Campeã em 2003, a Alemanha foi extremamente competente na defesa do título da Copa do Mundo Feminina da FIFA e, com isso, ratificou a sua reputação de superpotência entre as mulheres. A glória veio após uma vitória por 2 a 0 na final contra um Brasil que, em grande fase, empolgou os espectadores durante todo o torneio. A sempre consistente seleção europeia se tornou a primeira a conquistar dois títulos seguidos - o que foi apenas uma entre as diversas marcas alcançadas pelos campeões da China 2007.

A decisão do campeonato representou também um capítulo inédito da história da Copa do Mundo Feminina da FIFA, já que europeias e sul-americanas nunca haviam decidido a taça entre si. Enquanto a Alemanha entrou em campo sem ter sofrido um gol sequer em cinco partidas, o ofensivo time do Brasil tinha como credencial os 17 marcados em toda a competição, incluindo os quatro anotados na semifinal contra as americanas, até então fortes candidatas ao título.

A acirrada batalha entre a solidez defensiva e o faro de gol terminou com a vitória das detentoras do título de 2003. Comandada pela técnica Silvia Neid, o rolo compressor alemão não deixou as estrelas de Jorge Barcellos jogarem, anulando principalmente a grande arma brasileira, Marta, que não teve chances claras de gol nem conseguiu criar jogadas eficazes para as companheiras. O gol de Birgit Prinz aos 7 minutos do segundo tempo foi um duro golpe nos planos das brasileiras, que foram forçadas a recuar e adotar cautela. Apenas 12 minutos depois, a seleção verde-amarela teve a oportunidade de voltar para o jogo com uma cobrança de pênalti. Marta, porém, desperdiçou a chance de acabar com a invencibilidade da goleira alemã, que defendeu o chute da atacante de 21 anos. Aos 41, Simone Laudehr fez o segundo gol para selar a vitória e frustrar qualquer tentativa de reação adversária.

A Alemanha estabeleceu um novo recorde no torneio ao conquistar o título sem levar nenhum gol em seis jogos. O feito espetacular foi mérito da eficiente defesa comandada pela goleira Nadine Angerer. Com uma sequência de atuações fantásticas, a camisa 1 alemã quebrou uma marca que durava desde a Copa do Mundo da FIFA 1990, quando o italiano Walter Zenga passou 517 minutos sem buscar uma bola na rede.

Na outra ponta da seleção campeã, mais um recorde foi quebrado, pela vencedora da Bola de Prata adidas, Birgit Prinz. A artilheira alemã, fundamental na vitória por 3 a 0 sobre a Noruega na semifinal, se tornou a primeira mulher a disputar três finais da competição. Tricampeã do prêmio Jogadora do Ano da FIFA, Prinz já havia levado a Alemanha à vitória no Mundial de 2003 e visto o título escapar na decisão do torneio de 1995, vencido pela Noruega. Firme nas finalizações e capaz de fazer gols decisivos em momentos cruciais, a atacante de 29 anos se transformou em um exemplo brilhante para as diversas jovens promessas que surgiram durante o campeonato.

Brasil consolida o prestígio
Não há dúvidas de que um dos pontos altos da Copa do Mundo Feminina da FIFA deste ano foi o poder ofensivo de uma seleção brasileira liderada pela espetacular atacante Marta. A Jogadora do Ano da FIFA de 2006 encantou os espectadores com o seu repertório de dribles e acabou faturando a Chuteira e a Bola de Ouro adidas.

Embora a falta de experiência talvez tenha custado o título mundial ao Brasil, o empolgante futebol apresentado pela Seleção mereceu aplausos de torcedores e especialistas. Prova disso foi a escolha da equipe brasileira como a que mais entreteve o público na opinião de 42,12% dos leitores do FIFA.com, que deixaram a campeã Alemanha bem atrás, com 18%. Ainda que a seleção canarinho tenha perdido o título para as europeias, a sua potência ofensiva ficou claramente evidenciada nos números do jogo: 57% de posse de bola, 14 chutes a gol e cinco escanteios.

Antes do duelo contra a Alemanha, Marta e companhia enfrentaram uma resistente equipe australiana nas quartas-de-final e cederam uma vantagem de dois gols conquistada no início da partida. Mas, com um golaço de longa distância de Cristiane aos 30 minutos do segundo tempo, o Brasil avançou às semifinais contra os Estados Unidos. Para chegar à primeira decisão de uma Copa do Mundo Feminina da FIFA, as meninas de Jorge Barcellos lançaram mão do seu destruidor poder de fogo e atropelaram as rivais por 4 a 0, resultado que representou a maior derrota da história das poderosas americanas. O segundo gol de Marta no jogo, um atrevido toque de calcanhar seguido de um chute bem colocado, foi uma das jogadas mais repetidas pelas redes de televisão em todo o torneio.

Asiáticas exibem nervos de aço
A julgar pelo forte desempenho de seleções como Coreia do Norte, Austrália e Inglaterra, as 16 participantes do campeonato deste ano provaram estar mais niveladas do que nunca.

As quatro representantes da Ásia, por exemplo, não se deixaram afetar pela ansiedade diante das melhores do mundo. Tanto no ânimo das norte-coreanas para buscar o empate em 1 a 1 com os Estados Unidos como no gol japonês que igualou o placar contra a Inglaterra no último minuto, as seleções asiáticas deram provas da capacidade de superação na adversidade.

A Austrália, por sua vez, esperou até os acréscimos do último jogo da fase de grupos contra o Canadá para assegurar a classificação às quartas-de-final. O país chegou a dar um susto no Brasil, mas viu o sonho terminar no gol de Cristiane. Embora não tenham terminado entre as quatro primeiras, as meninas australianas deixaram uma ótima impressão nos torcedores com o seu futebol de passes rápidos e espírito de inexorável persistência.

Já os Estados Unidos viram a esperança de um segundo título mundial se desvanecer na semifinal, mas se mantiveram fortes para conquistar o terceiro lugar do pódio. A experiente atacante Kristine Lilly se tornou a única jogadora a participar de todas as cinco edições da Copa do Mundo Feminina da FIFA, enquanto a artilheira do time, Abby Wambach, faturou a Chuteira de Prata adidas. O vizinho Canadá não conseguiu passar da fase de grupos devido ao gol de empate que cedeu à Austrália no fim do terceiro jogo. Foi um golpe cruel demais para as canadenses e o clímax de uma partida muito equilibrada, cujo resultado poucos teriam ousado prever.

Países participantes:
Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Norte, Dinamarca, Estados Unidos, Gana, Inglaterra, Japão, Nigéria, Noruega, Nova Zelândia e Suécia.

Classificação final:
1. Alemanha
2. Brasil
3. Estados Unidos
4. Noruega

Estádios e cidades-sede:
Estádio Hongkou Football (Xangai), Estádio Olímpico de Tianjin (Pequim), Estádio Sport Center (Chengdu), Estádio do Dragão (Hangzhou), Estádio Sports Center (Wuham)

Total de gols:
111 (média de 3,47 por jogo)

Artilheiras:
7 gols: Marta (Brasil)
6 gols: Wambach (Estados Unidos) e Ragnhild Gulbrandsen (Noruega)

Público total:
1.190.971 pessoas

Média de público:
37.218 pessoas