A Seleção volta ao topo
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RESUMO DO TORNEIO — Desde que souberam que organizariam a Copa do Mundo Sub-20 da FIFA em 2011, as autoridades colombianas se propuseram a preparar o melhor Mundial de Juniores da história. E assim foi, especialmente para o Brasil, que ignorou a ausência de Neymar, exibiu um futebol compacto e se sagrou campeão pela quinta vez na história. Sim, um novo pentacampeonato para a Seleção, que teve o melhor ataque do torneio, com 18 gols.

Os garotos do técnico Ney Franco conseguiram uma espécie de revanche pela derrota sofrida na final de 2009 para Gana e voltaram a subir ao ponto mais alto do pódio após o último título conquistado nos Emirados Árabes em 2003.

Com a meta bem protegida por Gabriel, o campeão também pôde ficar tranquilo com a segurança defensiva de Bruno Uvini, as subidas de Danilo ao ataque e o talento costumeiro de vários dos seus jogadores: Casemiro mostrou bom futebol pela meia direita, Philippe Coutinho desequilibrou na criação e Henrique contribuiu com a sua grande eficiência goleadora, o que lhe permitiu levar a Bola e a Chuteira de Ouro adidas. Todos liderados pelo brilhante Oscar, que decidiu a final ao marcar três gols contra Portugal — fato inédito na história da competição.

O selecionado foi evoluindo ao longo do torneio e, depois de levantar dúvidas no empate em 1 a 1 com o Egito, na estreia, venceu o Grupo E com goleadas por 3 a 0 e 4 a 0 sobre Áustria e Panamá, respectivamente. "Sabíamos que o grupo iria se encontrando no decorrer dos jogos, porque não tivemos muito tempo para trabalhar no Brasil", explicou Danilo ao FIFA.com ao fim da fase de grupos. Os resultados lhe deram razão: a Seleção arrasou a Arábia Saudita nas oitavas de final, antes de fazer uma das melhores partidas da competição nas quartas.

Contra a Espanha, Gabriel foi um gigante no gol, garantindo o empate em 2 a 2 e a vitória nas cobranças de pênaltis. O goleiro cedeu o protagonismo a Henrique na semifinal contra o México – o atacante foi autor de ambos os gols da vitória por 2 a 0 – e a Oscar na decisão. A final, no Estádio El Campín de Bogotá, terminou com um 3 a 2 para a seleção canarinha, com três gols do camisa 11, que garantiu o ansiado pentacampeonato. "Precisávamos de um título assim depois da desilusão do Mundial Sub-17 e da Copa América", contou o herói do dia, com a taça nas mãos. "Não vinha sendo um bom ano para o futebol brasileiro, mas esta conquista nos dará um grande impulso para 2014."

Recorde e emoção para a Colômbia
O futebol colombiano viveu uma verdadeira festa durante todo o torneio, que veio para curar as feridas da impossibilidade de sediar a Copa do Mundo da FIFA 1986. A apaixonada torcida compareceu às oito sedes e superou o recorde de público que o Egito havia estabelecido há apenas dois anos: 1.309.929 espectadores presenciaram um torneio que contou com uma inédita iniciativa ecológica e diversas atividades solidárias, como parte do projeto Football for Hope.

A seleção do técnico Eduardo Lara teve uma arrancada promissora na primeira fase, com destaque para James Rodríguez, Michael Ortega e Luis Muriel. Porém, infelizmente para a torcida local, o país foi eliminado nas quartas pelo México, que viria a demonstrar com o bronze o excelente momento do futebol asteca.

Os gols do reserva Alexandre Lacazette possibilitaram à França realizar a melhor campanha da sua história no Mundial Sub-20, um sonho que acabou sendo interrompido pelo pragmatismo do selecionado português na semifinal. Os lusos, apoiados pelas extraordinárias atuações do goleiro Mika, armaram uma defesa quase impenetrável e só foram sofrer o primeiro gol na decisão, depois de 575 minutos de invencibilidade — um novo recorde. No setor ofensivo, Nelson Oliveira se encarregou do restante, levando o conjunto a um merecido e celebrado segundo lugar.

O vice-campeão teve de suar para eliminar a surpreendente Guatemala — que chegou às oitavas de final com um saldo de dez gols negativos — para então superar a Argentina na etapa seguinte. A seleção alviceleste encerrou a sua campanha ainda invicta, igualando o recorde do Brasil com 18 jogos sem derrota, mas deu adeus ao campeonato devido à má pontaria nos pênaltis.

A África tampouco viveu o melhor dos torneios, já que a Nigéria — melhor seleção do continente, com 15 gols em cinco partidas — parou nas quartas de final. O mesmo vale para a Ásia, cujo máximo foi ter classificado Arábia Saudita e Coreia do Sul para as oitavas.

Países participantes
Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Áustria, Brasil, Camarões, Colômbia, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Costa Rica, Croácia, Equador, Egito, Espanha, França, Guatemala, Inglaterra, Mali, México, Nigéria, Nova Zelândia, Panamá, Portugal, Uruguai

Classificação
1. Brasil
2. Portugal
3. México
4. França

Sedes e estádios
Armênia (Estádio Centenário), Barranquilla (Estádio Metropolitano), Bogotá (Estádio El Campín), Cali (Estádio Olímpico), Cartagena (Estádio Jaime Morón León), Manizales (Estádio Palogrande), Medellín (Estádio Atanasio Girardot), Pereira (Estádio Hernán Ramírez Villegas)

Total de gols marcados
132 (média de 2,53 por jogo)

Artilheiros
Henrique (BRA), 5 gols
Álvaro Vázquez (ESP), 5 gols
Alexandre Lacazette (FRA), 5 gols

Prêmios
Bola de Ouro adidas: Henrique (BRA)
Chuteira de Ouro adidas: Henrique (BRA)
Luva de Ouro adidas: Mika (POR)