
A atuação esteve longe de ser brilhante, mas, neste sábado, o mais importante para a Seleção Brasileira foi mesmo conseguir sair de situações complicadas e obter, no fim, uma suada classificação à semifinal do Torneio Olímpico de Futebol Masculino. Em Newcastle, a equipe de Mano Menezes ficou duas vezes atrás no placar, virou e derrotou Honduras – que jogou todo o segundo tempo com um homem a menos – por 3 a 2 para chegar à semifinal da competição.
Restam agora dois jogos para a tão sonhada – e inédita – medalha de ouro. O próximo desafio é na terça-feira, contra contra o vencedor de Grã-Bretanha e Coreia do Sul, em Manchester. De bom deste confronto, apenas a manutenção da média de três gols marcados em quatro partidas e a atuação contundente de Leandro Damião, autor de dois gols – tem quatro no total – e da jogada que originou um pênalti.
Alívio só no fim
Mesmo com intensos altos e baixos, o Brasil começou melhor na partida e deu um susto logo no primeiro lance, com Damião recebendo um lançamento, ficando cara a cara com Jose Mendoza, mas desperdiçando com um chute torto. Neymar, quatro minutos depois, foi outro a perder oportunidade, mostrando que o grupo estava, ao menos, decidido a definir rapidamente a fatura.
Mas os erros do início custaram caro, e Honduras acabou abrindo o placar em sua primeira chegada. Aos 12, após boa jogada pela esquerda, Maynor Figueora tentou o domínio dentro da área, mas foi Mario Martinez que apareceu para concluir, de primeira, com um belo chute cruzado, sem chances para Gabriel.
Assustado, o Brasil tentou se lançar ao ataque, enquanto Honduras continuava marcando forte e se arriscando de vez em quando, como em cobrança de falta perigosa de Figueroa de longa distância. Por outro lado, foi justamente esta marcação dura no meio de campo que acabou pesando contra. Em dois lances seguidos, aos 31 e 32, Wilmer Crisanto fez faltas duras – uma em Hulk e outra em Neymar –, levou amarelos em ambas e deixou sua equipe com dez.
Foi a deixa para o Brasil chegar ao empate antes mesmo do intervalo. Aos 37, Neymar achou Hulk na direita. O camisa 12 invadiu a área e, antes da chegada do goleiro, conseguiu o cruzamento. A zaga hondurenha ainda se atrapalhou, e Damião, esperto, chegou de carrinho para fazer 1 a 1.
Mais sustos e a virada
Quem esperava mais tranquilidade na segunda etapa se enganou. Logo aos dois minutos, Honduras voltou a mostrar que não entregaria a vitória tão facilmente e, desta vez, contou com a ajuda de Gabriel para fazer 2 a 1. Em chute de certa forma despretensioso de Espinoza, o goleiro brasileiro pulou atrasado e nada pôde fazer.
A situação se complicava, mas o Brasil ao menos não deixou o nervosismo crescer. Três minutos depois, Damião recebeu na área, dividiviu com Velasquez e caiu. O pênalti, contestado pelos hondurenhos, foi cobrado por Neymar no canto esquerdo, sem chances para Mendoza.
O empate foi um alívio para a Seleção, que seguiu no ataque, trocando passes, tentando jogadas mais incisivas. Em uma delas, saiu o terceiro gol: Neymar achou Damião na área. No pivô, como tanto gosta, o atacante do Inter desta vez preferiu não devolver, girou pela direita e, de frente para o gol, chutou sem defesas para o goleiro.
Enfim na frente e com um homem a mais o Brasil relaxou e foi dominante até o fim. Mas não escapou de levar alguns sustos. Inseguro, Gabriel saiu mal do gol em escanteio, a bola pipocou na pequena área e por pouco o ataque hondurenho não aproveitou. Mais tarde, no entanto, o mesmo goleiro se saiu bem em três chutes de longa distância de Figueroa e Mejía.
Coube, então, a Neymar, Lucas – que entrar no lugar de Hulk –, Oscar e Pato – substituto de Damião –, tocarem a bola no ataque e esperar pelo apito final, não antes de Espinoza ser expulso, também pelo segundo amarelo, e sair de campo aplaudido pela torcida. A vitória veio, não como muitos esperavam e não sem um punhado de reflexões a serem feitas nos próximos dias.





