Copa Africana arranca sem favorito claro
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A 29ª Copa Africana de Nações começa neste sábado, 19 de janeiro, com a expectativa global de mais um torneio emocionante e surpreendente. Há um ano, na edição organizada conjuntamente por Gabão e Guiné Equatorial, a Zâmbia foi a grande zebra, derrotando Gana e Costa do Marfim e erguendo o primeiro troféu continental de sua história. 

Agora, a atual campeã aparece ao lado dos mesmos adversários como uma das favoritas ao título, que vale vaga na Copa das Confederações da FIFA Brasil 2013. Quem também está de olho em um espaço na decisão, marcada para 10 de fevereiro no Estádio Soccer City de Johanesburgo, são a bicampeã Nigéria, o Mali, terceiro colocado no ano passado, e a anfitriã África do Sul, que só venceu a competição uma única vez – justamente jogando em casa, em 1996.

Os favoritos
Zâmbia
continua sendo comandada pelo inspirador técnico francês Hervé Renard, e conta no mínimo com um conjunto mais forte do que no ano passado. No entanto, os zambianos ganharam apenas três dos 11 jogos que fizeram desde a vitória nos pênaltis sobre a Costa do Marfim na final de 2012, em fevereiro. Além disso, só se classificaram para a defesa do título graças a um dramático triunfo sobre Uganda por 9 a 8 nas penalidades máximas. Por outro lado, é uma equipe experiente, que não parece ter medo de encarar nenhum adversário na hora H. A atual campeã abre o Grupo C contra a Etiópia, que volta ao torneio depois de 31 anos de ausência, e então enfrenta a Nigéria em um encontro que deve determinar o vencedor da chave.

Qualquer deslize dos zambianos, porém, será certamente aproveitado por Costa do Marfim e Gana, as duas seleções mais experientes e elogiadas do continente. Ambas estiveram nas duas últimas Copas do Mundo da FIFA e jogaram três semifinais nas quatro últimas edições da competição continental. Em compensação, um ar de desespero paira sobre os dois gigantes africanos. Os marfinenses, agora comandados pelo também francês Sabri Lamouchi, em seu primeiro trabalho como técnico, estão ansiosos por conquistar um troféu naquela que pode ser a participação final de Didier Drogba, já com 34 anos. Enquanto isso, os ganeses estão atrás de seu quinto título desde 1982.

Correndo por fora
Mali
terminou na terceira colocação no ano passado, mas, apesar de contar com um elenco que transpira talento, está acostumado a passar despercebido. Os malineses só se classificaram para oito das 29 edições da competição, mas chegaram às semifinais em cinco dessas ocasiões. Por isso, provavelmente lutarão pela primeira posição do Grupo B com Gana e República Democrática do Congo – primeiro adversário dos ganeses. Já no Grupo D, quem tentará acompanhar a Costa do Marfim é uma dupla norte-africana: Tunísia e Argélia. Os tunisianos não chegam a uma semifinal desde que ganharam a Copa Africana em casa em 2004. Por outro lado, conseguiram passar da fase de grupos em três das últimas quatro competições. Por sua vez, os argelinos precisaram esperar 20 anos para voltar à penúltima etapa do torneio. Depois dos momentos áureos vividos na década de 80 e o título continental em 1990, eles só alcançaram uma semifinal em 2010 – ano em que também regressaram à Copa do Mundo da FIFA –, quando surpreenderam os marfinenses nas quartas de final.

Já o Marrocos é uma seleção pouco experiente, mas com ar de azarão do Grupo A, no qual a África do Sul, comandada por Gordon Igesund, tem o peso das expectativas sobre seus ombros – e isso porque os anfitriões só se classificaram automaticamente após a Líbia desistir de organizar a competição. Completando a lista, a Nigéria conta com o técnico Stephen Keshi, que foi uma das peças-chave do título do conjunto em 1994. O "Chefão", como é conhecido, já impôs sua autoridade em um conjunto que às vezes parece ter os nervos à flor da pele e busca sua primeira final continental desde 2000.

Fique de olho
Melhor jogador da última edição, Christopher Katongo é mais uma vez o capitão e principal nome do ataque da Zâmbia, que também conta com a força ofensiva de Jacob Mulenga, Emmanuel Mayuka e Rainford Kalaba. No extremo oposto do gramado, o goleiro Kennedy Mweene esteve inspirado em 2012, assim como o zagueiro Stoppila Sunzu, que converteu o pênalti do título. Já a Costa do Marfim é comandada a partir do ataque por Didier Drogba, acompanhado por Gervinho e Salomon Kalou, mas exibe uma espinha dorsal sólida e de muita experiência, responsável pelos êxitos do selecionado. Os irmãos Kolo e Yaya Touré são fundamentais nos trabalhos defensivos no meio-campo, assim como os também meias Cheick Tioté e Didier Zokora e o goleiro Boubacar Barry.

O meio de campo também é igualmente importante para Gana, que confia na dupla Kwadwo Asamoah e Emmanuel Agyemang-Badu, que atua no futebol italiano, e em Anthony Annan, do Osasuna espanhol, na ausência das estrelas Michael Essien, Andre Ayew, Kevin-Prince Boateng e Sulley Muntari. O capitão Asamoah Gyan é o principal nome do ataque, enquanto John Paintsil é o mais experiente na defesa, ao lado de um talentoso grupo de jogadores que vêm surgindo. Na Nigéria, John Obi Mikel está de volta, enquanto seu colega de Chelsea Victor Moses tem a responsabilidade de levar perigo na frente. Na defesa, o capitão Joseph Yobo jogará sua sexta Copa Africana.

Steven Pienaar é uma baixa para a seleção anfitriã, que conta com vários nomes conhecidos desde a última Copa do Mundo da FIFA, incluindo o jovem zagueiro Bongani Khumalo, agora convertido em capitão da equipe. Quem também disputa sua sexta edição do torneio é o icônico Seydou Keita, líder do meio-campo do Mali, que não contará com Mahamadou Diarra, contundido, mas pode recorrer a Momo Sissoko, que retorna ao conjunto. Além disso, no ataque os malineses contam com Cheick Diabaté e Modibo Maïga. Outros atacantes que merecem atenção são Emmanuel Adebayor, convocado de última hora para o Togo; Manucho, capitão de Angola; o nigerino Moussa Maâzou; a dupla da República Democrática do Congo Trésor Mabi Mputu e Déo Kanda, ambos do Mazembe; e o tunisiano Issam Jemaa.

O número
10
– É o total de vezes que a Nigéria chegou às semifinais da Copa Africana de Nações nas últimas 11 edições do torneio.

O que eles disseram
"Seria ótimo finalmente erguer a taça. Para ser sincero, estamos ficando cansados de perder toda vez que chegamos tão perto."
Didier Drogba, atacante da Costa do Marfim

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