Internacional mantém supremacia brasileira
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As três edições da Copa do Mundo de Clubes da FIFA terminaram com um clube brasileiro sendo campeão: Corinthians em 2000, São Paulo em 2005 e Internacional em 2006. Não se trata de nenhuma coincidência, e os números são ainda mais impressionantes pelo fato de as equipes brasileiras terem superado potências do futebol europeu na final das últimas duas edições do torneio.

Quando o juiz apitou o fim de jogo na vitória de 1 a 0 do Inter sobre o imponente Barcelona, dia 17 de dezembro no Japão, uma enorme onda de comemorações explodiu em Porto Alegre, do outro lado do mundo. E no momento em que a festa dava sinais de estar diminuindo, os recém-coroados campeões aterrissaram em solo nacional, onde uma massa de delirantes torcedores recebeu os jogadores colorados com a honra merecida pelo título conquistado.

Internacional: antes e depois
Sem dúvida, a história do clube gaúcho ficará divida em duas partes: antes e depois do Japão 2006. "Estabelecemos uma meta e fomos atrás dela", explicou o técnico Abel Braga. "Agora somos campeões do mundo e estamos no topo do futebol. O Barcelona tem uma excelente equipe, mas jogamos com muita coragem e vontade. Os meus garotos são verdadeiros heróis."

A difícil vitória de 2 a 1 contra os egípcios do Al Ahly na semifinal, comparada à surra de 4 a 0 aplicada pelo Barcelona sobre o América do México, colocou os espanhóis na posição de francos favoritos. Mas graças ao inteligente sistema tático de Abel Braga e à garra e determinação dos jogadores, o Davi conseguiu conter o Golias até a entrada de Adriano Gabiru - que saiu do banco para marcar o gol da histórica conquista a poucos minutos do apito final.

"Deu tudo certo", foi o veredicto do atacante Fernandão. "Sabíamos que teríamos de marcar o Barcelona de perto e não deixá-los passar do meio-campo, além de deixar jogadores na frente para tentar marcar no contra-ataque. E foi assim que vencemos o jogo. Se nós merecemos a vitória? Sim, com certeza, pois jogamos contra o melhor time do mundo."

Depois da conquista, o vitorioso Abel espera ainda mais dos seus jogadores: "A nossa meta para 2007 é manter os títulos da Libertadores e da Copa do Mundo de Clubes."

Barcelona cai de pé
Assim que pisaram em solo japonês, Ronaldinho Gaúcho e o técnico Frank Rijkaard fizeram de tudo para evitar o rótulo de favoritos e reiteraram o desejo de conquistar a cobiçada taça.

Apesar disso, a maioria dos observadores enxergou as declarações com certa dose de desconfiança, que cresceu ainda mais quando Rijkaard insistiu que a sua equipe não era favorita mesmo depois da aula de futebol aplicada sobre o América. Contudo, a derrota para o Inter na final mostrou que a preocupação do ex-técnico da seleção holandesa era totalmente justificável.

"Agora vocês veem por que dissemos que não éramos favoritos?", perguntou Deco depois da dolorosa derrota. "Jogamos um melhor futebol, mas não conseguimos concluir as chances que tivemos. O Inter se defendeu muito bem e matou o jogo com um contra-ataque. E não quero ouvir nenhum papo de terem ou não merecido. Se venceram o jogo é porque mereceram."

Ronaldinho seguiu a mesma linha. "Estamos decepcionados, mas perder faz parte da vida", desabafou o craque. "Discutir quem mereceu ganhar não vai mudar o resultado, então precisamos trabalhar mais e não cometer os mesmos erros outra vez. Acho que faltou um pouco de sorte, mas estamos no caminho certo. Agora temos de vencer a Liga dos Campeões novamente para podermos voltar no ano que vem."

Al Ahly impressiona, América decepciona
Primeiro clube a se classificar para duas edições da Copa do Mundo de Clubes da FIFA, o Al Ahly foi ao Japão com uma meta clara: conseguir uma posição melhor do que o sexto lugar de 2005.

Sob o comando do técnico português Manuel José, os campeões africanos fizeram jus a um futebol tradicionalmente elegante e ofensivo, inspirados pelo genial Mohamed Aboutrika. Depois de superar o Auckland City da Nova Zelândia por 2 a 0 no jogo de abertura, os egípcios deram muito trabalho ao Inter na semifinal, mas acabaram perdendo por 2 a 1.

O time de Aboutrika se recuperou rapidamente da queda e garantiu o terceiro lugar do torneio com uma vitória de 2 a 1 sobre o América. A conquista rendeu aos jogadores uma calorosa recepção na volta ao Egito. Segundo Manuel José, a missão foi cumprida: "Estávamos determinados a participar da competição mais uma vez para mostrar ao mundo o verdadeiro Al Ahly", declarou. "Hoje, finalmente, foi o que aconteceu."

Já pelo lado mexicano, a decepção reinava absoluta. Com uma bela história e um plantel composto por grandes nomes, o América achava que poderia ser um adversário complicado para o gigante Barcelona caso chegasse entre os quatro finalistas. A oportunidade veio com um apertado triunfo de 1 a 0 contra o representante sul-coreano Jeonbuk Hyundai Motors nas quartas-de-final. Mas o resultado serviu apenas para que a equipe fosse massacrada por 4 a 0 pelos vencedores da Liga dos Campeões da UEFA.

Buscando desesperadamente algum tipo de consolo na disputa do terceiro lugar, os mexicanos foram batidos mais uma vez, agora pelo vibrante Al Ahly. "A única coisa que me resta agora é pedir desculpas aos torcedores por não ter atingido as expectativas", lamentou o treinador Luis Fernando Tena após a derrota por 2 a 1.

Quem saiu do torneio com a moral em alta foi o Jeonbuk. Habilidosos e bem posicionados taticamente, os sul-coreanos dificultaram muito a vida do valorizado elenco do América no jogo de abertura, perdendo pelo placar mínimo. O clube da Coreia do Sul encerrou a participação com o quinto lugar, conquistado no enfático 3 a 0 sobre o Auckland City, que perdeu as duas partidas que disputou no Japão. Para sul-coreanos e neozelandeses, a experiência adquirida contra adversários de peso com certeza será muito útil no futuro.

Deco: qualidade à parte
Não foi fácil para o Grupo de Estudos Técnicos da FIFA escolher os melhores jogadores da Copa do Mundo de Clubes da FIFA Japão 2006. No final, a categoria do luso-brasileiro Deco ficou com o primeiro lugar depois das excelentes exibições do jogador no torneio. O armador provou estar um nível acima dos adversários, com especial destaque para a semifinal contra o América, e ganhou com mérito a Bola de Ouro da adidas.

A Bola de Prata da adidas ficou com o dedicado Iarley, cujo passe milimétrico levou o Internacional ao gol do título. O camisa 10 do Barcelona Ronaldinho Gaúcho recebeu a Bola de Bronze da adidas.

Apesar de não terem conquistado prêmios individuais, outros jogadores também mostraram estar à altura da competição. Liderando o bloco esteve Mohamed Aboutrika, do Al Ahly, que não apenas conduziu a ofensiva do time como foi o artilheiro da competição, com três gols. Quem também apresentou excelente desempenho foi o goleiro Guillermo Ochoa, do América, e o incansável meia Kim Hyeung Bum, do Jeonbuk.

Classificação final:

1º — Sport Club Internacional (BRA)

2º — FC Barcelona (ESP)

3º — Al Ahly Sporting Club (EGY)

4º — Club América (MEX)

5º — Jeonbuk Hyundai Motors FC (KOR)

6º — Auckland City FC (NZL)

Estádios e sedes:
Estádio Nacional (Tóquio), Estádio Toyota (Toyota) e Estádio Internacional (Yokohama).

Artilheiros

3 gols: Mohamed Aboutrika (Al Ahly)

2 gols: Flávio (Al Ahly)

1 gol: Adriano (Internacional) e outros dez jogadores

Gols marcados:
17 (média de 2,43 por jogo)

Público:
302.142 espectadores (média de 43.163)