Se há algum nome de destaque no Torneio de Futebol Masculino dos Jogos Olímpicos da Juventude, é o do craque boliviano Marco Etcheverry, atualmente na comissão técnica do selecionado que representa o país no evento em Cingapura. Considerado por muitos o maior jogador da história da Bolívia, ele atingiu o auge ao jogar a Copa do Mundo da FIFA 1994, a última disputada pelo país. Etcheverry teve o mesmo sucesso nos clubes pelos quais atuou: nos sete anos em que esteve nos Estados Unidos, consagrou-se como um dos melhores jogadores estrangeiros da liga americana.

Agora com 39 anos, o ex-jogador e atual técnico do Oriente Petrolero decidiu emprestar a sua experiência ao selecionado sub-15 comandado por Douglas Cuenca na preparação para a Olimpíada da Juventude. O ex-camisa 10 da Bolívia falou sobre o sucesso dos garotos e sobre o futuro do futebol do seu país em entrevista ao FIFA.com antes do confronto com o Haiti na final do torneio em Cingapura.

FIFA.com: Como ex-craque da seleção boliviana e atual técnico do Oriente Petrolero, por que você entrou para a comissão técnica da seleção sub-15?
Marco Etcheverry:
A minha equipe (o Oriente) é uma das maiores da Bolívia, mas, quando a federação me convidou a trabalhar com os garotos do sub-15, decidi que tinha de colocar o país à frente do clube.

A Bolívia está na final e é o único país com 100% de aproveitamento. Como você avalia o êxito até agora?
Nesta seleção sub-15 temos muitos jogadores talentosos, e o mesmo pode ser dito da nossa equipe sub-17, que também é muito boa. O nosso povo espera que possamos ter uma seleção de primeiro nível, e a nossa federação sabe o quanto é importante ter uma nova geração de jogadores talentosos. Estou sempre pronto a auxiliar o meu país e agora quero ajudar as categorias de base a crescerem.

Sendo um dos grandes jogadores da história do país, como você contribui para o desenvolvimento dos jovens jogadores?
Quando cheguei, perguntei ao técnico se podia jogar com os garotos. Treinei com eles e fiz o meu melhor. É assim que posso repassar aos jovens a minha experiência e conhecimento, e também espero que eles possam aprender a dar tudo ao país, assim como eu.

Os jogadores que nós entrevistamos disseram que você vem ajudando bastante...
No primeiro dia, disse que seria amigo deles e aproveitaria o futebol com eles. Pedi que se lembrassem de que, ao jogarem pela seleção, eles representam o país, e por isso todos devem pensar em orgulhar a nação. A filosofia que posso transmitir a eles é dar tudo todos os dias. É a única maneira de fazer sucesso.

Quais jogadores deste plantel o impressionaram mais até agora?
A pergunta é difícil de responder, pois neste grupo todos os jogadores têm os seus pontos fortes, mas quem me impressiona mais é o atacante Jorge Alpire. Ele corre bastante e pode estar em qualquer lugar do campo quando necessário. Para mim ele tem uma mentalidade vencedora. O jogador precisa em primeiro lugar querer ser um vencedor. Ter habilidade não ajudará em nada se você não quiser ser um vencedor.

Faz 16 anos que a Bolívia disputou pela última vez a Copa do Mundo da FIFA. Como um jogador que participou daquela campanha, quanto tempo você acha que vai demorar para que o país volte ao maior evento do futebol mundial?
Pode levar até oito anos. Nas eliminatórias para a última Copa do Mundo disputada na África do Sul, ficamos em penúltimo lugar entre os países da América do Sul. Precisamos nos preparar bem, pois para chegar à Copa do Mundo temos de enfrentar adversários difíceis como Brasil, Argentina e Uruguai. É necessário começar com a base, que representa o futuro do futebol do país.

Rodrigo Mejido e Luis Banegas contaram ao FIFA.com que querem atuar em um clube europeu. Você acha que a experiência de jogar fora ajudará os bolivianos a melhorarem rapidamente?
Experiências no exterior são boas para um jogador crescer. Nesta equipe temos o Josué Guthrie, que atua pelo Brescia da Itália há dois anos. Espero que mais atletas nossos possam se aperfeiçoar no exterior. Mas quero dizer a eles que, independentemente de onde estejam, devem tentar crescer a cada dia e manter o profissionalismo.

A Bolívia goleou o Haiti por 9 a 0 na primeira fase. Isso significa que a final será fácil?
O futebol é um esporte tão bonito que o resultado nunca pode ser previsto. Temos a determinação de conquistar o ouro, mas nada está ganho. Muitos dizem que somos favoritos e precisamos trabalhar duro para confirmarmos esse favoritismo. Não vamos comemorar nada antes de vencermos a final.