Quase um mês atrás, o técnico da seleção iraniana de futebol, Hossein Shams, disse ao FIFA.com: "A nossa meta inicial é nos classificarmos para a segunda fase, mas, embora todo mundo sonhe em ganhar a Copa - e nós não sejamos exceção -, não podemos pensar nisso até chegarmos às últimas fases." A frase, embora comedida, podia parecer pretensiosa demais.
Hoje já se pode ver que não era tanto assim, pois o Irã está a um passo das semifinais da Copa do Mundo de Futsal da FIFA Brasil 2008. Mesmo assim, a tarefa que vem adiante é bastante difícil, já que os iranianos precisarão derrotar a vice-campeã do mundo Itália, nesta terça em Brasília, para continuarem sonhando com o título.
"Acredito que o Brasil continua sendo a melhor equipe de todas, e que a Espanha o acompanha de perto", afirma ao FIFA.com o habilidoso Mohammad Taheri. "Depois de jogar contra os dois, acho que a Itália é um rival mais acessível." Após o 3-3 com a atual campeã e da derrota por 1-0 diante dos anfitriões, será que o Irã está à altura das circunstâncias?
Sem desculpas
O Irã terá de entrar em quadra contra a Itália sem duas dos seus principais personagens, o capitão Vahid Shamsaee e Mohammad Keshavarz. Apesar de muitos acharem que a vantagem é grande demais, Taheri afirma o contrário. "Eles são dois jogadores importantes, mas quem jogar no lugar deles se sairá muito bem. O iraniano está acostumado a este tipo de situação: na adversidade, sempre consegue forças para seguir adiante," fala com convicção o jovem ala de 23 anos.
Os asiáticos já jogaram no ginásio Nilson Nelson em Brasília, oportunidade que a seleção rival ainda não teve. Embora os detalhes façam a diferença quando se está no nível mais alto, Taheri volta a relativizar a situação. "Contra uma equipe da categoria da Itália, não creio que isso seja uma vantagem. Além disso, os italianos se sentem em casa aqui no Brasil," acredita o jogador do time iraniano Shahid Mansouri.
Um momento histórico
Estreante em Copas do Mundo, este jovem nascido em 2 de maio de 1985 está fazendo um belo trabalho: com cinco gols, é o artilheiro do Irã ao lado de Shamsaee: dois deles contra a Ucrânia e um contra Espanha, Uruguai e Líbia. "É uma experiência maravilhosa, porque está acontecendo em um país onde se encontram os jogadores mais técnicos deste esporte. E as pessoas foram muito carinhosas com a gente. Tudo é espetacular," afirma sorrindo.
Em Hong Kong 1992, o Irã derrotou a Itália por 7-5 na fase de grupos e, mais tarde, acabou avançando às semifinais. Naquela edição, ficou em quarto lugar. "Aquele futsal era diferente. O de hoje é muito mais competitivo", opina Taheri. "Por isso acho que esta partida contra a Itália é a mais importante da história do futsal iraniano."
Para concluir, ele deixa uma frase contundente: "Viemos aqui para provar que podíamos estar entre os quatro melhores, mas, agora que mostramos a nós mesmos o que podemos fazer, queremos jogar a final contra o Brasil."


