
Egito, Marrocos e Emirados Árabes Unidos representarão o futebol do mundo árabe no Torneio Olímpico de Futebol Masculino de Londres 2012 e querem agora deixar sua marca.
Nas 16 edições anteriores da competição, um total de dez países da região já tentou conquistar o ouro. O melhor resultado foi a quarta colocação dos egípcios em 1928 e 1964 e dos iraquianos em 2004. A poucos dias do pontapé inicial do evento deste ano, o FIFA.com dá uma olhada no impacto que o mundo árabe teve no futebol olímpico e analisa as chances de seus representantes em Londres.
Longa história
A primeira vez que uma seleção árabe disputou o Torneio Olímpico de Futebol Masculino foi em 1920, quando o Egito teve uma breve participação – perdeu por 2 a 1 dos italianos e foi eliminado já no primeiro jogo.
À época, o Egito era o único conjunto da região com condições de competir em alto nível. Em 1928, o país alcançou seu melhor resultado até hoje, derrotando a Turquia na primeira fase e Portugal na segunda, chegando às semifinais. No entanto, o pódio escapou. Goleado pela Argentina, o selecionado foi também derrotado pela Itália na decisão do bronze.
Foi só em 1960 que mais de um país árabe se classificou para o torneio, quando a Tunísia fez companhia ao Egito nos Jogos Olímpicos de Roma. Quatro anos depois, foi a vez de o Marrocos estrear, enquanto os egípcios fizeram uma excelente campanha, terminando à frente do Brasil no saldo de gols em seu grupo e goleando Gana por 5 a 1 nas quartas de final.
A derrota para a Hungria, futura campeã, na semifinal fez que os egípcios tivessem que vencer a Alemanha Oriental na disputa do terceiro lugar para superar sua marca de 1928 e finalmente conquistar uma medalha. No entanto, os europeus acabaram com esse sonho, ganhando por 3 a 1. Ainda assim, foi um resultado respeitável diante de um forte adversário. Além disso, o centroavante Ibrahim Riad foi o segundo maior goleador da competição, atrás do húngaro Ferenc Bene.
Depois de não se classificar para a Cidade do México 1968, os países árabes voltaram ao torneio olímpico em Munique 1972 com Sudão e Marrocos. Já em Moscou 1980, quatro seleções da região participaram do evento: Argélia, Iraque, Kuwait e Síria estrearam.
Em Los Angeles 1984, o futebol árabe estava em alta, conseguindo cinco representantes. Além dos já experientes Egito, Marrocos e Iraque, dois países do Golfo Pérsico estrearam: Catar e Arábia Saudita. Quantidade, porém, não significa qualidade e, de todos esses conjuntos, apenas o egípcio passou da primeira fase, parando logo nas quartas finais – 2 a 0 para a França.
Esta campanha do Egito foi a melhor de um país árabe até os Jogos de Atenas 2004. Foi então que um valente conjunto iraquiano chegou às semifinais, terminando em quarto.
Após ser primeiro em um grupo que também tinha Costa Rica, Marrocos e um Portugal liderado por Cristiano Ronaldo, os comandados do técnico Adnan Hamad derrotaram a Austrália nas quartas, mas caíram diante do Paraguai na semifinal e da Itália na decisão do bronze. Era o fim de uma campanha olímpica altamente louvável.
Esperanças e sonhos
Depois de não ir a Pequim 2008, o futebol árabe tem uma chance de ouro de Londres. Egito e Marrocos esperam igualar ou melhorar suas campanhas anteriores, enquanto os Emirados Árabes Unidos querem causar impacto em sua estreia.
Mas nenhum dos três terá vida fácil. Os Emirados caíram em um grupo com a anfitriã Grã-Bretanha, o Senegal e o Uruguai. O Egito terá um caminho árduo diante de Brasil, Bielorússia e Nova Zelândia. Por fim, o Marrocos terá que se desvencilhar de Japão, Honduras e da irrefreável Espanha.
"Os Jogos de Londres não serão fáceis", disse o capitão emiradense, Hamdan Al Kamali, ao FIFA.com. "Mas ainda assim, estamos muito felizes com o fato de jogar em estádios históricos, como Wembley e Old Trafford. Espero que estejamos à altura da responsabilidade e façamos uma campanha que reflita o quanto nosso futebol evoluiu."
"O principal objetivo é passar de fase", contou Al Kamali, que detalhou melhor as chances de sua seleção. "Se conseguirmos isso, então as coisas ficarão mais fáceis, porque a semifinal está a apenas um jogo de distância. Espero que possamos fazer isso."
Os egípcios, por sua vez, esperam que Londres 2012 coloque-os de volta no caminho certo, depois de decepcionantes resultados nos últimos dois anos. "Voltamos à Olimpíada depois de 20 anos de ausência", explicou o técnico Hany Ramzy, que terá que ajudar os jogadores a lidar com o peso das expectativas que recaem sobre seus ombros.
"Mas todo mundo está esperando muito de nós. No mínimo, que voltemos com uma medalha. A pressão só aumentou quando a seleção principal foi eliminada nas eliminatórias para a Copa Africana de Nações", afirmou Ramzy. "Nossa torcida deposita todas as esperanças na Olimpíada. Espero que possamos corresponder."
Enquanto isso, o moral é alto na concentração do Marrocos. O experiente técnico holandês Pim Verbeek já disse que a prioridade de sua equipe é chegar às quartas de final. "Vencer na estreia é o segredo para nos classificar", analisou, deixando clara sua determinação. "Espero que consigamos alcançar este objetivo e que a torcida nos apoie, para obtermos bons resultados e mostrarmos ao mundo o que é o futebol marroquino."
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Será que um país árabe surpreenderá em Londres 2012 e conquistará uma medalha?




