Jovens suíços entram para a história
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A Copa do Mundo Sub-17 da FIFA Nigéria 2009 foi uma ocasião histórica para o futebol da Suíça. O país entrou no torneio desacreditado, mas emergiu com o seu primeiro título de campeão do mundo em toda a história. A conquista veio com merecimento após a vitória na final sobre a seleção anfitriã, tricampeã do torneio e defensora do título, que tinha a grande chance de ultrapassar o também tricampeão Brasil e se tornar a primeira nação com quatro canecos na categoria juvenil.

No entanto, mesmo com o apoio de toda uma nação e de 60 mil espectadores no Estádio Nacional de Abuja, os donos da casa tiveram de se contentar com a prata. A Espanha, vice-campeã do torneio anterior, ficou com a medalha de bronze após derrotar a Colômbia na decisão do terceiro lugar.

A conquista ainda foi mais impressionante porque os suíços derrotaram Brasil, México, Japão, Alemanha e Itália para chegar à final. Quando do sorteio, muitos previam uma eliminação prematura do pequeno país europeu, que caiu no mesmo grupo de brasileiros, mexicanos e japoneses. Mesmo assim, o selecionado se impôs e obteve três vitórias graças a um futebol sólido e encantador.

A principal referência dos campeões do mundo esteve no banco de reservas: o técnico Dany Ryser, que deu ao elenco a confiança para ir em frente e desafiar todos os que duvidavam do seu potencial. "No nosso grupo do Campeonato Europeu todos nos consideravam coadjuvantes e acabamos em primeiro lugar.  O papel de azarão me cai bem", comentou antes da competição na Nigéria, ciente da capacidade da seleção.

Tática e motivação não são segredos para o técnico suíço, que superou todos os obstáculos contra as principais seleções do mundo. Com a dupla ofensiva formada por Nassim Ben Khalifa e Haris Seferovic e uma espinha dorsal sólida composta pelo meio-campo Paitim Kasami, pelo zagueiro Frédéric Veseli e pelo goleiro Benjamin Siegrist (eleito o melhor arqueiro do Mundial), a Suíça vive um presente brilhante e tem um futuro promissor.

Entre os nigerianos também há motivos de orgulho. Os anfitriões foram obrigados a remodelar todo o plantel poucas semanas antes do campeonato após exames comprovarem que alguns jogadores tinham idade acima da permitida. Mesmo assim, o técnico John Obuh superou a falta de experiência e fez a torcida sonhar alto no torneio.

Na estreia, o selecionado chegou a estar perdendo por 3 a 0 da Alemanha, mas acabou conseguindo o empate. Com a força ofensiva dos atacantes Sani Emmanuel e Stanley Okoro, o país manteve a série invicta de seis partidas até a final contra a Suíça.

Emmanuel foi escolhido o melhor jogador do torneio e ganhou a Bola de Ouro adidas mesmo depois de iniciar quase todas as partidas como reserva. Com cinco gols em apenas 221 minutos, ele balançou as redes sempre que saiu do banco no decorrer da partida. Por ironia do destino, o nigeriano só saiu jogando a final, única partida em que não marcou nenhum gol.

O atacante suíço Nassim Ben Khalifa e o meia nigeriano Ramon Azeez ganharam a Bola de Prata e a Bola de Bronze adidas e completam o pódio. Já a Chuteira de Ouro adidas foi para o espanhol Borja. O atacante assinalou o mesmo número de gols de Emmanuel, do uruguaio Sebastián Gallegos (Chuteira de Bronze) e do suíço Seferovic, mas superou a todos por acumular uma assistência a mais.

Sobe e desce na América do Sul
A Colômbia chegou sem fazer alardes e alcançou as semifinais graças à força e à determinação dos seus jogadores. Após vencer a Holanda na estreia e se classificar em segundo lugar no grupo atrás do Irã, o selecionado já estava preparando as malas a poucos minutos do término do confronto das oitavas-de-final contra a Argentina. Os comandados de Ramiro Viáfara perdiam por 2 a 1 para os portenhos, mas viraram para 3 a 2 com dois gols nos minutos finais após substituições bem-sucedidas. Três dias depois, eles repetiram o feito diante da também surpreendente Turquia, empatando com um gol de um substituto no apagar das luzes para depois vencerem nos penais.

Já o Brasil ficou entre as grandes decepções do torneio. A seleção canarinho, três vezes campeã e eterna favorita, conduzida pelas revelações Philippe Coutinho e Neymar, voltou pra casa ainda na primeira fase. O Brasil disse adeus com o triste retrospecto de uma vitória contra o Japão e duas derrotas para Suíça e México. O treinador Lucho Nizzo pediu demissão antes mesmo de entrar no avião de volta.

A rival Argentina, dirigida pelo ex-zagueiro José Luis Brown, acabou eliminada nas oitavas-de-final, mas mostrou bom futebol na primeira fase em mais uma tentativa frustrada de colocar as mãos no único caneco que falta na sua galeria. A esperança foi por água abaixo com uma expulsão, a perda do controle emocional e a derrota nos últimos minutos do duelo contra a Colômbia.

Algo parecido ocorreu com a Alemanha, que saiu fazendo 3 a 0 na Nigéria e abriu o marcador diante da Argentina, mas acabou cedendo o empate contra os africanos e perdendo por 2 a 1 para os sul-americanos. Mesmo assim, os alemães conseguiram a classificação depois de vencerem Honduras, mas não passaram pela Suíça nas oitavas-de-final após derrota por 4 a 3 em um jogo que só foi definido na prorrogação.

Momento histórico para a África
Num momento em que os africanos são o centro das atenções, com a Copa do Mundo da FIFA e a Copa das Confederações da FIFA no ano que vem na África do Sul, além da Copa do Mundo Sub-20 da FIFA no Egito e a Copa do Mundo Sub-17 da FIFA na Nigéria, era de se esperar uma grande participação das seleções do continente.

O país organizador esteve bem perto de dar o segundo troféu aos africanos depois do titulo de Gana na categoria sub-20, mas as demais equipes tiveram participação apagada. A melhor foi Burkina Fasso, que chegou em segundo no Grupo D, mas foi facilmente eliminada na sequência pela Espanha por 4 a 1. Malaui e Argélia, ambas estreantes, registraram três derrotas, enquanto a Gâmbia, que era a campeã continental e tinha inegáveis qualidades, terminou penalizada pelo excesso de cartões vermelhos e amarelos e pela ingenuidade defensiva.

Já os representantes asiáticos mostraram um futebol de agilidade, técnica e beleza, mas deficiente na hora da finalização. O Japão chamou a atenção dos torcedores e adversários, mas voltou para casa sem um ponto sequer. A Coréia do Sul pelo menos chegou às quartas-de-final e talvez pudesse ter ido mais longe se tivesse melhor pontaria. Irã e Emirados Árabes passaram da fase de grupos, mas pagaram caro pela inexperiência frente ao Uruguai e à Turquia, respectivamente.

Para finalizar, a Nova Zelândia atingiu um nível jamais alcançado ao registrar três pontos na fase de grupos e chegar pela primeira vez à segunda fase de uma competição da FIFA.