Uma surpresa chamada Panamá
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Rebelde e ousado. Com esses dois adjetivos, podemos descrever com perfeição Alquis Alvarado, capitão da seleção panamenha que entrou em quadra pela primeira vez na história da Copa do Mundo de Futsal da FIFA para obter uma sensacional vitória de virada sobre o Marrocos. A equipe reverteu uma desvantagem inicial de três gols para conquistar uma goleada por 8 a 3.

"Não acho que essas palavras sirvam somente para me descrever, mas para descrever todo o grupo", diz Alvarado ao FIFA.com. "Todos nós temos origens muito humildes. Jogávamos um futebol com cinco jogadores para cada lado, parecido com o futsal que praticamos hoje em dia. Lá no Panamá são organizados campeonatos bem distantes do profissionalismo, mas há paixão e vontade de jogar de sobra. Esta equipe é assim."

A seleção, de fato, mostrou essas qualidades na partida contra o Marrocos. No entanto, os africanos saíram jogando melhor e logo fizeram 3 a 0. "A ansiedade nos venceu", afirma Alvarado, um fã confesso de Lionel Messi. "Era algo totalmente novo, algo com o que nunca havíamos convivido, nem mesmo nos amistosos que fizemos contra seleções europeias. Mas nunca deixei de acreditar que poderíamos conquistar uma virada."

Oportunidade única
Nascido no populoso distrito de San Miguelito, Alvarado começou a jogar futsal aos 15 anos e estreou pela seleção em 2003. Embora seja presença constante nas convocações desde então, ele ganha a vida de outra maneira. "Trabalho como pedreiro em construções, levantando paredes, pintando", revela. "Faço o que for preciso para sustentar as minhas duas filhas, de três e sete anos".

Onde entra o futsal neste contexto? "No orgulho em representar o país", responde Alvarado, que tingiu parte do cabelo de vermelho em homenagem ao "mês da pátria". No entanto, ele sabe que está vivendo uma chance de ouro. "Fazer uma boa Copa do Mundo pode abrir as portas para nós. Todos nós sonhamos em viver do futsal. Para mim, seria ótimo jogar na Espanha, pois lá estão os melhores. Até se surgisse uma chance no futebol de campo eu aceitaria. Amo jogar, mas primeiro preciso pensar na minha família."

O próximo adversário do Panamá na Tailândia é justamente a Espanha, que ostenta dois títulos mundiais de futsal no currículo. "É o primeiro mundo do futsal, um grande desafio. Sonhamos em vencer, mas precisamos ser realistas: o placar não será tão importante para nós quanto a experiência que vamos adquirir com este jogo. Mas, ainda assim, acho que podemos ao menos empatar."

A tarefa não é nada simples, mas Alvarado sabe o caminho e reforça que o papel do Panamá é surpreender. "O importante é que a gente faça o que nos agrada e se divirta sem se importar contra quem estamos jogando. Eles são os favoritos, mas o mesmo ocorreu nas eliminatórias, quando éramos vistos como zebras. E aqui estamos."