"Ainda há esperança", afirma Dirk Kuyt
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A Holanda tem sido uma das grandes decepções da UEFA Euro 2012 na Ucrânia e na Polônia até o momento. A seleção do técnico Bert van Maarwijk entrou na competição como uma das principais favoritas ao título e, no entanto, perdeu as suas duas primeiras partidas, primeiro contra a Dinamarca, por 1 a 0, e depois diante da arquirrival Alemanha, por 2 a 1.

Apesar de tudo, a Laranja Mecânica ainda tem chances matemáticas de se classificar, desde que derrote Portugal na última rodada e a Alemanha supere a Dinamarca. Com esse cenário de pano de fundo, o FIFA.com conversou com exclusividade com um dos mais experientes jogadores do conjunto vice-campeão mundial: Dirk Kuyt.

Decepção geral
Sem meias palavras, o atacante recentemente contratado pelo Fenerbahçe, da Turquia, reconhece que o desempenho da seleção tem deixado a desejar. "Tínhamos grandes expectativas antes do torneio, e não ter conseguido somar nenhum ponto após dois jogos é definitivamente muito decepcionante", afirmou, sem tergiversar.

Especialmente dolorosa foi a derrota diante da Alemanha, a maior rival dos holandeses, que saiu de campo com uma justa vitória na última quarta-feira em Kharkiv. "É muito pior perder para eles", reconheceu Kuyt, antes de aprofundar a sua análise do confronto. "Acho que começamos bem o jogo, tínhamos o controle e a posse de bola e criamos boas opotunidades. Mas sofrer o primeiro gol foi um choque, do qual não soubemos nos recuperar. Nesse caso, você tem de continuar jogando como se nada tivesse acontecido, mas não foi o que fizemos e acabamos levando o segundo gol muito rapidamente. Depois a partida se equilibrou, diminuímos o placar e, com um pouco mais de sorte, poderíamos ter marcado o segundo, mas não fomos capazes."

Dirk teve uma razão pessoal para ter saído de campo ainda mais frustrado: ter entrado no jogo com apenas oito minutos para tentar mudar a história. Apesar disso, o holandês procura pensar positivo e coloca a seleção acima das ambições individuais. "Não estar no time titular é decepcionante para qualquer jogador, mas somos uma equipe e queremos alcançar as nossas conquistas juntos. Quando você está no banco, tem de deixar a frustração de lado e apoiar os seus companheiros. É claro que eu gostaria de ter jogado mais tempo, mas não tem jeito, faz parte do futebol."

Experiência e qualidade
Após analisar as dificuldades enfrentadas, Kuyt virou a página. A Holanda ainda não está eliminada, e o atacante se agarra ao último fio de esperança. "Essa é uma das grandes graças do futebol", disse. "Tudo pode acontecer, ainda temos chances. Temos de jogar bem contra Portugal e, quem sabe, conseguiremos a classificação. E aí todas as frustrações ficarão para trás."

Ainda que a estratégia de redenção holandesa não dependa apenas da própria seleção, o camisa 7 está plenamente confiante em uma reviravolta no grupo. "Será complicado. A Dinamarca e a Alemanha foram adversários difíceis, mas neste tipo de torneio é sempre assim. Se estivermos em um bom dia, podemos ganhar de qualquer um, por isso não vejo por que pensar que não podemos derrotar Portugal."

Assim, enquanto espera pelo momento decisivo, Kuyt faz contas e aposta na qualidade do plantel holandês, que tantas outras vezes fez a diferença. "Esta é uma seleção vencedora, que corresponde nos momentos importantes. Há muito tempo não perdíamos dois jogos seguidos e, embora isso tenha sido um golpe duro, acredito que possamos contar com a nossa experiência ganhadora e a nossa qualidade para fazermos uma boa partida contra Portugal. Espero que os deuses estejam conosco", concluiu, com um toque de humor.