Drogba: "Podemos vencer desta vez"
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Assim como muitos dos seus colegas de seleção, Didier Drogba é um jogador multicampeão pelos clubes que defendeu na carreira. No entanto, ele guarda uma frustração: a de nunca ter conquistado um grande título pela Costa do Marfim. Aos 34 anos, o artilheiro corre contra o tempo e garante ao FIFA.com que a conquista da Copa Africana de Nações, competição que está em andamento na África do Sul, seria a forma perfeita para encerrar este jejum.

No ano passado, a Costa do Marfim chegou à final do torneio, disputado no Gabão e na Guiné Equatorial. Na decisão, era favorita diante da Zâmbia. Aos 25 minutos do segundo tempo, com o placar em branco, os marfinenses tiveram um pênalti a seu favor, mas Drogba desperdiçou a cobrança. Embora o centroavante tenha acertado a batida na decisão por pênaltis após o empate com bola rolando, os zambianos venceram por 8 a 7. O curioso é que, apesar de ter acertado a última cobrança da disputa de pênaltis que deu o título da Liga dos Campeões da UEFA ao Chelsea no ano passado, Drogba é também lembrado na África por ter perdido uma cobrança na decisão do torneio continental de 2006, do qual o Egito sagrou-se campeão.

Mesmo assim, o atacante mantém o pensamento positivo para aquele que será certamente um duríssimo confronto nas quartas de final, no próximo domingo, contra a bicampeã Nigéria. O duelo será uma parada indigesta rumo à decisão, que ocorrerá no dia 10, em Johanesburgo. "Eu realmente espero que possamos vencer o torneio desta vez", afirmou o goleador. "Tem sido uma longa espera para nós, e seria importantíssimo se pudéssemos ganhar", disse Drogba, após o último jogo da fase de grupos, no qual a Costa do Marfim empatou em 2 a 2 com a Argélia. Os campeões de 1992 jogaram essa partida com a liderança da fase de grupos já assegurada, após vencerem Togo e Tunísia.

Na vitória por 3 a 0 sobre os tunisianos, Drogba começou o jogo no banco de reservas — pela primeira vez nos últimos tempos ele deixava de iniciar um jogo pela seleção. Mesmo assim, o técnico Sabri Lamouchi ressaltou que o centroavante ainda é uma peça importante da equipe, e não se disse preocupado com o nível físico de Drogba, embora ele pouco tenha atuado nos últimos três meses. "Não estou preocupado", ressalta Lamouchi. "Nós o vemos trabalhar todos os dias. Ele está crescendo dia após dia. Esperamos poder avançar o máximo que pudermos, e ele será um elemento-chave no nosso sucesso no futuro. Não estamos preocupados com ele, e ele próprio não se preocupa com isso."

Contra a Argélia, Drogba voltou a iniciar uma partida. O gol que marcou aos 32 minutos do segundo tempo iniciou uma reação da Costa do Marfim, que empatou um jogo que perdia por 2 a 0. Perguntado sobre o seu desempenho, Drogba respondeu com a modéstia que lhe é costumeira. "Prefiro não comentar a minha atuação individual, mas o desempenho da equipe", iniciou. "O gol que marquei não teve nada de especial, não nos deu uma vitória. Apenas nos ajudou a conquistar o empate."

Para ele, um atento observador do jogo, aquele confronto provou duas coisas. "Primeiro, pagaremos caro se deixarmos de nos esforçar", advertiu. "E segundo, quando decidimos ir para cima, mostrando determinação, vimos que há qualidade na equipe. Espero que tenhamos aprendido estas lições. Foi também bom constatar que pudemos reagir após estarmos perdendo por dois gols de diferença. Mostramos muita personalidade e força, e é melhor ter de fazer estas correções durante a fase de grupos do que mais tarde."

Um encontro com Mikel
Sobre o confronto contra a Nigéria, em Rustemburgo, Drogba admite que o compromisso é complicado. "Será um jogo difícil, contra uma seleção que também pretende ir longe no torneio", projetou o artilheiro. "A Nigéria é uma seleção muito forte, com um futebol muito físico. Stephen Keshi vem fazendo um bom trabalho, mas eu espero que a Costa do Marfim vença e avance. Mas não será fácil."

Drogba reencontrará o ex-companheiro de clube Jon Obi Mikel nas quartas de final. "Será difícil e duro, todos sabem o quanto ele (Mikel) é bom e o que ele fez pelo Chelsea na final da Liga dos Campeões, como um dos melhores jogadores daquela partida", recordou o marfinense. "Mas agora eu jogarei contra ele. Nós vamos rir antes da partida. Durante o jogo será dureza, mas aí vamos rir de novo após o apito final, pois somos bons amigos. Ele é um irmão para mim."

Falando sobre a carreira profissional, Drogba não quis comentar a polêmica transferência do Shanghai Shenhua, da China, para o Galatasaray, da Turquia. "Estou concentrado na Copa Africana de Nações, e quero vencê-la", respondeu.

A Costa do Marfim foi considerada favorita nas últimas cinco edições da Copa Africana de Nações. Para muitos dos seus torcedores, o ano de vencê-la finalmente chegou. E é possível que Drogba, que disputou cinco jogos nas Copas do Mundo da FIFA de 2006 e 2010, tenha uma nova chance de brilhar em competições de nível mundial ainda neste ano, na Copa das Confederações da FIFA, competição na qual o campeão da Copa Africana de Nações 2013 enfrentará Espanha, Uruguai e Taiti.