Para uma equipe que participa pela primeira vez de uma Copa do Mundo de Futsal da FIFA, e sendo um país que não conta com uma liga local, a Líbia não está indo nada mal. As estatísticas atestam isso: antes do seu empate em 3-3 com o Uruguai, no primeiro dia do Grupo D, todas as seleções africanas debutantes haviam perdido em sua estréia por uma margem de quatro gols ou mais.

"Somos parte de um processo que, com o apoio da associação, tem crescido rapidamente, a tal ponto que em dois anos conseguimos nos consagrar campeões árabes e africanos. Tenho certeza de que nossa participação neste Mundial dará uma boa plataforma para o crescimento do futsal em meu país,"garante Fathi Alkhoga ao FIFA.com.

Alkhoga foi o herói do confronto com o Uruguai, ao marcar nos segundos finais, de cabeça, o 3-3 definitivo, coroando uma fantástica jogada coletiva de cinco toques em velocidade. "Todos estávamos muito nervosos no início, mas fomos relaxando ao longo da partida. Pessoalmente, o gol signficou muitíssimo para mim, me deu mais confiança. Aproveito para voltar a dedicá-lo as pessoas do meu país, " afirma o ala de 24 anos.

A lição espanhola
A Líbia voltou a desafiar os frios números em sua derrota diante da Espanha (0-3): nas duas vezes anteriores em que uma equipe africana enfrentou o atual campeão, perdeu por sete gols ou mais. Para Alkhoga, o motivo é simples: "O futsal da África está evoluindo e nós somos parte deste desenvolvimento. Queremos aprender e que o mundo tenha uma boa impressão de nosso futsal."

Apesar deste olhar positivo, a derrota para os europeus deixou um gosto amargo para o jogador. "É verdade que não contamos com dois de nossos jogadores mais importantes, mas ainda assim deveríamos ter jogado melhor. Esperamos voltar ao nosso nível na próxima partida," afirma com convicção.

O próximo rival da Líbia é o Irã, em um duelo decisivo. "É uma grande equipe, mas será uma partida interessante, porque será o confronto entre campeão da África e o da Ásia. Tudo pode acontecer," analisa.

O líbio está encantado com o Rio de Janeiro. "As pessoas são amigáveis, gostamos da comida, da música... nos sentimos como se estívessemos em casa," garante. No entanto, ele sabe que, para garantir sua permanência no Brasil, sua equipe deverá ganhar os próximos confrontos. Será que a Líbia conseguirá continuar desafiando as estatísticas? Alkhoga não titubeia ao concluir: "Aprendemos muito na derrota contra a Espanha e nada é impossível."