Mentalidade é o segredo do sucesso dos estreantes
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Para muitas nações, a simples classificação a uma Copa do Mundo já é uma realização em si. No entanto, embora isso seja especialmente verdadeiro sobre equipes que nunca competiram em nível tão elevado, tal satisfação traz consigo um perigo. O risco — tão compreensível quanto inevitável — é a acomodação. E, com ela, não almejar mais que a mera participação.

Na Tailândia, três debutantes na Copa do Mundo de Futsal da FIFA recusaram-se a sucumbir a essa tentação. Ninguém criticaria Colômbia, Panamá ou Sérvia se tivessem caído fora após lutarem bravamente. Mas essas três seleções batalharam e conseguiram avançar às oitavas de final  — os sérvios chegaram inclusive a terminar em primeiro lugar na chave.

Para o técnico sérvio, Aca Kovacevic, a receita do sucesso foi chegar à competição não como novatos curiosos, mas como uma equipe dotada de crença e um objetivo claro. "O simples fato de estarmos aqui já é um êxito para nós, mas acabar a primeira fase em primeiro lugar do nosso grupo não foi uma surpresa completa", contou ele ao FIFA.com.

"Para falar a verdade, esse era o nosso objetivo desde o início. É verdade que esta é a nossa primeira vez no torneio, mas a Sérvia participou de todas as principais competições de futsal desde 2006, à exceção da Copa do Mundo de 2008."

Uma filosofia similar foi claramente adotada pelo técnico da Colômbia, apesar de Areny Fonnegra ter admitido que até mesmo as expectativas de antes do campeonato já haviam sido superadas. "Antes do torneio, sentíamos que tínhamos chance de chegar à segunda fase", disse.

"Porém, achávamos que a classificação viria entre os melhores terceiros colocados, e não obtendo a segunda posição. É por isso que esta conquista nos deixa muito satisfeitos. É bom saber que, ao fazer um pouco de história, estamos dando alegria ao nosso país."

Sorteado para o grupo de Espanha e Irã — duas potências do futsal —, o Panamá chegou à Tailândia com pretensões bem mais modestas. Mas, ao que parece, o gosto do sucesso provado na fase de grupos só serviu para atiçar o apetite dos jogadores. "Estaria mentindo se dissesse que não estou um pouco surpreso com o modo como tudo aconteceu conosco", admitiu Miguel Lasso, o camisa 9 panamenho.

"Acreditávamos em nós mesmos, mas chegamos para disputar a nossa primeira Copa do Mundo. Não tínhamos 100% de certeza sobre o que enfrentaríamos. Mas, agora que fomos adiante, queremos ir até onde for possível. Jogar a final não seria nada ruim!"

Chegar à decisão seria um verdadeiro feito — particularmente pelo fato de a classificação panamenha à segunda fase ter sido recompensada com um confronto contra o país tetracampeão mundial de futsal. "É uma das melhores seleções do mundo, provavelmente a melhor seleção brasileira da história", reconheceu Lasso. "Mas eles são homens como nós. Com a ajuda de Deus, podemos vencer."

Já a Sérvia conta não com a intervenção divina, mas com dois importantes desfalques da Argentina: os craques Matias Lucuix e Cristian Burruto. "Fiquei muito triste ao ver o que houve com o camisa 3", disse Kovacevic, em referência a Lucuix, que sofreu uma dupla fratura na perna. "Ainda assim, mesmo sem dois dos seus principais jogadores, acreditamos que a Argentina será um adversário competitivo como sempre. Será uma partida interessante de se ver."

Igualmente intrigante promete ser também o encontro entre Colômbia e Irã. Fonnegra, técnico dos sul-americanos, mostra-se confiante ao afirmar que descobriu o calcanhar de Aquiles da seleção persa. "Em comparação com os russos, os jogadores iranianos são um pouco mais lentos. A ideia, portanto, é usar a velocidade e a habilidade técnica dos nossos jogadores. Para nós, os elementos mais importantes serão concentração, serenidade e muita paciência."

Ainda não se sabe se a Colômbia e as demais seleções estreantes chegarão às quartas. Mas uma certeza já há: depois de chegar tão longe, ninguém se dará facilmente por satisfeito.