De olho no olimpo
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A cada dois anos, as oito melhores seleções sub-21 da Europa disputam a supremacia continental da categoria. A cada quatro anos, porém, a Eurocopa Sub-21 ganha uma emoção especial ao colocar em jogo não só o título, mas também as vagas para o Torneio Olímpico. Este é o caso da edição que será disputada na Dinamarca de 11 a 25 de junho e definirá as três seleções responsáveis por representar o Velho Continente em Londres 2012 (veja o critério de classificação no link à direita).

"Ficar mais uma vez fora dos Jogos Olímpicos seria um fracasso", reconheceu Thiago, do Barcelona, um dos talentos da seleção espanhola, que não participa da competição desde que conquistou a medalha de prata em Sydney 2000. A Fúria, no entanto, terá pela frente o complicado Grupo B, no qual figuram os únicos três países, entre os oito participantes, que já levantaram a taça europeia: Inglaterra (1982 e 1984), Espanha (1986 e 1998) e República Tcheca (2002). A Ucrânia, finalista de 2006, completa o quarteto.

Dado o tamanho do desafio, os espanhóis se reforçaram com dois campeões mundiais, Javier Martínez e Juan Manuel Mata, que, depois de terem conquistado o título na África do Sul 2010, não hesitaram em se colocar à disposição da seleção sub-21 para brigar pela vaga olímpica. "Estamos contentes de estar aqui para ajudar o grupo, pois seria uma perda muito grande não conseguir o bilhete para as Olimpíadas", disse Mata ao FIFA.com às vésperas de tomar o avião rumo à Dinamarca. "É evidente que temos claras condições de conquistar a vaga", ressaltou Martínez com otimismo.

A Espanha, entretanto, não foi a única a recorrer a figuras experimentadas. A maioria das seleções possui uma boa base de jogadores calejados na primeira divisão dos seus países e ainda buscou reforços entre atletas já convocados para o selecionado principal. Com a vaga olímpica em jogo, ninguém se furta a dar a sua contribuição.

A República Tcheca conta com um artilheiro em potencial, Tomas Pekhart, autor de nove gols nas eliminatórias para a Eurocopa Sub-21, que viram a seleção do leste europeu vencer sete jogos e empatar apenas um, diante da Alemanha, campeã de 2009 e ausente desta edição.

O setor defensivo da Inglaterra chega desfalcado dos zagueiros James Tomkins, do West Ham, e Kieran Gibbs, do Arsenal, ambos lesionados. O elenco, contudo, conta com a experiência de três jogadores que participaram do vice-campeonato de dois anos atrás — Michael Mancienne, Fabrice Muamba e Jack Rodwell — e com o talento de jovens já convocados para a seleção principal, como Danny Welbeck e Jordan Henderson.

A Ucrânia também se vale de vários jogadores liberados pela esquadra absoluta, cimentando uma base formada pela mistura de integrantes do campeão nacional, Dínamo de Kiev, e do Shakthar Donetsk, ou seja, futebolistas com experiência na Liga dos Campeões.

Azarões perigosos
Embora o Grupo B chame atenção pelos duelos entre seleções campeãs, a outra chave também oferece grandes atrativos. De fato, há motivos de sobra para não perder de vista o Grupo A, no qual os anfitriões dinamarqueses terão de enfrentar Suíça, Bielorrússia e Islândia.

Esta última foi a equipe que mais compareceu às redes adversárias na fase eliminatória, durante a qual marcou 33 gols e um surpreendente 4 a 1 sobre os alemães. Em amistoso recente, os islandeses referendaram a sua qualidade com uma vitória diante da Inglaterra. Já a Bielorrússia mostrou a sua força ao eliminar a poderosa Itália com uma impressionante atuação na repescagem do torneio classificatório.

"Ainda que a Suíça nunca seja favorita nas fases de grupo, o nosso objetivo é chegar às semifinais", assinalou o técnico Pierluigi Tami, que aposta no talento do quarteto formado por Benjamin Siegrist, Pajtim Kasami, Nassim Ben Khalifa e Granit Xhaka, campeões da Copa do Mundo Sub-17 da FIFA Nigéria 2009 e agora ansiosos por fazer história em outra categoria da seleção.

Os donos da casa, por fim, chegam à competição fortalecidos por uma recente goleada sobre a Turquia em partida amistosa. Embora não tenham participado de nenhum torneio oficial nos últimos dois anos, os meninos de Keld Bordinggard confiam no apoio da torcida para alcançar o sonho olímpico.