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Ainda não foi em Londres 2012 que acabou a obsessão do futebol brasileiro com o ouro olímpico. Pela terceira vez em sua história, a Seleção Brasileira chegou a uma final do Torneio Olímpico de Futebol Masculino e, de novo, saiu derrotada. Como em Los Angeles 1984 e Seul 1988, o Brasil saiu da Olimpíada com a medalha de prata, depois de cair neste sábado diante do México, no estádio de Wembley completamente lotado com mais de 86 mil pessoas, por 2 a 1.
Os 24 anos desde a última decisão e toda a tensão criada por isso ao longo dos últimos dias ruíram em segundos. Em 29 segundos, exatamente. Foi o tempo que os mexicanos demoraram para abrir o placar, naquele que seria seu único chute no gol até meados do segundo tempo: a partida mal começara e Rafael, na lateral-direita, na intermediária, executou um passe curto demais buscando Rômulo. Javier Aquino desviou e a bola sobrou para Oribe Peralta, de fora da área, acertar o canto baixo direito do goleiro Gabriel. Com os brasileiros desesperados pelo empate, na segunda etapa, o mesmo Peralta, de cabeça, dobraria a vantagem, antes de Hulk diminuir, já nos acréscimos.
Começar de novo
O gol-relâmpago absolutamente congelou o Brasil por alguns minutos. Foi difícil ver a equipe trocar mais de dois passes seguidos durante um bom tempo, até o choque, aos poucos, ser assimilado. O primeiro chute a gol brasileiro só foi acontecer aos 20 minutos, quando Leandro Damião invadiu a área pela ponta esquerda e cruzou rasteiro. Oscar dominou e, de perna esquerda, bateu prensado, nas mãos do goleiro José Corona.
A inépcia era tanta que, aos 28 minutos, Mano Menezes já tinha Hulk no aquecimento para, aos 32, entrar na vaga de Alex Sandro. Era o retorno ao esquema original da equipe em Londres 2012, com Hulk aberto pela direita, Neymar pela esquerda e Damião, centralizado. A mudança quase deu resultados seis minutos depois, quando Hulk fez sua típica ação de cortar para dentro e bater de perna esquerda, de longe. Corona teve dificuldade para rebater a paulada e precisou voar nos pé de Damião para evitar o empate no rebote.
Foi assim que, aos poucos, o Brasil voltou a se parecer com a equipe das cinco partidas anteriores na Olimpíada. Quatro minutos antes do fim do primeiro tempo, o time criou ainda outra chance, quando Oscar passou para Leandro Damião, dentro da área, de costas para o gol, fazer o trabalho de pivô para a entrada de Marcelo. O lateral-esquerdo chutou à direita do gol.
Pressão que não bastou
Aquilo que lentamente se construiu ao longo da primeira etapa chegou a seu auge na segunda: os brasileiros, que já haviam terminado os primeiros 45 minutos com 61% de posse bola, entraram com tudo, sobretudo Hulk e Neymar – que criou duas boas chances antes dos seis minutos de jogo: uma batendo por cima do gol, de longe, outra em cima do goleiro Corona, do lado direito da área.
A pressão inicial da segunda etapa não deu resultado, e por pouco outra bobagem individual não custou ao Brasil o segundo gol: aos 19 minutos, Thiago Silva perdeu o tempo de uma bola longa, teve seu chute travado por Marco Fabián ao tentar afastar a bola. O próprio camisa 8 mexicano ficou com a sobra para, com uma quase-bicicleta, encobrir Gabriel e acertar o travessão.
Só restava ao Brasil, então, assumir a condição de tudo ou nada, o que Mano Menezes fez aos 26 quando sacou o volante Sandro por mais um atacante, Alexandre Pato. Acontece que foi justo depois disso que, após uma falta pela lateral direita, Peralta se deslocou bem até o primeiro pau e, de cabeça, marcou o segundo aos 30.
Ainda teve mais tentativa ligeiramente desordenada, nervosismo dos brasileiros frustrados e a entrada de Lucas na vaga de Rafael faltando sete minutos, mas isso só foi mudar o placar nos acréscimos, quando Hulk recebeu na área pela ponta direita e - com a destra, que não é sua perna preferida – tocou na saída de Corona. Foi a penúltima chance, ante de Oscar, de cabeça, tocar por cima do gol, da pequena área. Tudo tarde demais. O triunfo mexicano, construído em segundos, aguentou os 90 minutos, para entrar para a história e durar a eternidade.





