Gana recebe aplausos na África e no mundo
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Fazer história não é bem uma novidade para o Egito, uma das civilizações mais antigas e tradicionais do mundo. Por isso, não chega a surpreender que a Copa do Mundo Sub-20 da FIFA celebrada às margens do Rio Nilo tenha inaugurado um novo capítulo na história do futebol.

Recordes foram quebrados: nunca tantos gols haviam sido marcados nem tantas pessoas os haviam presenciado. Além disso, como não poderia deixar de ser em uma competição que já apresentou ao mundo jogadores do nível de Diego Maradona e Lionel Messi, o torneio mostrou uma verdadeira constelação de jovens astros. No entanto, pelo menos para a África, o Egito 2009 será lembrado por um motivo diferente. Foi nele que uma seleção do continente conquistou pela primeira vez o segundo torneio mais importante da FIFA.

O título obtido pelo selecionado de Gana foi merecido. Os jovens ganeses, comandados em campo pelo artilheiro e melhor jogador da competição, Dominic Adiyiah, souberam conjugar força e habilidade. Prova disso foram os 16 gols marcados a caminho da final. Quando a fonte de gols secou na decisão contra o Brasil, os comandados de Sellas Tetteh encararam a adversidade como um sinal; um aviso de que deveriam fazer valer uma virtude que só os campeões possuem: a personalidade.

Não foi nada fácil suportar os ataques brasileiros com um homem a menos durante 83 dos 120 minutos de jogo. Mais espetacular ainda foi encontrar reservas de energia física e mental suficientes para triunfar na disputa por pênaltis, levando ao delírio os 70 mil torcedores que lotaram o estádio.

Justamente no momento em que a África estava no foco das atenções do futebol mundial, a seleção de Gana e os seus magníficos atletas da bola, como Adiyiah, Andre Ayew e Ransford Osei, acabavam de mostrar por que o continente vislumbra o futuro tão seguro de si. Como Tetteh explicou ao FIFA.com após o triunfo, os ganeses fizeram muita gente feliz.

O torneio das surpresas
Além da magnífica atuação dos ganeses, a competição também apresentou ao mundo diversos novos talentos. O Brasil só perdeu o título nos pênaltis, e muitos espectadores em todo o mundo compreenderam o sentimento de frustração do meia Giuliano após a grande final. Ao mesmo tempo em que parabenizava os campeões, o jogador do Internacional lamentou a derrota por acreditar que a seleção brasileira havia jogado melhor. O camisa dez, ganhador da Bola de Bronze adidas, foi um dos artistas do escrete canarinho que encantaram o publico. Ele e outros como Alex Teixeira, Alan Kardec e Douglas mostraram que não iriam demorar a pedir passagem no selecionado de Dunga.

O Egito 2009 também foi, como previra o vice-presidente da FIFA, Jack Warner, "o torneio das surpresas". Quando a bola começou a rolar, jamais se imaginava que Costa Rica e Hungria chegariam às semifinais. O fato de que ambas estrearam na competição com derrotas, respectivamente por 5 a 0 para o Brasil e 3 a 0 para Honduras, tornou ainda mais surpreendente a façanha.

A Hungria, comandada em campo pelo capitão Vladimir Koman, também teve de recorrer aos penais para superar os costarriquenhos na disputa pelo terceiro lugar. O pódio era o mínimo que os húngaros mereciam pela dedicação e bom futebol ao longo da competição. A seleção da Costa Rica, por sua vez, retornou para casa com mais prestigio graças às grandes atuações de homens como Diego Estrada, Esteban Alvarado e Josué Martínez, especialmente no confronto contra os donos da casa pelas oitavas-de-final.

Com a eliminação precoce do Egito, confirmou-se o presságio de que o torneio não seria conquistado pelos anfitriões, como resumira o presidente do Comitê Organizador Local, Hany Abo Rida. Mas a euforia do público no Cairo nas vitórias sobre Trinidad e Tobago e Itália na fase de grupos ficará gravada na memória dos torcedores egípcios por muito tempo. Eles jamais se esquecerão da partida incrível que Bogy jogou contra a seleção italiana dos excelentes Andrea Mazzarani e Mattia Mustacchio.

O zagueiro tcheco Ondrej Mazuch, o alemão Lewis Holtby e os espanhóis Aarón Ñíguez e Fran Mérida também representaram à altura o continente europeu na competição. A torcida asiática, por sua vez, ficou feliz com o esforço dos seus representantes, que tiveram o emiradense Amer Abdulrahman e o sul-coreano Koo Ja Cheol entre os melhores jogadores do torneio pelas atuações convincentes até as quartas-de-final.

Todos esses atletas e outros mais contribuíram para o novo recorde de 167 gols marcados na competição, marca que superou os 165 da Malásia 1997. Também foi batido o recorde de público, com 1.295.586 espectadores que superaram os 1.195.239 do Canadá 2007.

Em um torneio de tanto sucesso, a última palavra sempre deve ser do maior astro. Ele comandou o seu selecionado até a conquista do titulo, foi o terceiro maior goleador da história do torneio e faturou a Bola de Ouro e a Chuteira de Ouro adidas. Dominic Adiyiah fez tudo isso, mas sabe que os próximos passos são tão ou mais importantes. "Não vou me largar nas cordas", declarou ao FIFA.com. "Quero seguir os exemplos de Messi, Saviola e Agüero. Vou me espelhar nas carreiras deles e vou com muita garra em busca dos meus objetivos. Estou me preparando para chegar ao topo."

No país famoso pela antiguidade, Adiyiah e a seleção de Gana inauguraram uma nova fase para a África no futebol mundial.

Países participantes
África do Sul, Alemanha, Austrália, Brasil, Camarões, Coreia do Sul, Costa Rica, Egito, Emirados Árabes, Espanha, Estados Unidos, Gana, Honduras, Hungria, Inglaterra, Itália, Nigéria, Paraguai, República Tcheca, Taiti, Trinidad e Tobago, Uruguai, Uzbequistão e Venezuela.

Classificação
1. Gana
2. Brasil
3. Hungria
4. Costa Rica

Sedes
Alexandria, Cairo, Ismailia, Port Said e Suez.

Gols marcados
167

Artilheiros
8 gols: Adiyiah (GHA)
5 gols: Koman (HUN)
4 gols: Ñíguez (ESP), Del Valle (VEN), Rondon (VEN), Alan Kardec (BRA) e Osei (GHA)

Público total
1.295.586

Média de público
24.915