
O México encerrou em grande estilo a espera por uma medalha olímpica no futebol ao derrotar o Brasil por 2 a 1 em Wembley e conquistar o ouro em Londres 2012. Sob o comando do técnico Luis Fernando Tena, os jovens Marco Fabián, Javier Aquino e Jorge Enríquez mostraram perfeito entrosamento com os experientes José Corona, Carlos Salcido e Oribe Peralta, este último o autor dos dois gols da decisão.
O título do país cuja melhor colocação havia sido um quarto lugar em 1968 foi uma grande surpresa, mas não há como negar que a vitória foi merecida diante de uma seleção brasileira perdida em campo e que ainda continua buscando o seu primeiro ouro no futebol olímpico. Prata em 1984 e 1988 e bronze em 1996 e 2008, o Brasil chegou a Londres 2012 com grandes expectativas sobre as costas do técnico Mano Menezes e de uma equipe cheia de astros. Depois de cinco vitórias em cinco jogos, o escrete entrou para a decisão mais favorito do que nunca, mas voltou a decepcionar e agora precisará esperar até 2016 para tentar, no Rio de Janeiro, acabar com a sina olímpica.
Assim como também acontecerá daqui a quatro anos, os Jogos Olímpicos de 2012 foram realizados em um país apaixonado pelo futebol. Estádios emblemáticos como Wembley, Old Trafford e Hampden Park foram um excelente palco para as disputas, com ótimos gramados e um público que bateu o recorde da competição. Os 1.525.134 torcedores que compareceram às partidas superaram a marca que havia sido estabelecida em Los Angeles 1984.
A maior decepção foi a eliminação da anfitriã Grã-Bretanha, que foi superada nas quartas de final pela Coreia do Sul. Os sul-coreanos, por sinal, chegaram à semifinal com apenas uma vitória, por 2 a 1 sobre a Suíça na primeira fase, mas conseguiram mesmo assim conquistar a medalha de bronze. O triunfo por 2 a 0 sobre o Japão na decisão do terceiro lugar em Cardiff mostrou uma equipe bem estruturada e que superou o país vizinho em energia e preparo físico, convertendo as chances que apareceram e acabando com o sonho nipônico de um lugar no pódio.
Os Jogos de Londres 2012 também deram uma oportunidade de brilhar a jogadores anteriormente desconhecidos. O atacante senegalês Moussa Konaté, que contou muitas vezes com a ajuda do armador Pape Souaré, o veloz meia-atacante japonês Yuki Otsu e o habilidoso meio-campista Omar Abdulrahman, dos Emirados Árabes, foram alguns dos que chamaram a atenção com atuações de qualidade. Por sua vez, atletas um pouco mais experientes, como Leandro Damião, o sul-coreano Ki Sungyueng e o hondurenho Roger Espinoza, foram fundamentais para as respectivas seleções.
Surpresas do início ao fim
A conquista do ouro pelo México não foi a única surpresa de um torneio em que muitos favoritos ficaram pelo caminho. A Espanha, que contava com Jordi Alba, Javier Martínez e Juan Mata, não conseguiu marcar um único gol no torneio, terminando em último na chave de Japão, Honduras e Marrocos. No Grupo A, nem mesmo Luis Suárez, Edinson Cavani e Nicolás Lodeiro conseguiram evitar a eliminação do Uruguai ainda na primeira fase. A Celeste perdeu a classificação para o Senegal, que, com uma combinação de força e velocidade, chegou às quartas ao lado da Grã-Bretanha.
Os britânicos pelo menos puderam comemorar boas atuações. O galês Craig Bellamy não decepcionou em campo, e os ingleses Steven Caulker, Tom Cleverley e Daniel Sturridge fizeram o suficiente para serem convocados pelo técnico Roy Hodgson para o próximo jogo do seu país.
Também chegaram entre as oito melhores as seleções de Honduras e Egito, que podem se orgulhar do seu desempenho. Os egípcios deram trabalho ao Brasil e comemoraram muito a vitória por 3 a 1 sobre a Bielorrússia, a qual valeu a vaga na segunda fase. O veloz e envolvente selecionado japonês do técnico Takashi Sekizuka, por sua vez, ficou 408 minutos sem tomar gol, desde a fase de grupos até as semifinais.
Mesmo eliminado ainda na primeira fase, o selecionado dos Emirados Árabes também teve bons momentos durante a competição. Antes de o placar final mostrar 3 a 1 para a Grã-Bretanha, os emiradenses silenciaram Wembley ao chegarem ao gol de empate contra a seleção da casa e dominarem boa parte do segundo tempo.
O presidente da FIFA, Joseph S. Blatter, esteve em todos os estádios durante o torneio e não mediu palavras ao elogiar os anfitriões. "Os torcedores britânicos sempre estiveram entre os mais conhecedores e apaixonados do mundo", afirmou ao FIFA.com. "Eles deram uma comprovação durante os Jogos Olímpicos, misturando-se com torcedores de todas as muitas outras nações. Eles tiveram bom humor, respeitaram-se uns aos outros e mostraram o mesmo amor pelo esporte. Tudo isso criou um clima maravilhoso em Cardiff, Glasgow, Londres, Newcastle, Manchester e Coventry. Foi motivo de grande alegria e orgulho para mim e para os meus colegas da FIFA poder testemunhar um torneio de tanto sucesso."
Nações participantes
Bielorrússia, Brasil, Coreia do Sul, Egito, Emirados Árabes, Espanha, Gabão, Grã-Bretanha, Honduras, Japão, México, Marrocos, Nova Zelândia, Senegal, Suíça e Uruguai.
Classificação final
1. México (ouro)
2. Brasil (prata)
3. Coreia do Sul (bronze)
4. Japão
Prêmio Fair Play: Japão (masculino) e EUA (feminino)
Estádios
City of Coventry Stadium, Hampden Park, Millennium Stadium, Old Trafford, St. James' Park e Wembley Stadium.
Total de gols marcados
76 (média por jogo: 2,38)
Artilheiros
6: Leandro Damião (BRA)
5: Moussa Konaté (SEN)
4: Oribe Peralta (MEX)
Total de espectadores: 1.525.134
Média de público: 47.660
























