Adversários dão trabalho, mas Brasil conquista o tri
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Embora a Seleção Brasileira se vanglorie de possuir cinco títulos em 18 participações na Copa do Mundo da FIFA, a equipe de futebol de areia do país já ostenta números bem mais impressionantes. Campeã de três das quatro edições da Copa do Mundo de Beach Soccer da FIFA, a versão para as areias do selecionado canarinho deixou a sua marca na história da modalidade mais uma vez, embora não tenha sido tão absoluta na praia do Prado quanto nos anos anteriores.

"Estamos muito felizes", disse o técnico Alexandre Soares ao FIFA.com. "Mas em breve teremos que voltar a campo e trabalhar duro. Os adversários evoluíram tanto que será cada vez mais difícil defender o título."

A resistência adversária, no entanto, não foi o suficiente na grande final. A Itália só se fez respeitar instantes antes de o jogo terminar, ao diminuir o placar para dois gols de diferença. Mas as 180 mil pessoas que assistiram aos jogos em Marselha jamais deixaram de se encantar pela seleção de Soares, que pela primeira vez não dependeu apenas de um ou dois talentos fora de série. Jogadores como Daniel, Sidney e André somaram significativamente ao valioso conjunto que já contava com Benjamin, Buru e Bruno.

A riqueza do banco também ajudou a Azzurra, que, se não tinha grandes astros no elenco, se superou com um senso de coletividade sem igual. Os italianos realizaram uma campanha histórica, conquistando a classificação inédita na fase de grupos e terminando como vice-campeões.

Amarelle, o astro dos astros
Impulsionada por jovens promessas como Massimiliano Esposito, Giuseppe Soria e Stefano Spada, com os experientes Roberto Pasquali e Simone Feudi para guiá-los, a Itália avista um horizonte animador no esporte.

Já Portugal exibiu um futebol brilhante e talvez merecesse uma recompensa maior do que o terceiro lugar em Marselha. "Tecnicamente, jogamos muito melhor do que no passado", afirmou o técnico Zé Miguel. "Tenho certeza de que seremos capazes de conquistar esse título no futuro próximo."

Os portugueses podem de fato transformar a profecia do treinador em realidade, contanto que mantenham Madjer no grupo. O fantástico goleador faturou a terceira Chuteira de Ouro da adidas em quatro edições do campeonato, auxiliado pelo habilidoso Belchior, revelação do Mundial que acabou conquistando a Bola e a Chuteira de Bronze da adidas.

Mas o grande destaque da Copa do Mundo de Beach Soccer da FIFA foi o magnífico Amarelle, da Espanha, que levou para casa a Bola de Ouro e a Chuteira de Prata da adidas. Ele e os companheiros saíram do torneio arrasados, porém, depois de terem visto as pretensões ao título virarem pó com a eliminação na semifinal. "Eu sabia que a minha equipe podia chegar longe", comentou o técnico Joaquín Alonso. "No ano que vem, espero encontrar dois ou três grandes jogadores que possam tirar a pressão das costas do Amarelle de vez em quando. Isso nos fará bem mais fortes."

Um salto de qualidade
De forma geral, o nível do futebol apresentado foi visivelmente mais alto do que o do último Mundial, dando continuidade à tendência de evolução evidenciada desde a primeira edição, em 2005. As dificuldades enfrentadas pelo Brasil no caminho rumo ao título são uma prova desse salto qualitativo. Além dos italianos, valentes na final, e dos portugueses, sem sorte na semi, os russos ficaram perto de eliminar os reis do beach soccer já nas quartas-de-final.

Comandada pelo treinador Nikolai Pisarev, a seleção vencedora do prêmio Fair Play da FIFA fez grandes progressos no seu poderio ofensivo este ano, com destaque para a pontaria afiada de Egor Shaykov. Se a Rússia conseguir se manter sólida e meticulosa como foi em Marselha, certamente poderá surpreender nas próximas edições do torneio.

O mesmo pode ser dito da Argentina, que antes era vista apenas como ardilosa estrategista e agora representa uma ameaça maior, graças à eficiente dupla de ataque formada por Federico Hilaire e Facundo Minici.

Eficiência ofensiva foi exatamente o que faltou à França, cuja campanha ficou aquém do esperado devido ao excesso de dependência das atuações de Jérémy Basquaise e Didier Samoun. A equipe de Eric Cantona levará um longo tempo para se recuperar da decepção em casa, mas as sementes de um futuro mais promissor parecem estar presentes nos jovens David Martinon, Steeven Octavia e, principalmente, Romain Tossem.

Celeste perde o fôlego
Pudera o Uruguai ter as mesmas esperanças dos franceses. Finalista em 2006 e medalhista de bronze em 2007, desta vez a seleção sul-americana só conseguiu chegar às quartas-de-final. Ricar, Parrillo e Pampero continuam sendo jogadores excepcionais, mas muitas vezes aparentam um cansaço enorme nos momentos finais das partidas.

Em todo caso, os uruguaios podem se alegrar de terem sobrevivido à fase de grupos, já que nenhuma equipe merecia mais a classificação do que o selecionado de Senegal. Com Al Seyni Ndiaye operando milagres debaixo do gol, os africanos trouxeram verdadeira vibração ao torneio e teriam avançado às quartas-de-final pela segunda vez consecutiva se não tivessem perdido para o Uruguai na prorrogação. Pape Koukpaki é um atacante muito talentoso, mas terá de aprimorar as suas finalizações se quiser estar ao lado dos melhores do mundo na modalidade.

O mexicano Morgan Plata é um dos que integravam essa elite no ano passado, antes de abandonar as areias para tentar a sorte nos gramados. Os comandados de Ramón Raya sentiram a perda e, depois de disputarem a final da última edição, no Rio de Janeiro, sequer passaram da primeira fase na França.

Vejo você em Dubai!
A seleção dos Emirados Árabes também deve se preocupar em progredir, caso queira desempenhar um bom papel como anfitriã do torneio no ano que vem. Aliás, a lista dos países que precisam fazer grandes avanços antes de Dubai 2009 inclui ainda Camarões, Irã, Japão, Ilhas Salomão e El Salvador.

Quando o certame for disputado no Oriente Médio, o público certamente vai querer ver mais gols do que se viu na França. Mas, se Marselha 2008 foi a menos prolífica das quatro edições do Mundial, o mérito é todo dos goleiros, que demonstraram excelência sob as traves. Além do espanhol Roberto Valeiro, vencedor da primeira Luva de Ouro da adidas, Andrey Bukhlitskiy da Rússia, Marcelo Salgueiro da Argentina e Luis Rodas de El Salvador deixaram uma ótima impressão na costa mediterrânea.

Por tudo isso, a primeira edição da Copa do Mundo de Beach Soccer da FIFA realizada fora do Brasil pode ser considerada um sucesso extraordinário. Com quatro anos de existência, o torneio vem se firmando como um dos eventos mais importantes do calendário esportivo. Cada vez mais numerosos, os entusiastas do becah soccer mal podem esperar para rever os melhores do mundo reunidos novamente em Dubai daqui a um ano.

Países participantes
Argentina, Brasil, Camarões, El Salvador, Emirados Árabes Unidos, Espanha, França, Ilhas Salomão, Irã, Itália, Japão, México, Portugal, Rússia, Senegal, Uruguai.

Classificação final
1º — Brasil
2º — Itália
3º — Portugal
4º — Espanha

Total de gols
259 (média de 8,09 por jogo)

Artilheiros
13 gols: Madjer (POR)
11 gols: Amarelle (ESP)
10 gols: Belchior (POR)