos da Copa do Mundo Feminina da FIFA, o treinador da China, Ma Liangxing, entregou simbolicamente o troféu da competição a April Heinrichs, técnica dos novos anfitriões, os Estados Unidos. A edição de 2003 iria acontecer em um continente diferente do planejado.

Com as preocupações por causa da epidemia da gripe aviária na China, o torneio teve de ser transferido para se manter dentro das datas programadas, e a FIFA informou ao mundo que os Estados Unidos seriam a nova sede. Mesmo sob grande pressão para preparar o evento em cima da hora, tudo ocorreu sem nenhum problema, e torcedores de todos os lugares voltaram a atenção aos EUA no dia 20 de setembro.

O que se viu foram muitos rostos familiares (Sun Wen, Mia Hamm, Bettina Wiegmann, Hege Riise e outras), além de diversas caras novas, com ênfase para as estreantes França, Coreia do Sul e Argentina.

Fugindo do padrão
Repetindo a opinião dos especialistas em futebol feminino de todo o mundo, o treinador Ma Liangxing previu no sorteio que haveria muitas surpresas na competição. "A diferença entre as seleções está diminuindo constantemente, com países que eram mais fracos alcançando os mais fortes."

Lamentavelmente para Ma, a China foi uma das seleções surpreendidas ao cair diante do Canadá nas quartas-de-final. As canadenses deixaram para trás uma série de 11 derrotas contra a China ao conquistarem uma espantosa vitória de 1 a 0. A Noruega foi outra seleção da elite que teve um fim trágico e inesperado. A campeã olímpica foi goleada por 4 a 1 pela jovem e encantadora seleção brasileira antes de ser eliminada pelo país anfitrião nas quartas-de-final.

Mais surpreendente ainda foi a vitória de 3 a 0 da Alemanha sobre os Estados Unidos na semifinal. O jogo resultou no fim do sonho das americanas e deu à Alemanha um lugar na final contra a Suécia. Esta, por sua vez, ressurgiu de uma derrota para os EUA logo no primeiro jogo e eliminou Brasil e Canadá com vitórias por 2 a 1.

Pela segunda vez, depois da Suécia 1995, a Copa do Mundo Feminina da FIFA teve uma final totalmente europeia.

O ressurgimento da Europa
A final, que normalmente é um jogo marcado pela tensão e pela seriedade, foi uma celebração do melhor do futebol. A partida foi rápida, vibrante e cheia de talento. Foi um festival de futebol ofensivo e de determinação física. No fim, o gol de ouro deu o primeiro título mundial às alemãs.

Durante a competição, quatro das cinco seleções europeias venceram as suas chaves e chegaram as quartas-de-final. Apesar da eliminação da França em um grupo difícil na primeira etapa e da desclassificação da Rússia e da Noruega na segunda fase, elas ainda tiveram resultados superiores aos da Coreia do Norte e da Nigéria, campeãs dos seus respectivos continentes, que não conseguiram passar das suas chaves.

O sucesso europeu não foi apenas coincidência. Todos os cinco países do continente mostraram evolução em relacão à Copa do Mundo Feminina da FIFA anterior em termos de habilidade e técnica, e a experiência em jogos de primeira categoria ficou óbvia em campo.

Sete estrelas em ascensão
Jogadoras mais experientes como Mia Hamm, de 31 anos, e Sun Wen, de 30, continuaram em destaque, mas outras mais jovens também deixaram a sua marca. A americana Abby Wambach, de 23 anos, roubou a cena diversas vezes.

Outra estrela que surgiu foi a canadense de 16 anos Kara Lang, que impressionou a todos com habilidade, agilidade e vigor. A brasileira Marta, com 17 anos, também causou ótima impressão. O excelente domínio de bola e o posicionamento preciso lhe renderam um elogio de Ma Liangxing. "O modo como ela joga mostra o futuro do futebol", afirmou.

Aos 24 anos, a alemã Kerstin Garefrekes também deixou a sua marca, balançando a rede quatro vezes, enquanto Josefine Oeqvist, uma sueca de 20 anos, marcou o espetacular gol da vitória contra o Canadá na semifinal. Já a norte-coreana Jin Pyol-Hui, de 23 anos, mostrou ter potencial para ser uma grande goleadora no futuro. Por sua vez, a russa Elena Danilova, a jogadora mais jovem dessa edição da Copa do Mundo Feminina da FIFA, marcou um gol belíssimo contra a Alemanha em uma jogada individual nas quartas-de-final.