Alemanha triunfa em casa
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Uma euforia enorme, um novo recorde de público, muitas surpresas e um bom desenvolvimento das equipes africanas e sul-americanas: isso é o que ficará para a história após a Copa do Mundo Sub-20 Feminina da FIFA realizada na Alemanha. Mas quem deixou a marca maior neste espetáculo foi a equipe anfitriã que, depois de ter vencido o torneio em 2004, conquistou novamente o título com uma campanha irretocável de seis vitórias e, de quebra, aumentou ainda mais a expectativa pela realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2011 no país.

Foram ao todo 395.295 espectadores em um total de 32 jogos nas cidades de Augsburgo, Bielefeld, Bochum e Dresden. É um novo recorde na história da competição. O torneio alemão provou que o futebol feminino goza de ilimitada popularidade junto aos fãs do esporte. Uma organização sem percalços aliada a uma torcida entusiasmada permitem imaginar o ambiente que reinará na Alemanha no próximo ano, quando a elite do futebol feminino mundial se reunirá para lutar pelo título.

A final em Bielefeld entre Alemanha e Nigéria foi presenciada por 24.633 espectadores. Casa cheia foi a ordem do dia toda vez que as garotas alemãs entravam em campo para demonstrar o seu talento. Mas o impressionante em tudo isso foi o fato de que mesmo quando equipes do outro lado do mundo se enfrentavam, a torcida também se fez presente. O confronto pelas quartas de final entre Coreia do Sul e México, por exemplo, foi visto por 21.146 torcedores em Dresden, cidade histórica no sudeste da Alemanha. Quatro anos depois, a Copa do Mundo Sub-20 Feminina da FIFA se equiparou em tudo ao grande espetáculo do futebol mundial masculino realizado em 2006 e reviveu o lema daquela competição: "O mundo em casa de amigos!"

Três surpresas de três continentes
Em 2006 na Rússia, quem surpreendeu foi a Coreia do Norte. Dois anos mais tarde, no Chile, foram as meninas dos Estados Unidos. E dessa vez quem brilhou foi a equipe local sob o comando da treinadora Maren Meinert. Depois de três vitórias soberanas na fase de grupos, as alemãs eliminaram as norte-coreanas nas quartas de final por 2 a 0 e, em seguida, impuseram uma sonora goleada à equipe da Coreia do Sul por 5 a 1 na semifinal. Numa final de alto nível técnico e atlético, a Alemanha derrotou a Nigéria por 2 a 0 e levantou a taça com todos os méritos.

A atacante Alexandra Popp marcou o primeiro gol logo no início do jogo e, com apenas 19 anos, se tornou a principal protagonista do torneio, com um total de dez gols marcados. Por seu desempenho levou dois prêmios: a Chuteira de Ouro adidas, por ser a maior artilheira, e a Bola de Ouro adidas, já que foi considerada a melhor jogadora da competição. "O nosso maior sonho se tornou realidade", afirmou Popp logo depois da final em entrevista exclusiva ao FIFA.com.

É importante registrar ainda a força do futebol feminino da África e da América do Sul, enquanto que na Ásia surgiu uma quarta força, juntando-se às até então dominantes nações da Coreia do Norte, Japão e China. Nigéria, Coreia do Sul e Colômbia foram as três equipes que chegaram pela primeira vez às semifinais, sendo que as colombianas conseguiram esse feito logo na sua primeira participação em um Mundial. Deu para notar que esse trio jogou com muita disciplina tática além de revelar alguns valores individuais, provando que o futebol feminino passa por um considerável desenvolvimento nos quatro cantos do mundo.

Alto nível técnico se impõe
É preciso destacar que a equipe nigeriana eliminou a americana, até então campeã mundial, nas quartas de final na cobrança de penalidades máximas. Esse resultado foi surpreendente, mesmo porque o selecionado dos Estados Unidos, dirigido pela treinadora Jill Ellis, estava indo bem no torneio. A atacante Sydney Leroux, ganhadora da Chuteira de Ouro e da Bola de Ouro adidas no Chile há dois anos, marcou dessa vez cinco gols. A goleira Bianca Henninger levou a Luva de Ouro adidas. Mas contra as motivadas nigerianas, acabaram levando a pior. A Nigéria explorou todo o seu potencial futebolístico além de poder contar em suas fileiras com Ebere Orji, uma atacante extraordinária.

Países como Inglaterra, França, Japão e Brasil foram à Alemanha cheios de ambição, mas tiveram de fazer as malas logo depois da fase de grupos. A Copa do Mundo Sub-20 Feminina da FIFA se tornou o grande palco para jogadoras como Popp (Alemanha), Orji (Nigéria), Ji So-Yun (Coreia do Sul) e Lady Andrade (Colômbia). Foram elas que, com habilidade e elegância, conquistaram os corações do grande público presente às suas apresentações.

Foi enfim uma grande festa com um futebol atraente e um ambiente maravilhoso — tudo isso onze meses antes do início da Copa do Mundo Feminina da FIFA Alemanha 2011.

Participantes
Alemanha, Brasil, Colômbia, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Costa Rica, Estados Unidos, França, Gana, Inglaterra, JapãoMéxico, Nigéria, Nova Zelândia, SuéciaSuíça.

Cidades-sede
Augsburgo, Bielefeld, Bochum e Dresden

Classificação final
1. Alemanha
2. Nigéria
3. Coreia do Sul
4. Colômbia

Jogadoras de destaque
Lady Andrade (Colômbia), Antonia Goransson (Suécia), Bianca Henninger (Estados Unidos), Kim Kulig (Alemanha), Sydney Leroux (Estados Unidos), Dzsenifer Marozsan (Alemanha), Ebere Orji (Nigéria), Alexandra Popp (Alemanha) e Ji So-Yun (Coreia do Sul)

Prêmio FIFA Fair Play
Coreia do Sul

Total de gols
99

Artilheiras
10 gols: Alexandra Popp (Alemanha)
8 gols: Ji So-Yun (Coreia do Sul)
5 gols: Sydney Leroux (Estados Unidos)

Público
395.295 (total)
12.353 (média por jogo)