O Brasil conseguiu. Resistindo à pressão interna e externa, a equipe de Paulo César de Oliveira deu um passo fundamental para recuperar a coroa que perdeu há oito anos na Guatemala: está na final da sua Copa do Mundo da FIFA. Agora enfrentará nada menos que a Espanha, atual bicampeã e seu carrasco nas duas últimas edições da competição. O que mais poderia pedir?
O título. E quem pode pedir é Vinicius, um dos membros do time que perdeu a semifinal de 2004 para os espanhóis. Chegou o momento da revanche? "Não é uma palavra de que eu goste, mas estaria mentindo se não dissesse que vai ser uma partida especial. Foi um longo processo, fizemos muitos sacrifícios e estamos às portas de uma conquista importante," afirma ao FIFA.com o capitão da seleção brasileira.
As exigências do público
A semifinal contra a Rússia já ficou para trás, mas as conclusões do apertado 4-2 ainda não. "Não nos surpreendeu o nível dos russos, muito pelo contrário: foi a partida que esperávamos que acontecesse na primeira fase. Eles têm muita qualidade, são uma das melhores equipes européias e, contra nós, mostraram o seu verdadeiro nível," analisa o dono da camisa sete.
Por que o Brasil venceu cada um dos seus confrontos difíceis? "Porque somos mais contundentes, sabemos entender as partidas. Às vezes o público, vendo de fora, pensa que não estamos jogando bem, mas isso é saber controlar o tempo dentro de um jogo. Não é necessário estar sempre com a bola e criando jogadas, mas ser eficaz ao chegar à meta adversária," analisa o ala de 30 anos.
Vinicius relativiza assim um tema muitas vezes delicado: as exigências da torcida brasileira. "Conhecemos o nível do futsal mundial hoje, mas o público talvez não. É compreensível, eles estão lá para nos julgar, mas nós não estamos lá para julgá-los. É uma lei não escrita do esporte. Mesmo assim, digam o que digam, continuaremos fazendo o nosso trabalho."
O rival esperado
Vinicius é um dos oito jogadores da equipe brasileira que atuam na Espanha e, por isso, tem conhecimento para analisar o rival. "É uma ótima equipe e aprendi muito com eles. Sua base é o conjunto: eles não têm mentalidade individualista, o que os torna muito fortes. Têm uma ótima preparação e sabem interpretar cada momento do jogo. São muito perigosos," avisa o jogador de El Pozo, onde tem como companheiros Álvaro, Kike, Marcelo e Juanjo.
Questionado sobre as diferenças entre o Brasil de 2004 e o atual, Vinicius responde: "Não sou fã das comparações, mas o que faltou para aquela seleção foi mais preparação para competir com grandes adversários, e acho que isso é o que está fazendo a diferença agora. Hoje nos sentimos prontos para jogar contra qualquer seleção a qualquer momento."
Este momento pode vir no domingo, e Vinicius sabe disso. "Trabalhei toda a minha vida para ser campeão do mundo, e este é um sonho que está muito perto de virar realidade. Uma vitória seria a glória."



