Superáguias voam alto rumo ao Brasil
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Como sempre, a Copa Africana de Nações foi um torneio bastante interessante, que proporcionou mais do que sua costumeira dose de zebras. Mas, no fim, um nome conhecido saiu vitorioso: a Nigéria ganhou seu terceiro título continental e, com isso, o direito de disputar no meio do ano a Copa das Confederações da FIFA Brasil 2013.

Somente 12 meses depois da última edição da competição – o curto intervalo entre ambas se deveu à mudança da disputa da Copa Africana para os anos ímpares –, o torneio organizado pela África do Sul mostrou uma reviravolta no futebol do continente. Um exemplo claro foi o fato de a Nigéria sequer ter se classificado para a Guiné Equatorial/Gabão 2012, enquanto a nova vice-campeã Burkina Fasso não havia pontuado há um ano.

O campeão
A Nigéria chegou à Copa Africana de Nações um pouco longe dos holofotes, mas, quando alcançou o melhor de sua forma, nunca pareceu sob pressão. Comandada pelo astuto técnico Stephen Keshi, carinhosamente chamado de "o Chefão", a equipe mostrou organização, equilíbrio e motivação, e terminou como merecida campeã.

Apesar do começo em marcha lenta no Grupo C, com empates com Burkina Faso e Zâmbia, o conjunto do país mais populoso da África ganhou as quatro partidas seguintes, eliminando pelo caminho de forma convincente Costa do Marfim e Mali, números 1 e 3 do continente no ranking mundial, respectivamente. Depois de perder quatro finais na história – a última, diante de Camarões no ano 2000 –, a Nigéria voltou a dar voltas olímpicas com um único e belo gol na final contra os burquinenses no Estádio FNB, antigo Soccer City.

Os favoritos
Campeã de 2012, a Zâmbia foi eliminada já na fase de grupos. No entanto, tira o peso do adeus precoce o fato de o conjunto ter caído na mesma chave dos dois finalistas da edição deste ano. Por outro lado, foi a primeira vez que a então detentora do título se despedia tão cedo do torneio desde a Argélia em 1992.

Já a Costa do Marfim, vice-campeã do ano passado, estava pela quinta vez seguida entre os principais candidatos à taça antes do início do torneio, mas não conseguiu engrenar quando enfrentou a Nigéria nas quartas de final. Foi uma competição letárgica para os marfinenses, que muito provavelmente viram Didier Drogba jogar sua última edição. O capitão e ídolo da equipe raramente mostrou seu melhor, mas o mesmo pode ser dito sobre a maioria dos outros craques da seleção.

Da mesma forma, Gana não esteve à altura das expectativas depois da primeira fase, embora tenha conseguido chegar à semifinal pela quarta vez consecutiva. Os ganeses foram elogiados após a boa vitória por 2 a 0 sobre o surpreendente Cabo Verde nas quartas, mas assistiram aos burquinenses jogarem muito melhor na etapa seguinte, quando deram adeus nos pênaltis. Então, pela segunda vez seguida, perderam para Mali na decisão do terceiro lugar.

As surpresas
Sem dúvida Burkina Fasso foi a grande zebra, mesmo sendo uma velha frequentadora da Copa Africana de Nações, já que esteve em oito das últimas dez edições. No entanto, somente em uma conseguiu passar da primeira fase – chegou à semifinal em 1998, quando organizou a competição – e precisou da inspiração do técnico Paul Put para mostrar a bravura e o talento que exibiu em campo.

Por outro lado, para os países do norte da África foi um choque que nenhum de seus representantes tenha conseguido passar da fase de grupos – foi a primeira vez desde 1992 que isso aconteceu. Tunísia, Argélia e Marrocos tropeçaram já na primeira barreira.

Em compensação, foi um torneio fantástico para os conjuntos da África Ocidental. Não só todos os semifinalistas vieram da região pela primeira vez na história, como também Togo e o estreante Cabo Verde chegaram às quartas de final, algo que nunca antes havia ocorrido.

Os craques
O nigeriano Emmanuel Emenike marcou quatro gols com a bola rolando e ganhou a Chuteira de Ouro, enquanto Sunday Mba foi um improvável herói para o conjunto, já que marcou os gols das vitórias contra Costa do Marfim e Burkina Fasso, mostrando em ambas grande habilidade, controle de seus movimentos e visão de jogo. Na defesa das Superáguias, o goleiro Vincent Enyeama foi mais uma vez o ponto de referência de uma jovem e promissora zaga com talento suficiente para deixar o até então capitão Joseph Yobo fora do time. No entanto, os verdadeiros craques da Nigéria foram John Obi Mikel e Victor Moses, do Chelsea. Os dois sem dúvida deram à equipe liderança, solidez e força física.

Entre os vice-campeões, Jonathan Pitroipa foi uma inspiração pelas laterais, merecidamente ganhando o prêmio de melhor jogador do torneio. O atacante Alain Traoré marcou três vezes nos dois primeiros compromissos, mas então sofreu uma lesão na perna e precisou voltar mais cedo para casa. No entanto, seu substituto Aristide Bancé, que chamou a atenção com seus cabelos loiros e arrepiados, mostrou força e atrevimento, tornando-se uma opção.

O ganês Wakaso Mubarak, de 22 anos, também marcou quatro vezes – três, de pênalti –, enquanto o jovem tunisiano Youssef Msakni fez o gol mais bonito da competição ao chutar certeiro do canto da grande área e dar a vitória a seu país contra a Argélia. Já Seydou Keita jogou sua sexta Copa Africana e mostrou provavelmente seu melhor futebol. O ex-craque do Barcelona comandou um talentoso meio-campo com muita segurança.

Você sabia?
Burkina Faso, que só somou quatro pontos nas últimas cinco edições da competição, é o país de pior classificação a ter chegado à final (92º no ranking mundial). Curiosamente, o conjunto só ganhou o direito de ir à África do Sul com um gol aos 51 minutos do segundo contra a República Centro-Africana nas eliminatórias.

O número
2
– Apenas dois homens ganharam a Copa Africana de Nações como jogador e técnico. Stephen Keshi, capitão da Nigéria campeã em 1994, se une ao egípcio Mahmoud El Gohary.

O que eles disseram
"O céu é o limite para este time."
Stephen Keshi, sobre seus jovens campeões