Blatter: "O futebol deve unir as pessoas"

Lionel Messi, Abby Wambach, Vicente del Bosque, Pia Sundhage, Miroslav Stoch e Franz Beckenbauer foram os grandes vencedores dos prêmios individuais entregues durante a cerimônia de gala da Bola de Ouro FIFA 2012. Contudo, eles não foram os únicos homenageados pelo presidente da entidade máxima do futebol, Joseph S. Blatter, em discurso proferido no evento.

Recentemente, Kevin-Prince Boateng abandonou os companheiros de Milan em campo após ser alvo de insultos racistas durante um amistoso no estádio do Pro Patria. Blatter saudou a bravura do meio-campista ganês, embora tenha alertado que é preciso encontrar uma solução para prevenir incidentes do tipo.

"Que um jogador deixe o gramado porque sofreu abusos raciais, assim como o Kevin-Prince Boateng fez, é um sinal forte e corajoso", disse o presidente da FIFA. "É uma maneira de dizer basta. Isso é digno de elogios, mas não pode ser a solução no longo prazo. Precisamos encontrar outras soluções sustentáveis para enfrentar o problema nas suas raízes. Do contrário, tais posturas serão tomadas em isolamento e vão se perder no calor da controvérsia generalizada. O futebol não deve separar as pessoas. O futebol deve unir as pessoas."

O futebol é a última ponte quando a sociedade se desintegra, mas também a primeira ponte quando a vida volta a florescer. Futebol é esperança. Futebol é vida.
FIFA President Joseph S. Blatter

O esporte também é uma fonte de alegria e esperança para as pessoas em zonas de conflito. De fato, os governos de países que enfrentam ou enfrentaram guerras utilizam o futebol como uma ferramente para unir e inspirar o seu povo.

"O nosso esporte continua sendo praticado em lugares onde a vida foi violentamente interrompida, sufocada por atos de guerra — na Síria, por exemplo, cuja seleção venceu o Campeonato do Oeste Asiático em dezembro e onde o futebol continua sendo jogado, assim como aconteceu em Bagdá durante a Guerra do Iraque, assim como aconteceu na Líbia e assim como continua acontecendo no Afeganistão", completou Blatter. "O futebol é a última ponte quando a sociedade se desintegra, mas também a primeira ponte quando a vida volta a florescer. Obrigado aos homens e mulheres que estarão no palco esta noite. Um belo passe, um golaço no ângulo e os desafios e atribulações da vida cotidiana, por mais difíceis que tenham sido, caem no esquecimento. Futebol é esperança. Futebol é vida."

Muitos dos atletas a que Blatter se dirigia na Kongresshaus deixaram Zurique de mãos vazias. No entanto, o dirigente acredita que todos eles são campeões. "Só pode haver um vencedor", explicou o suíço. "Precisamos aceitar o fato de que algumas pessoas devem ganhar e outras devem perder. Vi muitos astros surgirem e desaparecerem, mas só aqueles que tinham o gene de vencedor verdadeiramente deixaram a sua marca. Quando digo 'gene de vencedor', não me refiro às vitórias que esses excepcionais talentos comemoraram, e sim à qualidade que fez deles legítimos campeões, a saber: a capacidade de aceitar a derrota." 

"É tudo uma questão de respeito, disciplina e fair play", prosseguiu o presidente da FIFA. "Afinal de contas, é fácil celebrar a vitória; o difícil é aceitar a derrota com dignidade. É exatamente nisso que muitas supostas estrelas se diferenciam dos verdadeiros campeões que estamos honrando hoje à noite."

Blatter concluiu o seu discurso expressando satisfação pessoal com a cerimônia de gala da Bola de Ouro FIFA e destacando a importância de se aproveitar a vida. "O futebol é um grande espetáculo, assim como o cinema", comparou. "Temos hoje aqui astros das telas e produtores cinematográficos para provar que futebol também é cultura. De maneira geral, o que estamos provando hoje à noite é o fascínio pelo futebol, a sua contribuição para o mundo e a glória que ele traz para jogadores e técnicos. Aproveitem todos os dias da vida, porque o amanhã só pode ser melhor se vocês acreditarem no futebol. Aproveitem o esporte, aproveitem a noite de hoje e, principalmente, aproveitem a vida."