Marcas centenárias e fim de jejuns
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A análise estatística semanal do FIFA.com volta suas atenções para os jogos entre seleções desta quarta-feira, nos quais vários grandes nomes do futebol mundial alcançaram o marco de cem partidas com as camisas de seus países. Quem também realizou outro feito foi um celebrado membro da comunidade de treinadores: o espanhol Vicente del Bosque. Já a Inglaterra pôs fim a uma longa seca diante do Brasil com o triunfo no Estádio de Wembley, enquanto a Nigéria busca encerrar um jejum ganhando o título africano na decisão do próximo domingo.

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A quarta-feira foi um dia cheio de movimentação para as seleções em todo o planeta, mas também marcou um dia especial para diversos grandes jogadores que chegaram à centésima partida com a camisa de seus selecionados nacionais. Dois deles foram os defensores Carles Puyol, da Espanha, e Ashley Cole, da Inglaterra, que passaram a ocupar a sétima posição na lista de atletas que mais vezes defenderam seus países, ainda que sigam distantes dos líderes Iker Casillas (143) e Peter Shilton (125), respectivamente. Também em Wembley, mas com muito menos a comemorar, Ronaldinho completou cem jogos com a camisa da Seleção perdendo um pênalti no primeiro tempo da derrota para os ingleses. Não muito longe dali, no estádio Craven Cottage, do Fulham, também em Londres, a Croácia teve logo três atletas completando cem jogos: Stipe Pletikosa, Darijo Srna e Josip Simunic foram os "aniversariantes" da noite e tiveram direito a festa dupla após os 4 a 0 sobre a Coreia do Sul.

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anos. Este é o jejum de títulos da Nigéria na Copa Africana de Nações. Uma das potências do futebol de seu continente busca pôr um fim a isso no próximo domingo, quando enfrentará Burkina Faso, a surpresa da competição, na final. Com um elenco estrelado, que incluía nomes como os de Jay Jay Okocha, Rashidi Yekini e Sunday Oliseh, as "Superáguias" se consagraram na África há quase duas décadas, derrotando Zâmbia no torneio realizado na Tunísia – o atual técnico do conjunto, Stephen Keshi, era outro integrante daquele time campeão. País mais populoso do continente, a Nigéria chegou a sua última decisão no ano 2000 e, ao todo, já foi vice-campeã em quatro ocasiões. Em situação oposta, os burquinenses nunca haviam chegado tão longe e atingirão um novo patamar quando entrarem em campo em Johanesburgo, no mesmo palco da final da Copa do Mundo da FIFA 2010.

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jogos à frente da seleção espanhola foi o marco igualado pelo técnico da Fúria, Vicente del Bosque, que empatou com seu ex-treinador Ladislao Kubala com a vitória de 3 a 1 sobre o Uruguai nesta quarta-feira. O húngaro comandou a Espanha a 31 vitórias, 21 empates e 16 derrotas ao longo de 11 anos, encerrando sua era em 1980. Já Del Bosque, que vem treinando o selecionado espanhol em um período que rendeu o primeiro título mundial do país e o bicampeonato europeu – embora Luis Aragonés tenha comandado o país na campanha de 2008 –, tem a imponente marca de 57 triunfos, cinco empates e apenas seis derrotas. Curiosamente, a última partida de Kubala à frente da Espanha foi também a última de Del Bosque como jogador da seleção, mesmo que ele tenha ficado no banco na ocasião. "Acima de tudo, Kubala era um cavalheiro, uma pessoa muito amigável e meticulosa, algo que é muito importante em um técnico de seleção. Lembro-me dele como um homem muito gentil, que adorava o futebol", disse Del Bosque.

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anos se passaram desde a última vez que a Inglaterra venceu o Brasil, até que o belo gol de Frank Lampard desse o triunfo por 2 a 1 sobre os pentacampeões mundiais em Wembley, nesta quarta. A série sem vitórias chegava a nove jogos em três continentes diferentes, e começou em março de 1990, quando um chute certeiro de Gary Lineker fez a diferença para os ingleses. Foi também a primeira vez em que os britânicos marcaram duas vezes na Seleção desde uma vitória por 2 a 0 no Maracanã, em 1984. Aquele jogo, porém, é muito mais lembrado na Inglaterra pelo golaço de John Barnes, que pegou a bola na intermediária, se livrou de quatro adversários mais o goleiro, e bateu para o fundo da rede.

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é uma média de gols por jogo que qualquer atacante gostaria de ter atuando por sua seleção. Neste caso, quem pode se orgulhar do número é o zagueiro australiano Robbie Cornthwaite, que marcou seu terceiro gol em seis jogos pela seleção nesta quarta, diante da Romênia. Apesar de estar no início de sua carreira pela equipe nacional, ele já quase ultrapassou os quatro que marcou em todas as suas participações no Campeonato Australiano – 103 jogos em seis temporadas. Inversamente, seu companheiro de zaga Lucas Neill nunca balançou a rede pelos "socceroos" ao longo de 17 anos e 89 partidas. Essa curiosa faceta de artilheiro de Cornthwaite pela seleção reedita a de outro zagueiro da Austrália. Kostas Salapasidis surpreendeu a Argentina Sub-20 no Mundial da categoria em 1997 marcando quatro gols, apesar de só ter feito um nos 52 jogos que tinha disputado até então por seu clube, o Adelaide City.