Quase recordista, Planas quer primeira taça
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"A Argentina vive um bom momento, pois conta com um grupo jovem de jogadores muito bons, mas também com alguns veteranos que podem oferecer tranquilidade e experiência", declara ao FIFA.com o fixo argentino Leandro Planas. "Além disso, foi estabelecida nos dois últimos anos uma hierarquia que deve ser mantida no Mundial. Por isso digo que não podemos ir até lá para ver o que acontece; temos de ficar entre os quatro primeiros."

A contundente afirmação segue no ar, mas vai além do peso das palavras. Aos 36 anos, o defensor irá se tornar, na Tailândia 2012, o único jogador do planeta a disputar cinco Copas do Mundo de Futsal da FIFA — marca que só poderia ser igualada por concorrentes que já penduraram as chuteiras pelas respectivas seleções.

E tem mais. As 24 partidas disputadas por ele no maior evento da categoria são superados apenas por craques de peso, como Manoel Tobias (31), Javi Rodríguez (29) e Fininho (27). O único atleta ainda em atividade que possui mais jogos no currículo é Falcão (25), considerado por muitos como o maior expoente do futebol de salão.

Dentre todos eles, no entanto, apenas Planas segue sem saber o que é ser campeão do mundo. A sua melhor participação aconteceu na China Taipei 2004, quando o selecionado argentino chegou na quarta colocação. "Daria qualquer coisa para ficar com o título, pois é o máximo que se pode desejar", desabafa. "Isso seria um final dos sonhos para a minha carreira com a seleção nos Mundiais."

Apesar da falta de uma taça, o fixo do Boca Juniors sabe que não pode desistir, principalmente por conta de um grande motivo. "Depois de 15 anos na Europa, voltei ao meu país no final do ano passado e encontrei um panorama promissor", revela. "Vi cinco ou seis meninos muito reconhecidos por lá, mas aqui também temos alguns que poderiam tranquilamente atuar no futsal europeu. Ter vencido as eliminatórias, e no Brasil, contra todos os prognósticos, também dá uma ideia do atual momento da equipe. Não podemos nos esconder, temos de aproveitar tudo isso", acrescenta.

Como se não bastasse, Planas sente que a distância para Brasil e Espanha, donos dos seis títulos mundiais disputados até o momento, vem diminuindo. "Eles continuam sendo os melhores, mas a mudança extrema que está acontecendo desde 1996 mostra bem a evolução dos que vinham atrás: Rússia, Paraguai, Irã, Itália, Portugal e nós", avalia o zagueiro, autor de seis gols em Mundiais. "Nenhum jogo será fácil."

Uma das seleções citadas pelo jogador, a Itália, será um dos adversários dos argentinos na primeira fase. Trata-se de uma equipe que Planas conhece bem, já que atuou na liga do país por vários anos. "Atravessa uma mudança importante, já que antes alistava todos os brasileiros com passaporte italiano, mas agora a metade do plantel deverá ser composta de jogadores nascidos no país", relata. "Apesar disso, os italianos seguem tendo uma boa técnica, vivem disso e merecem todo o cuidado. O vencedor do grupo deve ficar entre nós e eles", confia o argentino.

"Não jogo contra a Austrália desde 1996, e a verdade é que não conheço o México", declara Planas sobre as outras seleções do Grupo D. "Mas a nossa comissão técnica é profissional e sem dúvida vamos estudar ambos com profundidade. A Argentina nunca pôde se dar ao luxo de subestimar um adversário, e não vai ser agora que vai começar", admite o defensor.

E se, por um lado, Planas ainda deverá seguir em atividade por um bom tempo antes de trocar a função dentro de quadra pela direção técnica, por outro irá disputar na Tailândia a sua última Copa do Mundo de Futsal da FIFA. O jogador nega sentir algo especial à medida que a data do torneio vai se aproximando, e explica o porquê. "Foram muitos anos, grupos e companheiros, mas sempre mantive a vontade de deixar tudo pela seleção", aponta. "Por isso, vivo toda essa experiência da mesma forma que nas vezes anteriores: com muito orgulho e agradecimento a um esporte que é a minha paixão."