
Há exatos 60 anos, todas as atenções dos Jogos Olímpicos de Helsinque se voltavam para o Torneio de Futebol Masculino. E isso por conta de um duelo que registrou nada menos que dez gols e terminou com uma incrível recuperação por parte da União Soviética. No Estádio Ratina em Tampere, na Finlândia, 17 mil pessoas nunca poderiam imaginar que, após abrir 5 a 1 e segurar o placar até os 30 minutos do segundo tempo, a Iugoslávia sofreria um empate em 5 a 5, já nos acréscimos, em duelo com os bravos soviéticos que valia vaga nas quartas de final.
Os iugoslavos haviam sido vice-campeões da edição anterior da competição, quatro anos antes. Dessa vez, haviam estreado ganhando de 10 a 1 e voltariam a golear na segunda partida, tornando-se assim favoritos ao ouro. Porém, diante daquele placar, ninguém poderia imaginar a dificuldade que eles encontrariam para eliminar uma equipe soviética que já parecia acabada a apenas 15 minutos do apito final – com exceção do camisa 9 de uniforme vermelho.
Apenas dois anos antes, Vsevolod Bobrov havia escapado da morte quando, no último instante, decidiu pegar um trem para ir a um jogo ao invés de, como o resto dos companheiros, subir em um avião, que acabou caindo. Contra os iugoslavos, era o momento de impedir que seu selecionado morresse na praia nos Jogos Olímpicos.
Aos 29 anos, o centroavante do VVS de Moscou, que havia feito o único gol da União Soviética até aquele momento, começou a realizar uma missão que parecia impossível. Primeiro, dando passe para Vassili Trofimov reduzir a vantagem iugoslava para 5 a 2. Bobrov logo a seguir marcou seu segundo em um forte chute e fez 5 a 4 em aos 42 minutos, deixando sua seleção a apenas um gol de um jogo-desempate. E foi exatamente o que os soviéticos conseguiram quando, com poucos segundos restando, o meia Aleksandr Petrov igualou.
Esforço em vão
A União Soviética havia marcado quatro vezes nos 14 minutos finais, sem sofrer nenhum gol, e assim conseguiu protagonizar uma das recuperações mais incríveis da história do futebol. No entanto, no desempate, dois dias depois, a Iugoslávia mostrou que era mesmo mais forte e fez todo aquele esforço soviético se tornar em vão: os então campeões olímpicos venceram por 3 a 1, sendo que Bobrov, em seu último jogo pela seleção de seu país, fez o de honra.
Para Bobrov, porém, a caminhada olímpica teve uma reviravolta quatro anos mais tarde. De forma menos provável, ele acabou conquistando uma medalha de ouro não no futebol, mas no hóquei sobre o gelo nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1956.
Um reconhecimento à extraordinária grandeza de Bobrov foi ele ter sido eleito o terceiro maior Atleta Russo do Século 20, terminando atrás do inesquecível goleiro Lev Yashin e do lutador greco-romano Alexander Karelin, que ficou invicto por 13 anos e é um dos esportistas com maior domínio sobre uma modalidade em todos os tempos.
Contudo, seria difícil argumentar que, sob as traves e no tablado, respectivamente, esses dois medalhistas olímpicos tiveram um desempenho individual superior ao que Bobrov obteve no dia 20 de julho de 1952. Uma seleção iugoslava e um grande público finlandês confirmariam isso.

