
Com a vitória de 4 a 0 sobre a Itália na final da UEFA Euro 2012, a Espanha conseguiu uma notável tríplice coroa: o país se tornou o primeiro na história do futebol a conquistar três grandes torneios consecutivos, após os triunfos na Euro 2008 e na Copa do Mundo da FIFA 2010.
A equipe comandada por Vicente Del Bosque voltou a fazer valer o seu futebol de movimentação constante e toques de primeira para realizar uma partida impecável contra a formação italiana, que foi surpreendida pelo gol inicial e, apesar da velocidade, em momento algum ameaçou voltar para o jogo.
A Espanha, na condição de atual campeã mundial, e a Itália, finalista da Eurocopa, estão classificadas à Copa das Confederações da FIFA Brasil 2013.
O campeão
A seleção espanhola cresceu ao longo da competição. No início, chegou a dar a impressão de que havia perdido o gás dos últimos anos, mas soube administrar os seus recursos com experiência e, na final, reencontrou o futebol alegre e vistoso, os passes milimétricos e as arrancadas letais. Jogando sem um centroavante de ofício, a Fúria contou novamente com o incomparável entrosamento de Xavi e Andrés Iniesta, dupla do Barcelona sem equivalente na atualidade, além do inspiradíssimo David Silva e da visão de jogo de Jordi Alba.
Mas que ninguém se engane. Embora as principais características da Espanha sejam a circulação da bola e o ataque, o país também possui uma defesa primorosa, que sofreu um único gol durante o torneio — e nenhum nos últimos dez mata-matas que disputou em competições de ponta. A dois anos da próxima Copa do Mundo da FIFA, os espanhóis voltaram a demonstrar uma grande superioridade sobre a concorrência e provaram que estão em condições de aspirar a um quarto título em solo brasileiro.
O finalista
Apagada desde que ganhou a Copa do Mundo da FIFA 2006, a Itália foi a revelação da Euro 2012 graças a um futebol envolvente que rompeu com o seu tradicional jogo defensivo. Embora não tenha bastado para levantar a taça, a ousada aposta ofensiva do técnico Cesare Prandelli deu certo. Andrea Pirlo não rendeu o esperado na final, assim como Mario Balotelli, mas desempenhou um papel determinante no renascimento da Azzurra. A goleada sofrida na decisão certamente foi dura, ainda que as lesões de Giorgio Chiellini e Thiago Motta sejam um fator a ser levado em conta, e talvez indique o peso do trabalho que aguarda o treinador italiano nos próximos dois anos.
As surpresas positivas
Assim como a Itália, poucos esperavam ver Portugal chegando longe nos gramados do leste europeu. A equipe de Paulo Bento teve o mérito de garantir o segundo lugar no chamado grupo da morte, antes de sucumbir na semifinal diante da maturidade e da maestria dos campeões mundiais. República Tcheca e Grécia também fizeram uma boa Eurocopa, chegando às quartas de final, enquanto a sólida equipe da Croácia, superada na fase de grupos pelos dois finalistas, talvez merecesse sorte melhor.
As surpresas negativas
Entre as decepções, o maior destaque foi indiscutivelmente a Holanda. Finalistas do último Mundial jogando com a mesma equipe, os holandeses se despediram da Ucrânia e da Polônia com três derrotas na primeira fase, deixando a impressão de jamais terem entrado na competição para valer. Já a Alemanha sobreviveu à chave tida como a mais difícil vencendo os seus três jogos, mas pecou novamente pela falta de incisividade no momento decisivo. A geração dourada de Joachim Löw, incensada a cada torneio, terminou outra vez de mãos vazias após cair diante da Itália, adversário que os alemães nunca derrotaram nos principais eventos do calendário internacional. A Mannschaft agora precisa encontrar uma maneira eficaz de combinar o seu novo estilo à sede de vitória que sempre a caracterizou. Quem também deixou a desejar foi a Rússia. Semifinalista há quatro anos, o país foi eliminado na fase de grupos mesmo depois dos 4 a 1 que aplicou na República Tcheca, que terminaria na liderança da chave.
Sem surpresas
Mesmo prejudicada por diversos desfalques, a Inglaterra proporcionou uma surpresa agradável e se despediu de cabeça erguida, após a dramática derrota nos pênaltis contra a Itália ao fim de um confronto espetacular pelas quartas de final. A França, apesar de traumatizada pelo vexame na Copa do Mundo da FIFA 2010, não conseguiu confirmar o seu ressurgimento. Ainda assim, a eliminação diante da Espanha nas quartas de final corresponde ao desempenho francês no Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola. O sucessor de Laurent Blanc, porém, terá trabalho para relançar um grupo psicologicamente frágil. Por fim, vale notar os esforços dos dois países-sede, Polônia e Ucrânia, apesar de insuficientes para levá-los à segunda fase do torneio.
Os astros
É difícil destacar um único jogador no extraordinário elenco espanhol, com exceção talvez de Andrés Iniesta, pelo conjunto das atuações, e de Jordi Alba, símbolo da nova geração. No lado italiano, além do incansável Pirlo, Gianluigi Buffon voltou ao seu melhor nível e diversos jovens atletas chegam com força cada vez maior.
Cristiano Ronaldo, por sua vez, tinha tudo para ser o grande nome da Euro, mas o seu companheiro de Real Madrid Álvaro Arbeloa o conhecia muito bem para lhe deixar espaços na semifinal. O atacante português precisou se contentar com três gols e 15 finalizações na meta durante todo o torneio. Já o sueco Zlatan Ibrahimovic registrou um desempenho semelhante e balançou as redes na merecida vitória por 2 a 0 contra a França, mas não conseguiu levar o conjunto escandinavo à fase decisiva.
Apesar do carinho da torcida e da estreia arrasadora, Andriy Schevchenko (2 gols) também não conseguiu classificar a Ucrânia. O mesmo ocorreu com a Rússia de Andrei Arshavin (3 assistências) e Alan Dzagoev (3 gols).
Você sabia?
Miroslav Klose se tornou o primeiro jogador a ter disputado cinco semifinais de um grande torneio. Apesar do feito, o atacante alemão teve de se contentar com dois vice-campeonatos, na Copa do Mundo da FIFA 2002 e na Euro 2008.
O número
22 — Os gols de cabeça marcados nesta edição da Eurocopa, totalizando 32% contra 19% em 2008.
O que eles disseram
"A Copa das Confederações é a antessala da Copa do Mundo e uma boa oportunidade para avaliar o nível de certas equipes, sobretudo do Brasil. Além disso, é o único título que está faltando." Iker Casillas, goleiro e capitão da Espanha
"A classificação da Itália para a Copa das Confederações é uma conquista fantástica para nossa equipe e para o trabalho de Cesare Prandelli. Começamos um ciclo novo há apenas dois anos após a eliminação precoce na África do Sul 2010 e trabalhamos duro para levar o futebol italiano de volta ao nível que condiz com sua história. A campanha na UEFA Euro 2012 aumenta nossa perspectiva ao nos dar a chance de jogar contra as melhores seleções do mundo e ajudar a construir nosso futuro, visando à Copa do Mundo da FIFA do Brasil, em 2014." Gianluigi Buffon, goleiro e capitão da Itália
Classificação final
1 - Espanha*
2 - Itália*
3 - Portugal e Alemanha
5 - Inglaterra, República Tcheca, França e Inglaterra
Artilharia
1 - Fernando Torres (ESP): 3 gols em 189 minutos
2 - Alan Dzagoev (RUS): 3 em 253
3 - Mario Mandzukic (CRO): 3 em 270
4 - Mario Gomez (GER): 3 em 282
5 - Mario Balotelli (ITA): 3 em 421
6 - Cristiano Ronaldo (POR): 3 em 480
* Classificados à Copa das Confederações da FIFA Brasil 2013







