"Mamãe pediu um gol para cada um. E também quer que o jogo termine empatado." A frase é de Halil Altintop, irmão gêmeo de Hamit, na véspera do duelo entre Schalke 04 e Bayern de Munique, disputado em 1997. Casos como o dos irmãos Altintop (que, curiosamente, em turco, significa "bola de ouro") são raros no futebol, um terreno em que é difícil fazer com que fraternidade e rivalidade caminhem tranquilamente. O FIFA.com resolveu então investigar o estranho caso dos gêmeos do futebol, esses clones que entram em campo e podem confundir quem assiste ao espetáculo.

Quer um exemplo? O melhor deles veio justamente com dois brasileiros. Há alguns anos, o Manchester United veio ao Brasil e contratou os então laterais das categorias de base do Fluminense, Fábio e Rafael da Silva.

A semelhança dos dois é tão grande que os árbitros não conseguem dizer quem é quem. Em uma partida realizada em outubro de 2009, em que o Manchester venceu o Barnsley por 2 a 0, o juiz se confundiu e deu o amarelo para Fábio por uma falta feita por Rafael. Depois o cartão foi trocado, mas o árbitro não foi punido.

"Somos irmãos típicos. Nos damos bem, adoramos jogar futebol. Mas também brigamos, como todo mundo. Mas isso é menos comum do que as pessoas pensam", disse Rafael ao FIFA.com em 2007, durante a Copa do Mundo Sub-17 da FIFA realizada na Coreia do Sul.

A mesma confusão que aconteceu com os brasileiros provavelmente acontecia com os holandeses Van de Kerkhof. Os dois dividiam não só o DNA idêntico como o ataque da seleção da Holanda. Até hoje, são os únicos gêmeos que marcaram gols na mesma edição da Copa do Mundo da FIFA. O feito foi alcançado na Argentina, em 1978. Os dois, porém, não são os únicos gêmeos famosos da história do futebol holandês.

Os irmãos De Boer, Frank e Ronald, estão entre os mais vitoriosos do esporte. Eles são os únicos a terem conquistados juntos um título da Liga dos Campeões da UEFA, em 1995. Mas a trajetória deles também foi marcada por uma decepção. Quando Taffarel defendeu a cobrança de Ronald na decisão por pênaltis na Copa do Mundo da FIFA França 1998, que levou o Brasil à final do Mundial, Frank reclamou do erro. Como irmão gêmeo, foi o único no elenco laranja que teve coragem para isso.

Nos anos 80, mais uma vez uma cobrança de pênalti causou polêmica entre irmãos. Os Vujovic, na época, eram ídolos da torcida do Bordeaux. Em 1987, na semifinal da Recopa Europeia, o time francês enfrentou o Lokomotiv de Leipzig. A vaga na decisão foi decidida nos pênaltis. Na sexta cobrança, Zlatko era o escalado, mas não estava confiante. Mandou o irmão Zoran, que parou no goleiro alemão. Ninguém lembra, porém, se desta vez aconteceu discussão.

A história é diferente para Alexei Berezutsky, que não esconde a irritação — e o carinho, é verdade — sempre que fala dos encontros com o irmão Vasili pelo Campeonato Russo: "Eu jogava na lateral esquerda e Vasili era ponta direita. Ele me marcava até nas cobranças de lateral. E não parava de fazer faltas." Esta competitividade não impediu a união dos dois, que se transformaram nas torres gêmeas do CSKA de Moscou e nunca mais jogaram em times diferentes. Tendência, aliás, dos nossos próximos personagens.

Nunca sem meu irmão
Hossam e Ibrahim Hassan são o exemplo perfeito disso. Os dois têm uma carreira idêntica: começaram no Al Ahly, jogaram no Neuchâtel Xamax, passaram pelo PAOK, da Grécia, e fizeram sucesso no Zamalek. Mas foi com a camisa da seleção do Egito que a dupla entrou para a história: ambos são centenários com a camisa dos Faraós, com 169 jogos para Hossam e 125 para Ibrahim.

Os italianos Emmanuele e Antonio Filippini também jogaram sempre no mesmo time. Juntos, passaram pelo Ospitaletto entre 1992 e 1995 e pelo Brescia, até 2003. Depois foram para o Palermo, em 2004, e, por último, defenderam o Livorno até 2009. Os espanhóis Sergio e Francis Suárez estão no mesmo caminho: emprestados, jogaram no Castillo na temporada 2005/06 antes de voltarem ao seu clube de origem, o Las Palmas. Segundo a imprensa espanhola, o futuro deve ser em terras catalãs, já que os gêmeos das Ilhas Canárias estão na mira do Barcelona.

A menos que eles sigam o exemplo dos Degen, que hoje jogam a muitos quilômetros de distância um do outro. Depois de atuarem nos mesmos países por anos, no Campeonato Suíço e na Bundesliga alemã, David escolheu jogar no Young Boys, de Berna, enquanto Philipp foi tentar o sucesso no Liverpool.

Um caso bastante incomum ocorreu na Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA Chile 2008. A seleção da Alemanha contava com dois pares de irmãs gêmeas, todas nascidas em Berlim.  Claro que a treinadora da equipe, Maren Meinert, teve de se esforçar muito para evitar as confusões ao dar instruções em campo. Nicole e Sylvie Banecki e Monique e Isabel Kerschowski foram fundamentais na campanha alemã, que terminou em terceiro lugar.

Curiosamente, a seleção masculina Sub-20 da Alemanha disputou o Mundial da categoria um ano depois também com gêmeos: Lars e Sven Bender. A sorte, porém, não foi a mesma, e o time foi eliminado nas quartas-de-final pelo Brasil. Dois anos antes, a Copa do Mundo Sub-20 da FIFA Canadá 2007 também contou com dois irmãos idênticos, Sanna e Sainy Niassi, de Gâmbia, seleção que foi eliminada nas oitavas-de-final pela Áustria. Hoje, os dois jogam na MLS dos Estados Unidos.