Apenas quatro anos após conquistar a Copa Libertadores da América pela primeira vez, o Internacional voltou a mostrar por que é um dos times mais temidos do continente. Com vitórias sobre o então campeão Estudiantes e São Paulo, os gaúchos trouxeram novamente a taça ao Brasil após três vices consecutivos de times do país. A 51ª edição do torneio foi marcada ainda pela redenção dos chilenos, pela afirmação dos mexicanos e por um desempenho para lá de decepcionante dos argentinos.

O campeão
Nas sete participações anteriores, o Inter nunca havia começado com vitória. Em 2010, o tabu caiu após o triunfo sobre o Emelec, resultado que poderia servir como prenúncio do título. No entanto, o fato é que a campanha não foi tão brilhante como se levava a crer. Em toda a primeira fase e até as quartas de final, a equipe alternou altos e baixos e deixou o torcedor preocupado.

Tanto que a troca de Jorge Fossati por Celso Roth mesmo com a vaga garantida na semi foi inevitável. Com o novo treinador e os reforços de Rafael Soóbis, Tinga e Renan, campeões de 2006, o Colorado mostrou força após a pausa para a Copa do Mundo da FIFA e foi amplamente superior a São Paulo e Chivas.

Outro fator importante para o título foram os gols fora de casa. O principal deles veio nas quartas contra o Estudiantes, quando Giuliano marcou aos 43 minutos do segundo tempo com um placar em 2 a 0 que classificava os argentinos. O jovem de 20 anos, aliás, foi o “talismã” de um grupo liderado pelo argentino Andrés D’Alessandro.

As lições
A Argentina começou com seis participantes, mas sem os temíveis Boca Juniors e River Plate. E o que tinha tudo para ser um ano inovador acabou em grande decepção para o país mais vencedor da Libertadores. Newell’s Old Boys e Colón sequer passaram das eliminatórias, enquanto Lanús, Vélez Sarsfield e Banfield caíram cedo. O Estudiantes ainda seguiu adiante, mas ficou longe de repetir 2009.

Para outros países, o ano foi de reafirmação. Na esteira da participação na Copa do Mundo da FIFA, o Chile voltou a aparecer bem graças  à Universidad de Chile, que eliminou o campeão brasileiro Flamengo com um futebol organizado, parando na semi diante do Chivas. Mesmo sem contar no início do mata-mata com cinco jogadores que estavam na seleção, o time de Guadalajara igualou o Cruz Azul em 2001 com a melhor campanha do país.

Já o Brasil mais uma vez viu cinco equipes avançarem às oitavas. Melhor da primeira fase, o Corinthians teve o sonho de conquistar o primeiro título encerrado contra o Flamengo. Vice de 2009, o Cruzeiro parou no São Paulo, que, assim como na final de 2006, curvou-se mais uma vez diante do Inter.

As surpresas
Ainda não foi como Colômbia e Equador anos atrás, mas ao menos o Peru mostrou uma evolução considerável em 2010. O Alianza Lima liderou o país, terminando a primeira fase como melhor segundo colocado e sendo eliminado pela Universidad de Chile em dois jogos duros. O Universitario deixou para trás o Lanús e só caiu nos pênaltis contra o São Paulo após dois 0 a 0. Já o pequeno Juan Aurich superou a fase eliminatória. Prova da melhora, José Carlos Fernandez e Juan Tejada, do Alianza e Juan Aurich, respectivamente, terminaram entre os principais goleadores.

Quem também trilhou um bom caminho foi o Libertad paraguaio. A equipe saiu da fase de classificação, venceu o Grupo 4 e eliminou o campeão de 2004, Once Caldas, nas oitavas. Nas quartas, bombardeou o Chivas nos 2 a 0 que foram insuficientes após a derrota por 3 a 0 no México.

Os destaques
Além de Giuliano e D’Alessandro, o campeão Inter teve em Kleber um grande nome na lateral-esquerda. Na zaga, Bolívar e o “papa-títulos” Índio se firmaram, assim como Guiñazú e Sandro no meio. No Chivas, Omar Bravo foi o grande nome ao marcar quatro gols a partir das oitavas.

Já o meia argentino Walter Montillo foi o maestro da Universidad e um dos maiores nomes da competição. No São Paulo, menção para Alex Silva, símbolo de uma defesa que levou apenas um gol em casa – o da eliminação contra o Inter. Assim como em 2009, o ataque do Cruzeiro mais uma vez brilhou, com Thiago Ribeiro e Kleber terminando como os dois maiores artilheiros.

Outros destaques foram James Rodríguez pelo Banfield, Rodolfo Gamarra pelo Libertad, Santiago Silva pelo Vélez, Rodrigo Braña pelo Estudiantes e Vagner Love pelo Flamengo.

Você sabia?
Desde 2005 o jogo decisivo da Libertadores acontece no Brasil. Depois das derrotas de Grêmio, Fluminense e Cruzeiro diante de suas torcidas, o Inter quebrou a série negativa contra estrangeiros e deu ao país o 14º título da história. A Argentina lidera o quadro com 22.

O número
2.377.325
ingressos foram vendidos nos 138 jogos da competição, média pouco superior a 17 mil por partida. O Inter também foi o campeão neste quesito, com média de 40 mil torcedores nas sete apresentações no Beira-Rio. Dos 10 maiores públicos do torneio, nove aconteceram no Brasil, com Flamengo x Universidad de Chile terminando como o principal deles: 68.153 torcedores no Maracanã.

A frase
“Vim para as semifinais e a final. Mas é importante que se registre: antes, teve um profissional que fez um trabalho aqui, gostem ou não. O (Jorge) Fossati foi importante. É um colega, estrangeiro e teve dificuldades de adaptação. Ele faz parte desta conquista”. Celso Roth, treinador do Inter

Posições
1. Internacional*
2. Chivas Guadalajara
*Campeão, classificado para a Copa do Mundo de Clubes da FIFA

Artilheiros
1. Thiago Ribeiro (Cruzeiro) – 8 gols
2. José Carlos Fernández (Alianza Lima) e Kleber (Cruzeiro) – 7 gols
3. Giuliano (Internacional) e Luís Tejada (Juan Aurich) – 6 gols