Gyan: "Podemos quebrar o jejum"
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A trajetória de Asamoah Gyan na seleção de Gana é marcada por altos e baixos. Entre confusões e polêmicas, o atacante colecionou gols e vitórias. De volta à equipe após um afastamento voluntário, ele se diz otimista sobre as chances de um quinto título continental para o país na Copa Africana de Nações (CAN), que será disputada este mês.

Campeões em 1963, 1965, 1978 e 1982, os Estrelas Negras chegaram às semifinais das últimas três edições do torneio e agora estão ansiosos para quebrar o tabu na África do Sul, onde concorrerão com outros 15 adversários.

Às vésperas de disputar a quarta CAN da sua carreira, Gyan tem um histórico de apenas cinco gols na competição, mas diz que o total de 28 tentos anotados em 60 partidas com o uniforme nacional é a melhor resposta aos seus detratores. "As críticas não me incomodam, porque a minha média de gols na seleção é incrível", declarou recentemente ao FIFA.com. "É natural que as pessoas esperem gols de um atacante, mas nem sempre é possível. Às vezes você precisa criar chances para que os outros também marquem. Procuro sempre dar o meu melhor para ajudar a equipe a vencer."

Hoje com 27 anos, Gyan ainda não havia nascido quando Gana conquistou pela última vez um título de expressão com a sua seleção principal, mas garante haver um clima positivo no grupo, que, pelas campanhas recentes, tem motivos para estar otimista. "Estou muito confiante de que podemos quebrar o jejum e encerrar a longa espera pelo título africano", disse.

Idas e vindas
Por duas vezes na carreira, Gyan chegou a anunciar a sua aposentadoria precoce da seleção, motivado por críticas de torcedores. Na última delas, após o campeonato africano do ano passado no Gabão e na Guiné Equatorial, ele acabou voltando atrás quatro meses depois.

Apesar desses episódios, o capitão sempre conviveu muito bem com os colegas e hoje leva a sério a responsabilidade que lhe cabe numa seleção que ao longo da história se acostumou a jogar sob a liderança de jogadores como Abedi Pelé, Stephen Appiah e, mais recentemente, John Mensah. "Tenho um grande respeito pelo Appiah", revelou Gyan. "Foi um grande líder tanto dentro quanto fora de campo, assim como o Mensah. Eles me ensinaram muita coisa. Espero que, com a ajuda dos meus companheiros, possamos ir até o final."

Na caminhada rumo ao topo do continente, os Estrelas Negras terão pela frente Mali, República Democrática do Congo e Níger pelo Grupo B, com jogos em Port Elizabeth. Para Gyan, antes de pensar nas favoritas Costa do Marfim, Nigéria e Zâmbia, atual campeã, a seleção ganesa precisa superar a difícil missão da primeira fase. Mali, por exemplo, bateu Gana na disputa pela medalha de bronze da última CAN. "Nenhum adversário pode ser subestimado", ressaltou o jogador. "Os quatro países do grupo são fortes. Enfrentamos o Mali no torneio de 2012 e vimos do que eles são capazes. Níger, embora não seja uma potência, tem uma boa seleção e sempre pode surpreender."

Antes de desembarcar na África do Sul, o conjunto ganês treinará em Abu Dhabi, cidade onde o atacante é idolatrado pelas atuações com a camisa do clube local Al Ain. Gyan é o atual artilheiro da liga dos Emirados Árabes Unidos com 21 gols, apenas um a menos do que o seu total na temporada passada.

Aliás, o ano que passou foi sem dúvida o melhor da trajetória profissional do goleador, que já defendeu Udinese, Modena, Rennes e Sunderland. Além de ter conquistado o seu primeiro título nacional e a artilharia da competição, ambos pelo Al Ain, ele foi nomeado capitão de Gana. Dias depois de receber a braçadeira, no entanto, Gyan foi abalado pela morte da mãe em um acidente de carro. "(2012) foi um ano positivo para a minha carreira, mas com bons e maus momentos. Perder a minha mãe foi muito doloroso. Mas agora me sinto mais forte e concentrado."

De volta à África do Sul
Dolorosa para Gyan é também a sua última lembrança da África do Sul: o pênalti perdido nos segundos finais da partida contra o Uruguai na Copa do Mundo da FIFA 2010, que poderia ter colocado Gana em uma semifinal histórica. Depois de desperdiçar outra cobrança, na derrota dos Estrelas Negras para a Zâmbia na última CAN, o atacante desistiu de ser o batedor da seleção.

Embora seis dos seus 21 gols pelo Al Ain na atual temporada tenham saído da marca dos 11 metros, as duas falhas com o uniforme nacional continuam a assombrá-lo. "Não cobrarei mais pênaltis por Gana", afirmou Gyan. "Minha mãe já tinha me recomendado isso, e agora que ela não está mais aqui, preciso seguir o seu conselho."

Depois do torneio continental, Gana terá pela frente a sequência das eliminatórias para o Brasil 2014. Gyan ficou de fora dos jogos contra Lesoto e Zâmbia, disputados durante o seu afastamento da seleção, mas já se comprometeu a vestir a camisa nas próximas partidas para ajudar o país a alcançar o seu terceiro Mundial consecutivo.