Alemães se vingam e conquistam o título diante da Argentina

A Alemanha Ocidental conquistou pela terceira vez a Copa do Mundo da FIFA em 1990. Na final em Roma, os alemães se vingaram da Argentina, que havia vencido a decisão na Cidade do México quatro anos antes. A vitória foi um verdadeiro triunfo para Franz Beckenbauer, que se igualou a Zagallo como o segundo homem a ter conquistado o título mundial como treinador e jogador.

A Copa do Mundo da FIFA Itália 1990 teve a menor média de gols da história, com somente 2,21 por partida, mas não faltaram cores nem emoções. As surpresas já começaram na partida de abertura, em que a seleção de Camarões derrotou a Argentina no magnificamente renovado San Siro. Com Roger Milla no grande momento da sua carreira, Camarões foi em frente e fez história.

A Itália voltava a organizar a maior competição do futebol mundial depois de sediar a edição de 1934. Para garantir um grande sucesso dentro e fora dos gramados, os italianos investiram muito e se envolveram de corpo e alma. Dez estádios em todo o país foram completamente renovados, e duas arenas gigantescas foram construídas em Turim e Bari. A mascote foi o bonequinho Ciao, mas o verdadeiro símbolo do torneio para a torcida italiana foi Salvatore "Totó" Schillaci, um atacante que não tinha feito nenhum gol pela seleção antes de junho de 1990.

O segundo time de todos
Algumas pequenas surpresas marcaram a primeira fase. Uma delas foi a estreante Costa Rica, que bateu Escócia e Suécia para chegar às oitavas-de-final. Já a seleção da Irlanda, treinada pelo ex-zagueiro inglês Jack Charlton, ficou entre as oito melhores do mundo logo na sua primeira participação na Copa do Mundo da FIFA. Mas nada que se comparasse à espetacular campanha de Camarões até as quartas-de-final. Os Leões Indomáveis do astro Roger Milla foram o segundo time de todos os torcedores.

O atacante de 38 anos teve de ser convencido a retornar da aposentadoria na ilha de Reunião para disputar a competição na Itália. Ao sair do banco contra a Romênia, ele marcou os dois gols que levaram Camarões à segunda fase. Contra a Colômbia do goleiro Higuita, Milla repetiu o feito e comemorou dançando junto à bandeirinha de escanteio a primeira classificação de um país africano às quartas-de-final. Os Leões Indomáveis poderiam ter chegado ainda mais longe se não fossem os dois pênaltis convertidos por Gary Lineker. Camarões derrotava a Inglaterra por 2 a 1 faltando dez minutos, mas o atacante inglês fez o gol do empate e depois definiu o confronto na prorrogação. Mesmo assim, o rugido dos craques africanos ressoou no mundo inteiro, rendendo ao continente uma terceira vaga para a Copa do Mundo da FIFA 1994.

Inspirada pela habilidade e exuberância de Paul Gascoigne, a Inglaterra chegou à sua primeira semifinal desde 1966, mas teve pouca sorte diante dos velhos rivais alemães em um jogo emocionante decidido nos pênaltis e ainda relembrado pelas lágrimas de "Gazza". A partida foi a mais complicada do torneio para os germânicos. Liderada por Lothar Matthäus, Jürgen Klinsmann e Andreas Brehme, todos jogadores da Internazionale, a Alemanha Ocidental teve a vantagem de jogar as cinco primeiras partidas "em casa", no estádio San Siro em Milão. Os destaques do início da campanha foram a grande goleada de 4 a 1 sobre a Iugoslávia e o triunfo diante da decepcionante seleção holandesa na segunda fase.

Totó, o herói improvável
Como a Itália descobriu da pior maneira, nem sempre jogar em casa é suficiente. A campanha até as semifinais foi notável, com um golaço de Roberto Baggio contra a Tchecoslováquia e um recorde do goleiro Walter Zenga, que ficou cinco jogos e 517 minutos sem tomar gol. Mesmo assim, a verdadeira sensação foram os olhos arregalados de Schillaci, que só havia jogado uma partida pela seleção antes da Copa do Mundo da FIFA, mas marcou seis gols e foi o artilheiro da competição. No entanto, os comandados de Azeglio Vicini viram os sonhos do título em casa serem destruídos pela Argentina em Nápoles.

Os alvicelestes não eram os mesmos de 1986, mas Maradona ainda estava lá, e a presença de Don Diego em campo dividia os napolitanos, que o adoravam pelas suas conquistas com o Napoli, detentor do título italiano. Outros destaques argentinos eram o atacante Claudio Caniggia, autor do belo gol que eliminou o Brasil nas oitavas-de-final, e também o goleiro Sergio Goycochea. Substituto de Nery Pumpido, que quebrara a perna na segunda partida, Goycochea fizera defesas decisivas contra o Brasil e também na decisão por pênaltis contra a forte Iugoslávia nas quartas-de-final. Diante da Itália, ele voltou a defender dois pênaltis e levou a Argentina à final após um empate em 1 a 1 que resistiu ao tempo normal e à prorrogação.

O arqueiro portenho não conseguiu repetir a mesma façanha em Roma, onde Brehme não desperdiçou a chance e marcou de pênalti o gol do título da Alemanha Ocidental aos 40 minutos do segundo tempo. Em uma final tecnicamente fraca, a Argentina sentiu a falta de Caniggia e foi a primeira seleção a não marcar gols e a ter jogadores expulsos (Gustavo Dezotti e Pedro Monzón) em uma decisão de Copa do Mundo da FIFA. Dezesseis anos depois de capitanear a Alemanha Ocidental na campanha do título de 1974, o técnico Beckenbauer comemorava mais uma vez. Com a conquista merecida do tricampeonato, os alemães se igualaram à Itália e ao Brasil como os países mais vitoriosos do futebol mundial.