
Beleza e eficiência se confrontraram em Sevilha há exatos 30 anos. O duelo opunha uma emergente e intrépida seleção francesa, com Michel Platini à frente de jogadores como Manuel Amoros, Marius Trésor, Jean Tigana e Alain Giresse, à consolidada e organizada Alemanha Ocidental de Uli Stielike, Karlheinz Forster, Paul Breitner, Felix Magath, Pierre Littbarski e Klaus Fischer. Estava em jogo uma vaga na final da Copa do Mundo da FIFA Espanha 1982, e a batalha começou em ritmo alucinante.
Uma arrancada de Breitner a partir do meio de campo deu início à jogada que resultou no chute de Littbarski da entrada da área, desviando no meio do caminho antes de entrar. Pouco depois, Dominique Rocheteau foi derrubado na área, e Platini empatou a partida de pênalti.
No segundo tempo, a dupla francesa continuou a levar perigo ao gol alemão e por pouco não virou o placar. Um passe de Platini quase do meio-campo colocou Battiston no mano a mano com Harald Schumacher, mas, enquanto o chute passava lentamente junto à trave rumo à linha de fundo, o goleiro trombou de forma violenta contra o atacante, deixando-o inconsciente.
Apesar do choque, Battiston permaneceu em campo, e Schumacher continuou a frustrar as investidas francesas com seus reflexos felinos. Quando o arqueiro do Colônia não conseguia parar a bola, a trave aparecia para salvá-lo — não apenas uma, mas duas vezes. Do outro lado do campo, o camisa um da França, Jean-Luc Ettori, também brilhou com duas defesas espetaculares em chutes de Breitner e Forster, confirmando o empate no tempo normal e a necessidade de prorrogação para decidir a disputa.
Com oito minutos jogados no primeiro tempo extra, parecia já não haver mais dúvidas sobre o vencedor. A França vencia por 3 a 1 graças a um voleio de Trésor e um chute preciso de Giresse. Mas "não se pode jamais descartar os alemães", como diria Platini após o jogo. Com efeito, Karl-Heinz Rummenigge diminuiu o placar com um gol ilustrativo do espírito de luta da seleção germânica, iniciando a jogada no meio de campo e concluindo para as redes uma bola que parecia perdida. Se tudo indicava a improbabilidade de a Alemanha Ocidental marcar dois gols na prorrogação e levar a decisão para os pênaltis, ainda mais absurdo foi essa reação ter se completado com uma bicicleta do zagueiro Fischer!
Nas cobranças alternadas, a França voltou a colocar um pé na final quando Ettori defendeu o chute de Stielike, deixando os Bleus com a vantagem de 3 a 2. Logo em seguida, porém, o tiro de Didier Six parou nas mãos de Schumacher e, quando o goleiro alemão pegou a cobrança de Maxime Bossis, os campeões mundiais de 1954 e 1974 ficaram a um gol da decisão contra a Itália. Horst Hrubesch, que havia entrado no segundo tempo, foi o homem responsável por colocar o ponto final em uma das partidas mais emocionantes da história da Copa do Mundo da FIFA, para festa dos alemães e choro dos franceses.
