Técnico emiradense sonha com a vaga
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As seleções juniores dos Emirados Árabes Unidos vêm conquistando resultados expressivos nos últimos anos. O país venceu o Campeonato Asiático Sub-19 em 2008 e participou da Copa do Mundo Sub-20 da FIFA no ano seguinte, alcançando as quartas de final da competição pela segunda vez na história. Os jovens do Golfo já haviam registrado esse desempenho na edição de 2003, que disputaram em casa. Além disso, a seleção olímpica emiradense se destacou nos Jogos Asiáticos de 2010, perdendo a final diante do brilhante conjunto japonês por apenas um gol.

O nome por trás de todas essas façanhas é Ali Mahdi, técnico que espera continuar no caminho do sucesso levando a sua seleção ao Torneio Olímpico de Futebol dos Jogos de Londres 2012.

Os EAU estão muito perto de realizar o objetivo do treinador e conquistar classificação inédita às Olimpíadas. A apenas duas rodadas do encerramento da terceira fase da competição preliminar, o país árabe ocupa o primeiro lugar do Grupo B empatado em número de pontos com o Uzbequistão.

Antes de enfrentar a Austrália nesta quarta-feira, Ali conversou com o FIFA.com sobre o jogo decisivo frente aos uzbeques, marcado para o próximo dia 14 de março, e sobre o surpreendente desempenho do futebol emiradense.

Uma ocasião histórica
A seleção dos Emirados Árabes estreou nas eliminatórias para Londres 2012 atropelando o Sri Lanka por 10 a 1 em jogos de ida e volta e derrotou a Coreia do Sul por 2 a 1 na soma dos placares, classificando-se assim à terceira fase. Em seguida, o sorteio colocou o país na mesma chave que Uzbequistão, Austrália e Iraque.

O ritmo diminuiu na etapa atual, com empates diante de australianos e uzbeques e derrota por 2 a 0 contra os iraquianos. Contudo, o revés acabou se transformando em três pontos depois que o Iraque levou a campo um jogador suspenso. Os emiradenses aproveitaram a reviravolta e venceram o mesmo adversário por 1 a 0 na quarta rodada.

Ali falou sobre o difícil começo de campanha da sua equipe, atribuído por ele à falta de sorte crônica contra Austrália e Uzbequistão. "No geral fomos melhor que o adversário, mas desperdiçamos todas as nossas chances por azar. Após essas duas partidas, as coisas melhoraram e espero que consigamos marcar gols nos últimos dois jogos."

Os emiradenses precisam necessariamente balançar as redes australianas na quarta-feira caso queiram conservar a chance de classificação antes da partida fora de casa contra o Uzbequistão em março. "Nós nos preparamos da mesma forma que para as partidas precedentes e vamos entrar em campo com tudo para continuarmos vivos na competição", explicou Ali sobre o duelo com os Socceroos em Abu Dhabi. "A vitória contra o Iraque nos devolveu a motivação. Estamos prontos, mas a Austrália não é um oponente fácil. É uma equipe bem organizada que aposta na sua força física e disciplina tática. Já enfrentamos os australianos duas vezes e espero que façamos por merecer a vitória."

O técnico de 46 anos acredita que a classificação à Olimpíada é "um sonho para os jogadores, para a comissão técnica e para todos os emiradenses". Ele considera que o atual selecionado olímpico tem "boas chances de se classificar", mas pondera que "será preciso lutar até o apito final para realizar esse sonho".

Uma grande família
Ali também revelou o segredo das boas atuações da seleção emiradense no Campeonato Asiático Sub-19 e no Mundial Sub-20 há três anos: o espírito de família que reinava no vestiário das duas equipes.

"Não existe fórmula mágica para ganhar, mas trabalho com seriedade para estar à altura do apoio que recebo", diz. "Também procuro manter um bom relacionamento com os jogadores e instaurar um espírito de família. As relações entre os atletas, a comissão técnica, o departamento médico e a diretoria são excelentes. Somos uma grande família e talvez isso explique o nosso sucesso."

Diversos jogadores do atual elenco olímpico emiradense atuam sob as ordens de Ali desde a mais tenra idade, mas o experiente treinador não vê essa familiaridade como algo necessariamente benéfico. "Já me fizeram essa pergunta várias vezes e para mim é mais uma desvantagem. Eles estiveram comigo durante um longo período e agora querem aprender coisas novas. Por outro lado, o meu relacionamento com eles fica mais fácil, pois os conheço como a palma da mão. Existem prós e contras, portanto."

Para ganhar experiência e transmiti-la aos seus jovens comandados, Ali fez um estágio no atual campeão da Copa do Mundo de Clubes da FIFA. O técnico esteve no Barcelona no ano passado. "Adoraria ter ficado mais tempo, mas precisei encurtar a estada para assumir interinamente o time do Bani Yas", conta Ali. "Não preciso me estender sobre esse clube fantástico que é o Barcelona. Para mim, foi uma experiência a mais e aprendi muitas coisas, tanto nas equipes juvenis quanto na principal."

Embora espere que os jogadores emiradenses tirem proveito da experiência, Ali não perde de vista o objetivo principal: garantir presença no Torneio Olímpico de Futebol Masculino em Londres 2012 e dar continuidade à sua trajetória vitoriosa.