Jemaa: "Desta vez quero o título"
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Quando a Copa Africana de Nações 2013 começar neste sábado, 19 de janeiro, o tunisiano Issam Jemaa dará início a sua quinta participação no torneio continental. Com o título africano e uma vaga na Copa das Confederações da FIFA em jogo, o atacante de 28 anos está determinado a arriscar tudo.

Nascido na cidade de Gabès, o jogador passou por muitos altos e baixos em sua carreira. Depois de começar a vida profissional no Espérance, clube grande da capital de seu país, Jemaa se mudou para a França, onde vestiu as camisas de nada menos do que quatro clubes em sete anos. Então, finalmente se firmou no Al Kuwait, clube do país do Golfo Pérsico que chegou ao título da última Copa da AFC sob a liderança em campo do tunisiano. Com esse triunfo na bagagem e como capitão de sua seleção, este calejado atacante espera agora comandar a Tunísia em sua busca por se tornar o melhor conjunto da África.

Começo impressionante
Apenas dois anos após estrear no Espérance, um jovem Jemaa foi convocado pelo então técnico da Tunísia, o francês Roger Lemerre, para o elenco que disputaria a Copa das Confederações da FIFA 2005. No terceiro e último jogo do selecionado naquele torneio, contra a Austrália, Jemaa entrou em campo como substituto, dando início a sua carreira na seleção.

"Cheguei à equipe pouco tempo depois do primeiro título da Tunísia na Copa Africana", relembra Jemaa em entrevista ao FIFA.com. "O técnico Lemerre tinha muita confiança em mim. Logo depois de ter ido para o Lens, na França, ganhei uma chance de jogar. Aprendi muito com a Copa das Confederações."

A conversa passa então ao tempo em que ele esteve em território francês, onde defendeu também o Caen, o Auxerre e o Brest. "Tenho excelentes lembranças da França, mas principalmente do Lens, onde vivi uma boa fase em um clube grande", recorda entusiasmado o atacante de 1,85 m de altura.

"Aquele clube me deu muita coisa, e aprendi muito. Conheci muita gente que realmente me ajudou, principalmente o presidente Gervais Martel. Meu período no Lens me deixou as melhores lembranças de minha passagem por aquele país", acrescenta.

Decepção no caminho
Apesar de começar com tudo na França, Jemaa também viveu suas maiores decepções como profissional no país. Uma contusão em um jogo do campeonato nacional o deixou de fora da Copa do Mundo da FIFA Alemanha 2006. Quatro anos depois, nas eliminatórias para a África do Sul 2010, seu sonho de compensar aquela ausência ruiu com o gol de Dário Monteiro, que deu a vitória a Moçambique e eliminou a Tunísia na última rodada.

"Em 2006, me contundi uma semana antes do primeiro jogo da Copa. Aquilo realmente me abalou na época. Mas tentei ver o lado positivo de tudo, e me fiz trabalhar duro porque podia conseguir outra chance", conta.

Moçambique, porém, tinha outros planos naquele jogo em novembro de 2009, válido pela terceira fase das eliminatórias africanas, e novamente deixou Jemaa desconsolado. "Não sei o que dizer", diz o atacante com tristeza. "Não tínhamos perdido nenhum jogo até então e tudo ia bem até os 38 do segundo tempo. Mas caímos muito de rendimento, sentimos a pressão e sofremos um gol que acabou nos eliminando", resume.

Apesar desses reveses, o viajado Jemaa prefere olhar para um futuro que promete ser animador. A Tunísia começou em ritmo forte no torneio classificatório para o Brasil 2014, ganhando as duas partidas que fez pelo Grupo B até agora – o atacante marcou um gol em cada uma, depois de também ter balançado a rede nas campanhas tunisianas para a Alemanha 2006 e a África do Sul 2010. Agora, mostra confiança, embora seja cauteloso.

"Não caímos em um grupo fácil", explica. "Jogamos duas vezes e estamos bem, na liderança. Agora temos que continuar jogando no mesmo nível para nos classificar para a última fase e garantir que então tenhamos a vantagem."

Sonho continental
O atual técnico da Tunísia, Sami Trabelsi, montou uma equipe altamente experiente para a nova tentativa de conquistar o título africano – seria o segundo do país. Jemaa disputou as quatro edições anteriores da competição e desta vez espera levar o troféu para casa pela primeira vez.

"Eu joguei a Copa Africana pela primeira vez em 2006", afirma o jogador. "Tenho ótimas lembranças da competição, embora eu fosse uma das últimas opções da equipe naquele tempo. Este torneio tem um sabor especial. Espero fazer uma grande atuação na África do Sul."

Mas os tunisianos não terão vida fácil pela frente. Sorteados no Grupo D, eles estrearão na terça, dia 22, contra ninguém menos do que seus vizinhos e rivais da Argélia, e depois terão pela frente pesos-pesados como a Costa do Marfim e o Togo. Para Jemaa e seus companheiros, o clássico norte-africano é um jogo no qual é preciso vencer ou vencer. "Se queremos começar bem, temos que ganhar a primeira partida", resume. "Uma vitória sobre a Argélia nos daria uma injeção de ânimo enorme. Todos os compromissos desta chave serão igualmente difíceis e muito equilibrados. Espero que estejamos totalmente concentrados, tanto psicológica quanto fisicamente, e que consigamos ir até o fim em nosso objetivo."

Preparo físico e psicológico são importantes, mas Issam Jemaa tem ainda outro trunfo –sua experiência como atacante que vai para o quarto torneio continental da carreira. Quando entrar em campo na semana que vem, ele buscará dar tudo de si na esperança de erguer o troféu africano no próximo dia 10 de fevereiro.