O campeão
O futebol de passes curtos e rápidos da Argentina teve um efeito devastador sobre os adversários em 1979. Talentoso e ofensivo, o selecionado contou com jogadores como Gabriel Calderón, Osvaldo Escudero, o artilheiro Ramón Díaz e, claro, o Pibe de Oro Diego Armando Maradona. Com Juan Simón e Hugo Alves na defesa, os pupilos de César Menotti deixaram Polônia, Iugoslávia, Uruguai e União Soviética pelo caminho para conquistarem o título. Na decisão contra os soviéticos, a Argentina mostrou toda a sua força ao vencer por 3 a 1 de virada, com gols de Maradona e Díaz. Os números não mentem: os 20 gols marcados e apenas dois sofridos pelos campeões são o melhor argumento quando se afirma que o título foi merecido.
A surpresa
Com um futebol de excelente qualidade apresentado pelas principais seleções, a segunda edição do Campeonato Mundial de Juniores da FIFA não deu espaço para grandes zebras. Os quatro semifinalistas, Argentina, Uruguai, União Soviética e Polônia, já eram considerados favoritos antes de o torneio começar.
A Argélia chegou a ameaçar a hierarquia vigente ao se classificar para as quartas-de-final após empatar com México e Japão e vencer a Espanha. Com uma defesa segura e dois destacados homens de frente, Derradji Bendjaballah e Rachid Kheloufi, os norte-africanos despontaram como promessa. Mas só até encontrarem a Argentina, que aplicou 5 a 0 numa aula de futebol para a Argélia jamais se esquecer.
O craque
A competição no Japão anunciou a chegada de um novo talento verdadeiramente excepcional ao mundo do futebol: Diego Armando Maradona. Goleador (segundo maior artilheiro do torneio com seis gols), exímio batedor de faltas, hábil passador, Maradona reunia tudo em um só jogador. E era, acima de tudo, um prodígio com a bola domina, dono de uma ginga que deixava desnorteados até os melhores zagueiros. Eram os primeiros sinais da habilidade que o consagraria como um dos maiores de todos os tempos alguns anos mais tarde. Após deixar o Boca Juniors e a Argentina, Maradona vestiu a camisa do Barcelona da Espanha antes de seguir para o Napoli da Itália, naquela que foi a maior transferência do futebol mundial até então. Sete anos depois do torneio no Japão, Dieguito liderou a seleção argentina que conquistou a Copa do Mundo da FIFA México 1986, marcando dois dos mais comentados gols da história do esporte.
Jogadores em ascensão:
Gabriel Calderón (ARG), Ramón Díaz (ARG), Diego Maradona (ARG), Joszef Nagy (HUN), Antal Roth (HUN), Andrzej Buncol (POL), Jacek Kazimierski (POL), Fernando Alvez (URU), Rubén Paz (URU), Viktor Chanov (URS), Aleksander Zavarov (URS)...
As estatísticas do Japão 1979:
Classificação final:
- Argentina
- União Soviética
- Uruguai
- Polônia
Gols marcados:
83 (média de 2,59 por jogo)
Melhor ataque:
Argentina, 20 gols
Artilheiros:
- Ramón Díaz (ARG), 8 gols
- Diego Maradona (ARG), 6 gols
- Andrzej Palasz (POL), 5 gols
Cidades-sedes:
Kobe, Omiya, Tóquio, Yokohama
Público total:
454.500 pessoas (final: 52 mil)
Média de público:
14.203 pessoas
A curiosidade
A Indonésia detém o recorde negativo de defesa mais vazada do Campeonato Mundial de Juniores da FIFA, com 16 gols sofridos no Japão.
