Moses: "É como um sonho"
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No início da atual temporada, Victor Moses era uma promessa do Wigan, time que costuma ocupar a metade inferior da tabela no Campeonato Inglês. Poucos meses depois, o nigeriano de 22 anos atua por um dos maiores clubes do mundo, é campeão africano de seleções e está prestes a participar da Copa das Confederações da FIFA no Brasil. Depois de um início lento com o selecionado do seu país, o atacante foi uma figura importante na conquista da Copa Africana de Nações, título que veio com uma vitória por 1 a 0 sobre Burkina Fasso na final.

"Se alguém no início deste ano tivesse me dito que eu estaria jogando pelo Chelsea e ganhando a Copa das Nações, eu não teria acreditado", afirmou Moses recentemente ao FIFA.com. "É como um sonho. Mas foi preciso trabalhar muito a cada semana. No final das contas, tudo deu certo para mim."

Nascido na Nigéria e filho de missionários, Moses teve os pais assassinados em conflitos religiosos. Levado para a Inglaterra, foi criado por uma família adotiva no sul de Londres, onde descobriu o futebol na escola e passou a atuar na escolinha do Crystal Palace. Sempre considerado um astro em potencial, Moses estreou pelo clube com 16 anos e firmou um contrato válido por quatro anos. Porém, após alcançar a titularidade na temporada 2009/10, foi contratado no meio da campanha pelo Wigan. Após uma série de atuações impressionantes, ele chamou a atenção do Chelsea. O Wigan rejeitou várias ofertas, mas finalmente aceitou uma proposta em agosto do ano passado — ironicamente, depois de Moses enfrentar o próprio Chelsea no jogo de abertura da temporada da Premier League.

Moses foi convocado e atuou por todas as seleções de base da Inglaterra, do sub-17 ao sub-21. Em 2007, foi artilheiro da Euro Sub-17 e disputou a Copa do Mundo Sub-17 da FIFA. Depois de não se firmar na equipe inglesa sub-21, mudou de ideia e resolveu atuar pela Nigéria na categoria adulta. A estreia pela seleção nigeriana, porém, sofreu dois atrasos. Ele havia sido convocado para enfrentar a Guatemala em fevereiro de 2011, mas o jogo foi cancelado. Um mês depois, o jovem não pôde atuar contra Quênia e Etiópia por problemas de documentação.

Foi somente em novembro do mesmo ano que ele foi liberado para atuar pela Nigéria. Desde então, Moses tornou-se uma peça importante do selecionado de Stephen Keshi, que surpreendeu o continente para conquistar o título da Copa Africana de Nações. Ele marcou dois gols durante a campanha e foi escolhido para a seleção do torneio.

Moses já afirmou publicamente que, se continuar se esforçando tanto, poderá acabar no Barcelona. Mas, por enquanto, ele está contente por ser campeão africano e jogar pelo Chelsea. "É uma sensação incrível", descreve. "É bom ganhar a Copa das Nações, já que tinha sido uma longa espera. Foi a terceira vez em que a Nigéria ganhou, e por isso ficamos muito satisfeitos quando vencemos."

Como campeões africanos, os nigerianos representarão o seu continente na Copa das Confederações da FIFA ainda neste ano, e Moses está bastante animado com a chance de disputar o torneio. "Representar a Nigéria no Brasil significa muito para mim, e não só para mim, mas para toda a nação. Estamos todos ansiosos. Estamos muito contentes por ir para lá."

A Nigéria caiu no Grupo B da competição, contra a campeã mundial Espanha, o campeão sul-americano Uruguai e o misterioso Taiti, campeão da Oceania. "Não vejo a hora de jogar contra a Espanha", comenta Moses. "Vai ser maravilhoso, não só para mim, mas para os outros jogadores também. Ter a oportunidade de jogar contra alguns dos maiores jogadores do mundo é ótimo. Estamos muito felizes, mas a coisa mais importante era vencer a Copa das Nações. Depois de termos conseguido, agora estamos ansiosos para ir ao Brasil. "