A coroação do futebol arte
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Para o Barcelona, o extraordinário virou algo comum. Ninguém mais se surpreende quando a equipe de Pep Guardiola realiza façanhas incríveis de uma forma sensacional. Na Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2011, o clube bateu recordes, encantou torcedores e ganhou aplausos dos adversários derrotados. Tudo isso sem ninguém ficar exatamente surpreso.

A final contra o Santos era aguardada como um duelo entre o atual rei do futebol e um dos principais candidatos ao trono. Porém, da forma como as coisas se desenrolaram, até mesmo Neymar foi obrigado a admitir que, pelo menos por enquanto, Lionel Messi e o Barcelona estão em um patamar totalmente diferente. "É impossível detê-los", refletiu o jovem santista. "Hoje, a melhor equipe do mundo nos ensinou como jogar futebol."

Como o comentário de Neymar já indica, a coroação dos catalães apenas confirmou uma superioridade já conhecida. O clube ganhou 13 dos 16 troféus que disputou sob o Comando de Guardiola. No Japão, conquistou o segundo título da Copa do Mundo de Clubes da FIFA em três anos com o melhor ataque da história da competição e a maior diferença de gols já obtida na final do torneio. "No primeiro tempo, os jogadores foram como artistas", expressou Guardiola, feliz com a atuação magistral. "O que quer que eles imaginassem, acontecia em campo."

Mesmo em uma equipe que é a base da seleção espanhola campeã europeia e mundial, Messi ainda consegue se destacar. Os dois gols na vitória de 4 a 0 sobre o Santos fizeram do argentino o primeiro jogador a balançar as redes em mais de uma decisão do torneio e elevaram a sua marca nesta temporada a 29 tentos em 26 partidas. Mesmo com as atuações brilhantes de Xavi, vencedor da Bola de Prata adidas, e de Andrés Iniesta, o lugar de Messi no topo do pódio ficou acima de qualquer discussão.

Mais do que um ganhador
Apesar de toda a superioridade do Barça e de Lionel Messi, a Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2011 teve muito mais vencedores. Até mesmo o Santos, após se recuperar da goleada sofrida na decisão, poderá se lembrar com carinho dos três belos gols que garantiram a vitória por 3 a 1 na semifinal contra o Kashiwa.

O Al-Sadd, campeão asiático, defendeu com bravura o Catar, a 20ª nação representada no principal torneio interclubes da FIFA. Derrotar o Espérance da Tunísia nas quartas de final já havia sido um feito por si só, e a confirmação do terceiro lugar acabou sendo um impulso ainda maior para o esporte no país do Oriente Médio. "É um grande dia para o Catar", afirmou o técnico Jorge Fossati. "Hoje é feriado nacional no país, e acredito que estamos acrescentando algo a um dia que será de grande comemoração."

Mesmo derrotado nos pênaltis pelo Al-Sadd após dominar a decisão do bronze, o Kashiwa Reysol pode se orgulhar de uma temporada inesquecível. Ninguém deve se esquecer de que, quatro dias antes de estrear na Copa do Mundo de Clubes da FIFA, o time entrou para a história como a primeira equipe a vencer o Campeonato Japonês na temporada seguinte ao acesso da segunda divisão. A vitória de 2 a 0 sobre o Auckland City no jogo de abertura foi uma das cinco partidas que o clube jogou em 15 dias, duas das quais foram para os pênaltis. Mesmo assim, a equipe nunca perdeu a garra e a energia que continuam atraindo novos admiradores.

O Auckland, apesar de ter se despedido cedo, pode encontrar consolo em um desempenho que esteve longe de lembrar um time amador. Além disso, bateu um recorde da competição: o atacante Daniel Koprivcic disputou o torneio pela quarta vez, superando um grupo ilustre de jogadores com três participações, entre os quais estão Xavi e Andrés Iniesta.

Até mesmo o Monterrey e o Espérance, que tiveram os desempenhos mais frustrantes, podem encontrar razão para otimismo. As esperanças do time tunisiano estão depositadas na dupla de ataque formada por Yannick N'Djeng e Youssef Msakni, que, com 23 e 21 anos respectivamente, ainda terão muitas temporadas pela frente. O Monterrey também mostrou que tem muito poder de fogo e, mesmo com um quinto lugar que ficou longe das ambições da equipe, voltou para casa com uma vitória e um empate.

O clube mexicano também produziu a melhor declaração do evento. "O futebol é um esporte de felicidade, e espero que esta Copa do Mundo leve felicidade para todos no Japão", destacou o experiente Ricardo Osorio ao FIFA.com antes do torneio. "Não importa quem vence ou quem perde, o objetivo é sempre fazer o melhor para que as pessoas afetadas pelos desastres possam sorrir."

As palavras de Osorio exemplificaram um espírito de solidariedade que marcou o torneio, realizado menos de nove meses após o terremoto e o tsunami que assolaram o país. O Japão sediará a Copa do Mundo de Clubes da FIFA novamente no ano que vem. Caso o torneio seja marcado pela mesma organização, animação e habilidade técnica deste ano, será novamente um grande sucesso.