Zâmbia vai em busca do bicampeonato continental a partir do dia 19 de janeiro, quando começa a Copa Africana de Nações 2013 na África do Sul. Quase um ano depois da coroação em Libreville contra a favorita Costa do Marfim — com vitória por 8 a 7 nos pênaltis depois de empate sem gols —, o país pegou uma chave difícil na fase inicial, mas o técnico Hervé Renard insiste que a equipe está pronta para defender a maior conquista da sua história.

FIFA.com: Os preparativos começaram para valer no sábado, dia 15 de dezembro, em Lusaka e vão continuar por cerca de seis semanas. Como serão estruturados?
Hervé Renard: A primeira parte da preparação é com os jogadores locais, além dos que jogam pelo Mazembe e na China. No dia 22 de dezembro, vamos enfrentar a Tanzânia em Dar es Salaam. Daí, os jogadores receberão três dias de descanso, e nos encontraremos no dia 26 de dezembro em Johanesburgo. Os outros jogadores, aqueles que estão na Inglaterra e em outros lugares, vão se juntar a nós aos poucos. O grupo estará completo no dia 8 de janeiro. Vamos jogar pelo menos três amistosos: um no dia 5 de janeiro, provavelmente contra a Suazilândia, outro no dia 8 contra o Marrocos e depois vamos voltar para casa para jogar contra a Noruega em Ndola no dia 12. É possível ainda termos uma outra partida em Johanesburgo no dia 15.

Como campeões da última edição, estão pensando em repetir o título?
É claro, nada mais natural. Vamos dar conta das nossas responsabilidades, mesmo que não sejamos os favoritos da competição. Costumo dizer que na Copa Africana de Nações 2012 fomos os melhores do torneio, mas não necessariamente os melhores da África. Vamos dar o nosso máximo para chegar tão longe quanto possível e tentar conquistar o bicampeonato, claro.

Quem é o seu favorito?
A Costa do Marfim. Mas, além dos marfinenses e da Zâmbia, há várias outras equipes que podem vencer o campeonato: Gana, África do Sul e algumas seleções menos badaladas como Tunísia, Mali, Argélia e Nigéria.

Você teve a impressão de que os zambianos foram subestimados em 2012?
Para falar a verdade, não. Sabe, a Zâmbia tem se mantido consistentemente competitiva há quase 20 anos na África. Ela tem mantido presença regular nas competições, frequentemente chegando à segunda fase. Mas a nossa vitória provavelmente surpreendeu muita gente, poucos esperavam que percorreríamos todo o caminho. Eu sabia que podíamos fazer algo. Agora, vamos nos concentrar na primeira fase, porque o que nos espera parece complicado.

Qual é o seu principal rival no Grupo C?
Não subestimo ninguém. Estou ressabiado com a Etiópia, que eliminou o Benin e o Sudão, e é uma equipe difícil de enfrentar. Mas os dois principais rivais são Burkina Fasso, que com Alain Traoré e Jonathan Pitroipa tem jogadores muito bons, e a Nigéria, é claro, que acabou de ter um ótimo ano com Stephen Keshi. Os nigerianos ficaram de fora no ano passado, e eles vão querer dar um show no seu retorno.

A sua seleção está mais forte após a vitória em Libreville?
A Zâmbia deu alguns passos na direção certa, com certeza. Nós amadurecemos, temos mais confiança. É um progresso. No amistoso que ganhamos na África do Sul por 1 a 0 em novembro eu senti que essa impressão se confirmou. Após a Copa Africana de Nações, derrotamos Gana de novo por 1 a 0 nas eliminatórias da Copa de 2014, quatro meses depois de ganharmos nas semifinais. Esses são bons exemplos.

A equipe não deve ter grandes mudanças?
Não. Será quase o mesmo grupo, mais ou menos 80% ou 85%. Mas vamos acrescentar jogadores importantes como Emmanuel Mbola (jogador do Porto), que foi suspenso antes da Copa Africana de Nações 2012, bem como Jacob Mulenga (do Utrecht), Collins Mbesuma (do Orlando Pirates) e William Njovu (do Hapoel Be'er Sheva), que não estiveram na competição por razões técnicas.

Depois do sucesso em Libreville você recebeu muitas ofertas, algumas muito lucrativas. Continua sendo abordado?
Sim, há ofertas vindas do Golfo Pérsico, mas também da China. Eu poderia ganhar mais dinheiro em outro lugar, mas tenho um projeto na Zâmbia. É verdade que, em junho, quando eu não estava sendo pago, senti que a seleção não estava sendo colocada nas melhores condições, inclusive quanto ao transporte, e ameacei sair. Mas desde então tudo se acertou. É possível até que eu renove o meu contrato, que acabará em julho de 2014. Aqui ninguém interfere nas minhas decisões. Eu adoro trabalhar com certos jogadores, mesmo que seja duro com eles. Dedico muito tempo procurando jovens jogadores, também. Existe uma cultura de futebol ofensivo que eu compartilho, e a Zâmbia é um país que eu amo. As pessoas são legais e pacíficas.

Em contraste, os clubes do seu país natal, a França, não parecem ter demonstrado muito interesse em você...
Muitas vezes é assim. Quando você é técnico na África, algumas pessoas não lhe dão muita credibilidade. No entanto, há pessoas como Éric Gerets, Paul Le Guen e Vahid Halilhodžić que treinaram ou treinam com sucesso neste continente. Mas eu não estou desapontado. Afinal, quem dirige clubes na França talvez não tenha mente aberta o suficiente para olhar o que está acontecendo na África.