Antes do início da segunda fase de grupos da Copa do Mundo de Futsal da FIFA 2008, o FIFA.com conversou com exclusividade com o ex-técnico da seleção espanhola de futsal Javier Lozano, que conquistou o título mundial em 2000 e 2004. No momento, o membro do Technical Study Group (Grupo de Estudos Técnicos) da FIFA, que analisa o estilo de jogo dos participantes da Copa do Mundo de Futsal, trabalha para o clube espanhol Real Madrid, onde atua como contato entre a equipe profissional e os outros departamentos do clube. 

Alguns candidatos ao título em vista
Apesar de seu trabalho junto à realeza de Madrid, Lozano está no Brasil acompanhando a Copa do Mundo de Futsal da FIFA, onde conduz análises dos jogos para a FIFA. Em Brasília, ele viu com seus próprios olhos do que os anfitriões do Mundial são capazes: "O Brasil está muito concentrado. Eles se prepararam bem para esta Copa do Mundo. A grande diferença entre agora e os Mundiais de 2000 e 2004 é que desta vez eles são uma unidade, e a equipe não tem nenhum problema internamente."

Apesar das convincentes performances dos brasileiros, o especialista em futsal não considera a equipe do técnico Paulo de Oliveira como a única favorita. "Ainda é cedo para fazer uma previsão. Acho que várias equipes têm chances de ganhar o título. Entre elas estão Espanha, Brasil, Itália e Argentina," diz Lozano com sabedoria, uma vez que a segunda fase de grupos pode trazer surpresas.

Lozano: "A Espanha precisa da pressão"
Também nesta segunda fase do torneio, Lozano espera uma melhora no desempenho da seleção espanhola, que teve um começo atribulado na competição. "A Espanha não foi a equipe mais forte ofensivamente. O time é conhecido por ser muito bom na defesa, no controle de bola e por ser organizado no desenvolvimento de jogadas. A primeira fase de grupos é rotina. Esta seleção precisa da pressão de jogar contra oponentes mais fortes para revelar seu real potencial," opina o membro dos Comitês de Futsal e Beach Soccer da UEFA ao FIFA.com.

Dois jogadores da seleção espanhola têm chamado a atenção de Lozano: Javi Rodriguez, em sua quarta participação em Copas do Mundo, e Kike. "Javi é muito experiente, um fantástico jogador e ideal para levantar os ânimos de uma equipe. Kike é o líder em quadra. Ele é muito forte mentalmente e um hogador extremamente inteligente. Ele sempre põe o time em primeiro lugar e dá tudo de si pela vitória," explica Lozano a respeito dos dois jogadores-chave da seleção de seu sucessor Venancio Lopez.

Uma segunda fase de grupos fascinante
Lorenzo também vê sua terra natal à frente no Grupo F. "A Espanha pode ter uma pequena vantagem por conta de sua experiência, mas acho que a decisão não virá antes do último jogo. Paraguai e Argentina combinam a disciplina européia ea criatividade sul-americana, enquanto a Rússia pertence à lista das equipes mais ofensivas, embora precise melhorar defensivamente," analisa o treinador que conduziu a Espanha ao título mundial.

No Grupo E, Lozano vê dois times se destacando, mas sabe que a Ucrânia  pode causar surpresas. "No papel, Brasil e Itália são as favoritas, mas a Ucrânia pode tornar a vida de qualquer uma das duas difícil. O Irã parece estar cansado, mas se estiverem aptos mentalmente, podem conquistar alguma coisa," prevê o especialista em futsal.

Elogios à Guatemala
Javier Lozano observou o desenvolvimento do futsal nos últimos anos, e considera a maior surpresa do torneio a melhora no nível de algumas equipes. "Há alguns anos, algumas seleções ainda jogavam futebol com cinco jogadores, mas hoje todas sabem como se joga o futsal. Agora observa-se um certo automatismo em times preocupados com a movimentação e organização em quadra," esclarece Lozano em sua entrevista.

Uma seleção merece respeito por causa de seu desenvolvimento: a Guatemala. A seleção do enorme goleiro Carlos Mérida não alcançou a segunda fase de grupos, mas mesmo assim o bicampeão mundial só tem coisas boas a dizer sobre o trabalho do técnico Carlos Estrada. "Há alguns anos, esta seleção era desorganizada e jogava sem objetivo. Eles têm melhorado muito e precisam competir com outras nações boas no futsal," elogia Lozano ao falar sobre o trabalho dos centro-americanos.