O quarto Campeonato Mundial de Futsal da FIFA marcou uma virada na história do esporte, com o final de uma longa supremacia brasileira que já durava onze anos, desde o primeiro Campeonato Mundial de Futsal da FIFA, disputado na Holanda. O papel de usurpadora ficou com a Espanha, que cruzou o Atlântico e preparou uma armadilha para os tricampeões mundiais.
Os espanhóis eram um dos cinco melhores times do Velho Continente, que competiam contra três equipes sul-americanas, três países asiáticos, três times da CONCACAF, um único representante vindo da África e outro da Oceania. Dezesseis equipes ao todo, como em anos anteriores. Mais uma vez os favoritos fizeram jus às expectativas: Brasil, Espanha, Rússia e Portugal evitaram os tropeços no caminho até as semifinais. Sobrou para o Egito ser a surpresa, ao se tornar o primeiro país africano a passar para a segunda fase. Guatemala 2000 foi também um sucesso de público, com um total de 94.179 fãs assistindo aos jogos.
Os campeões
Inspirada pelo fenomenal Javier Lozano, a Espanha chegou à Guatemala com um objetivo em mente: conseguir a revanche pela derrota sofrida em casa, na final contra o Brasil quatro anos antes. Os espanhóis nunca perderam de vista essa ambição e, no fim, alcançaram o que buscavam. Taticamente brilhantes e bem organizados, eles se mostraram melhores do que os demais. Formidáveis vitórias contra Cuba, Irã e Argentina na primeira fase deixaram a Espanha com o impressionante saldo de 19 gols a favor e somente dois contra. O capitão Jesús, Santi, Orol, Paulo Roberto e Daniel, que acabou sendo o artilheiro do time com dez gols, se destacaram na primeira fase. A "Fúria" levou a mesma disposição para a segunda fase, batendo a Croácia por 5-0 e conseguindo uma vitória apertada por 3-1 contra Portugal - que terminaria o torneio na terceira colocação - antes de derrotar a Holanda por 7-0.
A semifinal contra a Rússia, entretanto, foi uma situação completamente diferente para os espanhóis. Talvez distraídos com o excesso de confiança causado pelos placares elásticos anteriores, eles se encontraram frente a frente com uma equipe russa experiente e bem afinada nos contra-ataques. Semifinalista quatro antes, na Espanha, a Rússia estava claramente disposta a melhorar essa posição e, quando Verishnikov marcou um dos gols mais bonitos do torneio e colocou seu time na frente, os espanhóis sentiram o golpe. Foi Orol quem comandou a reação espanhola, levando o time à frente e dando passes decisivos para os gols de Paulo Roberto e Daniel, que viraram o jogo. Os russos, então, empataram - até que Daniel fez seu segundo gol, nos acréscimos, e selou a vitória por 3-2. A "Fúria" agora sim chegava ao seu esperado encontro contra o Brasil - e que grande clássico estava por acontecer! A partida prometia uma profusão de gols, já que o Brasil tinha os três artilheiros do torneio até então. E assim foi: Javi Rodríguez marcou, de pênalti, o gol que deu aos europeus a histórica vitória por 4-3 ao final de um confronto de tirar o fôlego.
Cidades-sede
Domo, Teodoro Flores e Cidade de Guatemala
Classificação final
1. Espanha
2. Brasil
3. Portugal
4. Rússia
Artilheiros
1. Manoel Tobias (BRA), 19 gols
2. Vander (BRA), 14 gols
3. Schumacher (BRA), 8 gols
