Argentina conquista o hexa
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A Argentina fechou a campanha no Canadá 2007 contra a mesma seleção com a qual fez o jogo de estreia: a República Tcheca. Mas ao contrário do monótono empate sem gols em Ottawa, a final em Toronto foi uma exibição da determinação, habilidade, tática e brilho individual que só uma equipe campeã pode apresentar.

Após sofrer um golaço de Martin Fenin, a seleção alviceleste marcou duas vezes no segundo tempo para vencer por 2 a 1. Sergio Agüero colocou os argentinos de volta no jogo ao marcar logo depois de os tchecos terem inaugurado o placar, e Mauro Zárate decidiu a disputa nos minutos finais.

Agüero, por sinal, foi a grande atração do torneio canadense. Assim como o companheiro de seleção e grande amigo Lionel Messi havia feito em 2005 na Holanda, o atacante do Atlético de Madri ganhou os principais prêmios do campeonato: a Bola de Ouro adidas de melhor jogador e a Chuteira de Ouro como artilheiro com seis gols. Além disso, o brilhante e eficiente baixinho argentino se tornou o segundo jogador da história a conquistar dois títulos da Copa do Mundo Sub-20 da FIFA.

Além do vigor e da visão espetacular, Agüero provou ter o raro e irresistível talento de transformar uma partida. Os dois gols marcados na virada sobre a Polônia pelas oitavas-de-final, a falta cobrada contra a Coreia do Norte e todo o exibicionismo na decisão diante da República Tcheca ficarão gravados.

Mas explicar a campanha da garotada argentina apenas como um show solo de Agüero seria equivocado. Outros jogadores foram determinantes para a conquista do título no Canadá, como Maximiliano Morález, que embora tenha apenas 1,60m provou ser um gigante. O goleiro Sergio Romero, o zagueiro Federico Fazio e o espetacular volante Éver Banega também foram destaques em campo.

A surpresa do Leste Europeu
Os tchecos, que se classificaram para o torneio após ficarem entre os quatro melhores no Campeonato Europeu, não figuravam em nenhuma lista de possíveis finalistas antes de a competição sub-20 começar. Contudo, com uma mistura de táticas sólidas e contra-ataques velozes, a equipe se tornou uma grata surpresa no caminho até a decisão. Após deixar muita gente de queixo caído ao empatar com a Argentina na estreia, a seleção avançou às oitavas-de-final, na qual eliminou o Japão, antes de superar a Espanha, ambas as vezes em disputa de pênaltis.

Já na semifinal, as cobranças alternadas não foram necessárias, pois a República Tcheca derrotou por 2 a 0 a Áustria, outra surpresa do campeonato. A favorita Argentina acabou sendo um adversário poderoso demais na final, mas o que ficou foi a memória da brilhante seleção de Martin Fenin, Marek Strestik, Tomas Pekhart e Radek Petr, expoentes de um futuro promissor para o futebol tcheco.

África e América do Norte fazem bonito, mas Ásia decepciona
Embora tivesse disputado a final da edição de 2005, a Nigéria chegou ao Canadá com baixas expectativas e uma equipe formada principalmente por jogadores que atuavam no próprio país. A seleção africana, no entanto, foi evoluindo a cada partida da fase de grupos e acabou se classificando para o mata-mata ao lado dos vizinhos Congo, Gâmbia e Zâmbia. Os nigerianos só foram eliminados diante de uma excelente, porém indisciplinada, seleção chilena liderada por Mathias Vidangossy, Arturo Vidal e Nicolás Medina em um jogo cujo placar final de 4 a 0 foi elástico demais, não refletindo a firme resistência e o incrível esforço dos eliminados.

O México, por sua vez, foi o destaque entre os representantes da América do Norte, América Central e Caribe. Com dez jogadores da seleção campeã da Copa do Mundo Sub-17 da FIFA no Peru, em 2005, o forte candidato ao título era o mais poderoso entre os seus vizinhos da CONCACAF. Melhor até do que a ofensiva seleção americana de Freddy Adu e Michael Bradley, que chegou a vencer o Brasil na fase de grupos. Mas o destino colocou a Argentina diante de Giovanni dos Santos, Carlos Vela e Patricio Araujo nas quartas-de-final. O México até resistiu aos futuros campeões durante o jogo, mas acabou eliminado por 1 a 0.

Longe de igualar o desempenho da América do Norte e da África, a Ásia só conseguiu classificar uma seleção para a segunda fase. Como único representante do continente, o Japão caiu ao se deparar com a República Tcheca logo no primeiro confronto do mata-mata. Os sul-coreanos, porém, não passaram em branco. Liderados por Shin Young Rok e Shim Young Sung, eles apresentaram uma das melhores e mais coesas seleções do campeonato, e, apesar de não terem tido sorte na fase de grupos, merecem ser lembrados.

O mesmo pode ser dito de uma forma geral do campeonato, que quebrou o recorde de público total que perdurava desde o México 1983. Quase 1,2 milhão de torcedores se espalharam pelos seis estádios para fazer do Canadá 2007 o maior evento de um único esporte a ser realizado na história do país.

Países participantes:
Congo, Nigéria, Gâmbia, Zâmbia, Japão, Coreia do Norte, Jordânia, Coreia do Sul, Áustria, República Tcheca, Polônia, Portugal, Escócia, Espanha, Canadá, Costa Rica, México, Panamá, Estados Unidos, Nova Zelândia, Argentina, Brasil, Chile e Uruguai.

Colocação final:
1. Argentina
2. República Tcheca
3. Chile
4. Áustria

Estádios e cidades:
Estádio Olímpico (Montreal), Estádio National Soccer (Toronto), Estádio Commonwealth (Edmonton), Estádio Swangard (Burnaby), Estádio Frank Clair (Ottawa), Royal Athletic Park (Victoria).

Total de gols:
128 (média de 2,46 por jogo)

Artilheiros:
6 gols: Agüero (ARG)
5 gols: López (ESP)
4 gols: Morález (ARG), Altidore (USA)

Público total:
1.195.239 pessoas

Média de público:
22.985 pessoas