Manucho: "Angola ainda pode avançar"
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Passadas duas rodadas no Grupo A da Copa Africana de Nações, a seleção de Angola obteve apenas um ponto até o momento. A equipe terá trabalho se quiser prolongar a estadia na África do Sul para além da fase de grupos. No entanto, o capitão e principal astro da equipe, o atacante Alberto Mateus Contreiras, mais conhecido como Manucho, garante que os angolanos se mantêm otimistas. E a inusitada inspiração vem da campanha do Sudão no torneio do ano passado.

"Na última Copa Africana de Nações, na Guiné Equatorial e no Gabão, o Sudão passou por uma situação semelhante: depois de dois jogos, tinha conseguido apenas um ponto", lembra Manucho, após a derrota por 2 a 0 para a África do Sul nesta quarta-feira. "Mas foram eles que se classificaram junto com a Costa do Marfim para a próxima fase, indo para quatro pontos após vencerem Burkina Fasso no último jogo. Nós voltamos para casa com os mesmos quatro pontos depois de perdermos a partida derradeira, contra a Costa do Marfim. Por isso, esperamos que a história se repita, mas desta vez com o nosso país passando de fase.”

O empate em 1 a 1 entre Cabo Verde e Marrocos, no segundo jogo disputado nesta quarta-feira pelo Grupo A, deixou Angola fora da zona de classificação para a próxima fase, e somente uma combinação de resultados classificará os angolanos. Para manter as chances vivas, eles precisam vencer o próximo compromisso. Manucho, que está disputando a Copa Africana de Nações pela quarta vez — ele tem oito gols marcados no torneio até hoje —, está ciente de que o último confronto da chave, contra Cabo Verde, será complicado. "Precisamos deixar a partida contra a África do Sul para trás e focar no próximo jogo", filosofa. "Tenho certeza de que será uma partida difícil, pois Cabo Verde já provou ter um bom time.”

Manucho, que foi jogador do Manchester United por várias temporadas (embora tenha atuado pouco pelo time inglês), mostrou desapontamento com a atuação da equipe diante dos anfitriões, que venceram com gols de Siyabonga Sangweni, no primeiro tempo, e do reserva Majoro, aos 15 minutos da etapa final. "Demoramos para entrar no de fato no jogo", critica. "A África do Sul veio para cima, e, quando finalmente conseguimos impor alguma pressão, já era tarde demais.”

Atualmente jogador do Real Sociedad no futebol espanhol, Manucho acredita que o fato de o estádio Moses Mabhida (construído para a Copa do Mundo da FIFA 2010) ter recebido quase a lotação máxima de 56 mil torcedores ajudou os anfitriões a vencerem a partida diante dos angolanos, que impuseram pouca resistência. "O grande público presente realmente apoiou a equipe, e nós não soubemos tirar proveito, como muitas vezes acontece em jogos assim."

Pressão como atacante
Manucho, 29 anos, recebeu forte marcação da defesa sul-africana durante os 90 minutos, tendo apenas uma chance real de marcar, de cabeça. Parou nas mãos do goleiro Itumeleng Khune, que fez grande defesa e impediu o gol. Mas o grande artilheiro não se mostra nervoso pelo fato de Angola não ter feito nenhum gol nos dois primeiros jogos até agora. "Como um goleador, é normal que haja muita pressão sobre mim", reconhece. "Estou acostumado a isso e preciso lidar com a situação. Todo time quer anular o artilheiro do adversário.”

Em 2006, Angola viveu um verdadeiro conto de fadas na sua viagem à Copa do Mundo da FIFA, disputada na Alemanha. O país, que havia passado por uma recente guerra civil, empatou com México e Irã e perdeu apenas de Portugal em um clássico lusófono. Desde lá, os angolanos se fizeram presentes em todas as edições da Copa Africana de Nações, embora nunca tenham conseguido atingir o nível esperado por muitos após a participação no Mundial de 2006. Ao todo, esta é a sétima participação de Angola no certame continental. Em duas oportunidades, a seleção passou da fase de grupos: em 2008 e em 2010, como anfitriã. Mas isso parece pouco para sugerir que uma terceira classificação às quartas de final possa vir agora.

Manucho não se diz surpreso pelo fato de o selecionado precisar de algum tempo para se afirmar. "Em 2006, tínhamos vários jogadores experientes", recorda o artilheiro. "Muitos deles já pararam de jogar. Agora temos uma equipe jovem, que está passando por um processo de renovação. Muitos desses jovens estão jogando a Copa Africana pela primeira vez. É normal ocorrerem tropeços."

Mesmo que tenha tropeçado, a seleção de Angola se mantém viva na briga e pode continuar sonhando com uma segunda participação em torneios internacionais. Afinal, se superar as expectativas e for campeão africano, o país de língua portuguesa estará classificado para a Copa das Confederações da FIFA Brasil 2013, a ser disputada no próximo mês de junho.